Valores da arroba produzida e vendida do boi de pasto 2019 (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 22 de Fevereiro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Como está a conta de quem vai abater boi/vaca no final de safra de capim? Elaboramos uma simulação contendo um cenário padrão, de nível de tecnologia acima da média para o seu balizamento. Bora dar uma olhadinha?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Voltamos ao mesmo patamar que a arroba tinha no final de 2018 porque nas duas últimas semanas houve apreciação, recolocando a cotação média nacional do boi gordo em R$ 143,19 (a prazo e livre – dados Scot/IBGE, adaptados). Apenas um “beiçinho de pulga” (R$ 0,02) a menos que a derradeira cotação do ano passado.

Há 15 dias o cenário é (levemente) construtivo para os preços da arroba, conforme adiantado para os assinantes do Front através do BeefRadar (há duas semanas o percentil de alta assumiu a guia da previsão de preço para curto prazo e se tornou a maior probabilidade de ocorrência). Mas o Brasil pecuário definitivamente não é um país, e sim um continente.

Atualmente há praças com 15 dias corridos de escala, como partes do MS, onde o mercado é frouxo. Em SP, apesar das escalas apertadíssimas, o boi está sendo segurado “à laço”, a caixa de ferramentas está aberta e operando (entendedores, entenderão). Há outras praças, entretanto, da “mão para a boca” e com preço em aquecimento. No caso do MS, a oferta de chuva/pasto veio forte entre set/novembro, de modo que agora há regularidade/volume de fêmeas para abate. Locais como TO, GO, MA, e partes do PA, sentiram a necessidade de alívio de pastos devido ao veranico (ele foi a mão que embalou o berço das ofertas das primeiras semanas do ano), mas agora a oferta voltou a ser muito reduzida (pecuarista está aliviado) e o mercado aqueceu. A Mãe Dinah, trás boas notícias para os assinantes. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Ventos “auspiciosos” passaram a soprar sobre o difícil mercado da carne deste início de ano... Nos próximos dias as vendas de carnaval (cortes “grill”) e virada do mês se somarão aos excelentes volumes embarcados para fora do Brasil em fevereiro. Tanto é verdade, que passamos “ilesos” pelo meio de mês (pior momento das vendas do atacado). As velas da nau bovina estarão esticadando...

3)    BEEFRADAR (quase aumentei o percentil de alta... mas ainda permanece o mesmo)
15% queda | 40% estabilidade | 45% alta

4)    HORA DO QUILO
“Aproximadamente 1% dos 5.000.000 de produtores rurais do Brasil (50.000 produtores) correspondem a 50% da produção nacional. No mundo há 450.000.000 de produtores rurais e 40% deles desistirão até 2030” (Francisco Vila, Dinapec 2019, 20.02.19, na Embrapa Gado de corte de Campo Grande/MS).

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
A valorização imobiliária das terras, historicamente presente no Brasil, está ameaçada pela elevação da tecnologia e produtividade da agropecuária? O que você acha? Para Francisco Vila, sim... Seus estudos apontam para a “sobra” de aproximadamente 60 milhões de hectares nas próximas décadas. Vou convidá-lo para um podcast!

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
Elaborei uma simulação real de projeção de resultado produtivo/financeiro de uma boiada abatida no final da safra de capim, para GO (certamente derivações podem ser feitas para outros locais). Para tanto, contamos com números originados pela Scot Consultoria e Inttegra, bem como de resultados produtivos previstos na fazenda da família. As premissas são:
•    Garrote de 18m, adquirido em 15/06/18, com 9.5@ (ou 285kg), ao preço de R$ 1.540,00/cb (fonte: Scot Consultoria), com adição de 1% de comissão e R$ 25/cb (frete);
•    Desembolso projetado de R$ 66,47/cb/mês e mortalidade projetada de 1.3% (fonte: Benchmarking Inttegra 17/18 – recria/engorda – média de clientes);
•    Considerou-se a compra de uma opção (PUT) para proteção do custo de produção. Esta PUT foi cotada em 21.02.18 às 16h ao custo total de R$ 0,55/@ (com strike de R$ 140/@ base SP, a vista de livre);
•    Protocolo nutricional projetado: proteinado (0.1% do PV) da entrada até 01.11.18; em seguida, 120 dias de suplemento mineral aditivado (0,030% do PV), ou seja, até 28.02.19; na sequência, entre 01.03.19 até 30.06.19, suplemento proteico-energético (0,5% do PV). Obs.: data do abate prevista é 02.07.19 e a lotação média durante o período total produtivo completo será de 1,2 UA/há (intensificação pastagem mediana);
•    Desempenho produtivo projetado: 0.300, 0.900 e 0.854 kg/dia, respectivamente para as mesmas fases descritas acima com relação à suplementação;
•    Preço de venda projetado: tela da bolsa (17h de 21.02.19) de R$ 150,80/@, considerando diferencial de base médio de 8.21% (R$ 12,38/@) e também considerando premiação SISBOV EU R$ 2/@, conferindo preço final de R$ 140,42/@ a vista (2 dias de prazo) e livre (funrural com desconto em folha);

Com as premissas acima, o resultado zootécnico projetado foi:
•    Abate em 02.07.19 com 538,33 kg (ou 19.11@) e 53.25% de rendimento de carcaça. Considerando o peso de entrada e o de saída, a produção total foi de 9.61@/cb durante os 12.53 meses de ciclo produtivo;
•    O GMD foi de 0.665 kg/dia, com 57% de rendimento do ganho. Foram necessários 39.64 dias para se ganhar 1@ (ou 0.77@ colocadas por cb/mês);

O resultado financeiro/econômico projetado foi:
•    Custo da arroba magra comprada e internalizada: R$ 166,36, o que significa ágio em relação à arroba do boi de 33,05% (frete CEPEA Goiânia a vista no momento da compra);
•    Custo da arroba produzida será R$ 87,35/@ (contempla todo o desembolso, incluso a PUT);
•    Custo da arroba vendida será R$ 126,62/@ (é o custo projetado da arroba do boi gordo pronto para abate);
•    Resultado Operacional (EBIT): R$ 263,62/cb. Obs.: o resultado não contempla depreciação, amortização, despesa financeira (juros), despesas não operacionais, imposto de renda e mortalidade;
•    Margem por arroba vendida: R$ 13,79 (sem considerar mortalidade);
•    Análise de viabilidade: indica um lucro líquido de R$ 231,75/cb (já descontada a mortalidade), uma TIR de 9.452% e a taxa de valorização do capital investido em gado de 0.718% ao mês, durante os 12.53 meses do ciclo produtivo;
•    Produção total: 12.61@/ha, sendo projetados desembolsos de 7.84 @/há (ou R$ 839,49/cb) e mais 2.30@/ha de ágio. A margem líquida será R$ 2.46@/ha, conferindo um lucro líquido de R$ 331,28/há durante o ciclo produtivo anualizado;

Conclusões: 1. projeções como esta são necessárias para cada agrupamento de gado a ser comercializado em 2019 e são consequência direta de gestão (produtiva e financeira); 2. os gastos relacionados à manutenção do sistema de produção estão contabilizados, mas não há nenhum centavo para quitação de juros (sabemos que esta não é a realidade de endividamento do produtor);  3. Note, que o raciocínio de converter produção, desembolsos, ágio e a margem para a unidade “@/há” é muito interessante e revela que o ágio pago terá praticamente o mesmo valor que o resultado final da atividade; 4. O sistema de produção projetado não é de “altíssima” produtividade, mas está bem acima da média do Brasil. Como o resultado financeiro apresentado é no máximo “RAZOÁVEL”, me leva a crer que a situação do produtor rural médio está extremamente pressionada; 5. Com a gestão de risco apresentada, o produtor fica assegurado quanto ao seu custo de produção e independente do que ocorrer com o preço de venda, não haverá prejuízo (o investimento para tanto foi de R$ 6,89/cb na bolsa); 6. Parace haver uma certa padronização do valor de R$ 160 a 170 para a arroba magra comprada em 2018 (animais de 10@ ou menos), de R$ 80 a 95 para a arroba produzida a pasto (sistemas de produção com nível de tecnologia médio/bom) e, consequentemente, de R$ 125 a 135 para a arroba vendida. Portanto, o suporte (mínimo) da BMF ao redor de R$ 150/@ na safra de boi, faz sentido, assim como o de R$ 140/@ na média do Brasil (e em muitas praças pecuárias). Não tem como vir abaixo disto...

O exercício acima é um bom exemplo de projeção de custo de produção, de margem e de política de gestão de risco comercial, que pode (e deve) ser perseguido. Há alinhamento com os seus números? Os seus são os que verdadeiramente lhe importam! Até a próxima semana!

Fotos em destaque: Dinapec 2019, evento ocorrido na Embrapa gado de corte (CNPGC) na última semana, no qual tivemos a oportunidade e a honra de participar (detalhes no Instagram @noticias_do_front). Obs.: créditos de duas fotos para Marcio Alves Roberto e Fabiano Reis.

Artigos Relacionados

Comentários ( 2)

  • - Josimar

    Parabéns Rodrigo! Excelente artigo. Acho que os números e o sistema de produção são muitos semelhantes ao que acontece na minha propriedade, apesar de ser de pequeno porte. Chama-me a atenção que houve uma boa produção de arrobas por hectare, mas mesmo assim o resultado financeiro, como você mesmo disse é apenas razoável. Isso mostra que os preços da arroba estão realmente muito defasados e muito difícil sobreviver somente com a pecuária.

  • - Rodrigo Albuquerque

    Corretíssima a sua leitura, Josimar!

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.