Vaca Louca Atípica, quais os próximos passos?

  • Por Rodrigo Albuquerque - 4 de Setembro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Quem diria! Até a última quarta (01/09) o mercado seguiu seu caminho normal, mas o “arreio virou” na quinta, graças ao boato que começou a circular (ainda na terça) sobre um caso da Doença da Vaca Louca (Mad Cow Disease ou Bovine Spongiform Encephalopathy ou Encefalopatia Espongiforme Bovina - EEB) que estaria em investigação.

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Até essa edição ser fechada (04/09, sáb) o MAPA ainda não havia se pronunciado, mas o mercado financeiro e mídias especializadas dão conta de que, de fato, a investigação sanitária existiu e, além disso, cravam o diagnóstico como o da forma atípica da doença, com confirmação internacional para (em tese) dois animais. Obs.: importante o MAPA esclarecer se foi um (MG) ou dois animais (MG/MT) e, em sendo dois casos, se estamos com o diagnóstico definitivo de ambos. Pensando que tudo isso será confirmado pelo MAPA nas próximas horas, o que ocorrerá e em quanto tempo teremos o mercado funcionando normalmente, incluso exportações? Respondo a essas questões pensando com o exemplo do último caso que tivemos (em jun/19).

Antes de tudo, é importante ressaltar que nosso sistema de vigilância sanitária fez seu papel, com total sucesso. Temos o diagnóstico da ocorrência! Isso reforçando nossa credibilidade internacional. Claro que o fato de a doença não ser na forma clássica, é um alívio imenso para a cadeia. A partir de agora, entretanto, a vida do mercado não voltará ao normal imediatamente, como muitos pensam. Temos que cumprir mais duas etapas....

A primeira delas é a fase sanitária, onde o MAPA deve comunicar imediatamente a OIE (Organização Internacional de Epizootias) sobre a ocorrência do(s) caso(s) de EEB atípica, remetendo o laudo recebido do Lab Canadense. Além disso, deve imediatamente cumprir o que está nos protocolos bilaterais de comércio internacional dos quais o Brasil é signatário (o mais relevante é o da China, por questões óbvias). O tratado diz que deve haver a autosuspensão temporária e imediata de todas os embarques e certificados de exportação (a partir do recebimento do laudo internacional - 03 ou 04/set?). Espera-se que a OIE encerre o caso de maneira célere porque se trata de EEB atípica, o que levará 48h pós comunicação (em tese).

Aí vem a segunda parte, a fase diplomática/comercial. De posse do encerramento oficial do(s) caso(s) pela OIE, o Brasil comunicará a China e terá que aguardar a decisão dela no sentido de autorizar a retomada dos embarques, o que demandará (em tese) o mínimo de três dias protocolares (em 2019, demorou quatorze dias). Aí entram nuances diplomáticas e comerciais de lado a lado. Por ora é isso, agora vem o principal...


Comparando o(s) caso(s) de 2021 com o de 2019, quais as diferenças positivas e negativas no sentido de termos o mais breve restabelecimento da normalidade dos negócios com a China, com outros mercados de exportação e com o mercado interno/abates de maneira geral? Elenco a seguir, caracterizando cada ponto como positivo, negativo ou duvidoso com relação à agilização e nível de preços da arroba na retomada do mercado pecuário no Brasil:

•    Positivo: algum atalho pode ser pego pelo MAPA/diplomacia devido à recorrência do tema, encurtando o tempo. Obs.: só faço a ressalva do ineditismo de possivelmente termos mais de um caso ao mesmo tempo. Como será com essa situação?

•    Positivo: a China estava em plena carga de pedidos para compor os estoques com vistas ao atendimento da demanda do ano novo Chinês de 2022 que dessa vez será em 01/fev (11 dias antes da data de 2021). Os importadores (empresas) estão ansiosos para retomar e isso pode ajudar na agilização;

•    Duvidoso: a carne bovina exportada pelo Brasil para a China está em pico de preço. Será que o governo chinês não vai querer barganhar queda de preço para então retomar os embarques? Por outro lado, se não importar do Brasil, vai importar de quem? Tenho dúvida do quê vai pesar mais: a possibilidade de barganha comercial do governo ou a necessidade de compra da demanda? Isso na China é definido pelo governo e não pela vontade dos importadores (empresas)... tenho dúvidas aqui, sinceramente...

•    Negativo: diferente de 2019, estamos hoje num forte choque de oferta de bois em confinamento em meio aos maiores custos de produção da história. Esses dois fatores (alto volume de bois confinados e impossibilidade de postergar abate) não farão o pecuarista “amolecer” nas negociações quando elas forem retomadas? Os impactos desse atual contingenciamento de saída de cocho são muito onerosos e podem ser piorados agudamente caso haja dificuldade de mobilidade rodoviária na próxima semana. Lembro que temos escalas longas e que o “longínquo” outubro, na prática é mês presente (sacada do Ricardo Heise);

•    Negativo: diferente de 2019, a carne que vai ser produzida após a liberação de retomada chinesa pode enfrentar problemas de redução de agilidade na tramitação dos documentos de exportação em função da crise com a fiscalização sanitária, deflagrada ao mesmo tempo que esse nosso desafio de EEB atípica e ainda não resolvida com o MAPA;

•    Duvidoso: não sabemos ainda como os demais mercados, além da China, vão reagir porque falta o comunicado oficial do MAPA (no caso passado, não houve muitos problemas com outros mercados, mas permanece a dúvida);
Eita... deu dois negativos, dois positivos e dois duvidosos... Juro que não foi proposital!

Então, eu termino esse MiniFront com a citação do Victor Campanelli no sábado cedo, num grupo de zapzap: “o pessimista vê dificuldade em toda oportunidade. O otimista vê oportunidade em toda dificuldade” (Winston Churchill). Teve bastante oportunidade na B3, seja para quem desejou comprar, seja para quem desejou vender. Fiz as duas coisas...

Até a próxima! Rodrigo Albuquerque

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