Vaca, a mãe adotiva da humanidade (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 3 de Junho de 2022

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Dessa vez, vou falar pouco sobre o mercado do boi gordo, resumindo-o no post que distribuí na última terça: estamos (provavelmente) no fundo do poço da @. Resta saber se o poço tem mola, e qual é o potencial elástico dela. A frase acima resume o que venho escutando de pessoas que eu admiro, e com as quais eu concordo, há alguns dias. Uma ressalva: a profundidade do poço é dependente da ausência de mais notícias negativas da Ásia. Obs.: para mim o poço tem mola. A ver o quão ela é forte e quando irá saltar, mas não creio demorar.

O invernista que topava vender nesses preços aviltantes, já o fez. A festa da oferta derramada da arroba gorda está no seu crepúsculo final, em vários estados. Um novo equilíbrio entre oferta e demanda aparece no horizonte, ainda tênue. De outra sorte a reposição ainda não dá esse sinal e segue perdendo valor.
Tivemos muito contato com a cria nos últimos dias, seja por palestras que assistimos no retorno dos eventos presenciais, seja por negociar bezerros em currais de criadores. Algumas coisas me chamaram a atenção...

Primeiro, a comercialização. Nossa compra foi na sua totalidade, nos lotes maiores, na base do preço por quilo vivo. Se o boi gordo vale quanto pesa... Se a banana, que tem “preço de banana”, vale quanto pesa... Porque comprar bezerro em R$/cabeça???

Claro que tem o preço da banana nanica, o da banana maçã, o da banana da terra... Analisamos várias características dos lotes para determinar o quanto podemos pagar, dentre outras, a saber: peso médio, mínimo e máximo; genética (IATF e prova dos touros); nutrição; protocolo sanitário; mês de nascimento e data da desmama; distância; comportamento, horário de pesagem.

Independente de qual seja o preço em R$/kg, desde que ele seja acordado entre as partes, ele será justo para ambos os lados! O bezerro vale quanto pesa!!!

Estou vendo o criador com farol baixo. Claro, uma perda de 30% em valores reais em doze meses na venda do seu produto, não é fácil de engolir.

Nessas horas, o base de sustentação para seguir em frente fica com o propósito de o porquê se está nessa atividade abençoada que é a cria. E aí, encaixam como luva, as duas perguntas fundamentais da cria, segundo o companheiro Frederico Jardim, ditas no evento "Falando de Pecuária" do Minerva, realizado nessa semana em Palmeiras de Goiás/GO.

Lembro que as perguntas, e não as respostas, movem o mundo!!! São elas: qual tipo de bezerro(a) vou produzir e para quem vou vender daqui três anos? Em qual sistema de produção esse negócio vai se desenvolver”?

A grande dificuldade é que a cria, um projeto de 3 anos, tem que atender um mercado cada vez mais volátil e que muda radicalmente em um mês. Por isso eu admiro muitíssimo os criadores.

O ato de criar é na prática, um exercício de fé, de crença no futuro, antes de tudo. Coisa de quem é otimista por natureza, que acredita que dias (e crias) melhores virão, sempre!!! Coisa de quem pensa no longo prazo, com sabedoria. O ato de criar está no sangue, alicerçado no amor (que a vaca tem pelo bezerro).

Como disse o amigo Ricardo Passos da Criafértil no nosso Instagram (https://www.instagram.com/noticias_do_front): “criar é uma atividade nobre e apaixonante, e ser “sustentável” com as pessoas, os animais, meio ambiente e com lucratividade, é o desafio diário para quem quer permanecer na Cria. Acredito mais, a cada dia nesta atividade, porque a base de uma pecuária eficiente que começa com um bezerro de qualidade”. Note que o Ricardo usou a palavra “cria” com um “c” maiúsculo. Perfeito!

Como dizia meu avô: “a criação que mija pra trás é o que leva o homem pra frente”.

Parabéns aos criadores(as) do Brasil, sigam em frente que “tudo isso passa” (Chico Xavier). São vocês, criadores(as) que endossam os grandes feitos das vacas ao ser humano. O bem que vocês fazem é imenso, pois a vaca é a verdadeira mãe adotiva da humanidade.

Obs.: segue um podcast, onde compartilho um pouco do que vivenciei com a cria nos últimos dias.

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Rodrigo Albuquerque

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CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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