Um manual sobre como bonificar sua equipe (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 5 de Abril de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Você já bonificou a equipe de colaboradores da pecuária e, ao invés de colher frutos positivos, percebeu que o clima “azedou”? Já ocorreu conosco e isto é muito frustrante mesmo. Ao invés de pensar em nunca mais fazer, pense em como fazer da forma correta da próxima vez! Este Front lhe entrega algumas regras de ouro!

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
O movimento de safra firme no bovino definitivamente é nacional. Neste momento em particular, apenas o oeste do Maranhão mostra redução de preço nesta semana. Pela oitava vez seguida a arroba média do boi gordo no Brasil varia positivamente, alcançando R$ 146,01 a prazo (dados Scot/IBGE adaptados) no fechamento semanal (Desde 01/jan, recuperamos R$ 2,81/@).


Interessante: o recorde nominal dos 25 anos do Indicador Esalq/BMF ocorreu em 04.04.16 e EXATAMENTE três anos depois (04.04.19), beliscamos este recorde. A última quinta fechou em R$ 158,70, apenas R$ 0,79 abaixo... Como o mercado repete comportamentos de preços!

Nada indica que a toada mude nos próximos dias porque o pilar de sustentação deste movimento permanece: ofertas curtas, escalas igualmente travadas, disputa pelo boi EU bem acabado e novo, com bom suporte de pastagens.

Além disto, considerando que estamos em início de mês, é esperada uma melhor fluidez na ponta final da cadeia (consumo), fato fundamental para estancar as escorregadas da carne no atacado e do nível de margem de comercialização da indústria dos últimos dias (parece que isto começa a se tornar realidade no encerramento desta semana). Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Em anos de safra firme, existe queda de preços no final da safra de capim? Em que nível costuma ocorrer esta queda? Quando ela costuma ocorrer? Trarei as respostas, minha amiga e meu amigo... Carma! Estas são as perguntas que valem R$ 1 milhão, concorda?!?

3)    BEEFRADAR (5 pontos foram deslocados da queda para a alta)
10% queda | 35% estabilidade | 55% alta

4)    HORA DO QUILO

“Hoje já se fala em “interação transgeracional”, ou seja, um estresse numa vaca prenha pode ter reflexo na performance dos seus netos, por mecanismos epigenéticos” (Prof. Mateus Pies Gionbelli – UFLA, em palestra no Encontro de Recriadores e Confinamento da Scot, 02.04.19).

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Você achava que tinha que cuidar do bezerro a partir da desmama e aí vem a magistral frase do Professor acima, mostrando que não sabemos de nada mesmo.
Há que se cuidar do bezerro a partir do dia em que ele começa a existir, que é muito antes do nascimento: é no ato da fecundação!

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
Primeiramente, é necessário dizer que este verdadeiro manual sobre como bonificar uma equipe é um resumo (sob minha ótica) da excelente apresentação do Antonio Chaker no Encontro de Recriadores e Confinamento, ocorrido em Ribeirão Preto nos dias 02 a 05.04.19, promovido pela Scot Consultoria. Ao meu amigo Antonio, portanto, todos os méritos. Segue!

A palavra deste assunto é “gente”? O que você sente quando escuta esta palavra? Caso seja “vixe, aí é problema”, este conteúdo é para você! É necessário que você aprenda a atrair, selecionar, treinar e manter seus colaboradores. No aspecto de manter, deve estar envolvida uma bonificação aos seus funcionários. E nisto, erramos muito. Como fazer então a bonificação?

Primeiro: o que queremos, ou seja, porque bonificar? Para incentivar a conquista das metas e premiar o esforço do time! O que vem junto? Vários ganhos adicionais, como: alinhamento de equipe, melhor controle de atividades, criatividade e espírito de time.

Mas também pode vir sensação de injustiça, fraude, desmotivação e senso de não pertencimento no caso de ocorrência de erros na implementação desta atitude. Lembrando que quanto maior a hierarquia, o desejo do colaborador está ligado à liberdade/desafio e quanto menor, o desejo costuma mirar para a ser segurança.

Os fundamentos que garantem o sucesso de uma bonificação são:
1.    O sistema de metas tem que ser simples. Ex.: quantidade de animais abatidos. Idealmente, deve ser necessário apenas uma conta para se saber a premiação;
2.    Tem que ser autofinanciado (não pode consumir caixa da fazenda para pagar o prêmio). O repasse à equipe deve estar entre 8% a 50% do ganho adicional obtido pelo concurso;
3.    As metas devem ser definidas com o time de execução e devem ser baseadas em fatos e dados;
4.    Planos de ação, métricas intermediárias e medidas de contingência devem ser estabelecidas previamente;
5.    Prêmio deve estar indexado ao salário, pois este mede a responsabilidade que a pessoa tem (salário não mede a importância das pessoas);
6.    Deve haver a participação de todos os influenciadores no atingimento das metas;
7.    O risco deve ser compartilhado (ex.: fogo, raio). Obs.: nunca dar prêmio no caso de não alcançar a meta, ou seja, premiar por benevolência não é bom no longo prazo;
8.    O plano deve ser flexível a cada ciclo (ex.: “para este ano, o prêmio vai ser”...);
9.    Deve ser acompanhado de perto (ex.: quadro de gestão a vista);
10.    Devem existir gatilhos de proteção ou de potencialização (ex.: o time ganhará premiação pelo peso do gado, desde que o orçamento seja cumprido – evita superalimentação);
11.    Tem que ser baseado na entrega. Obs.: deve ser baseado no que gera caixa (ter o gado pronto na data determinada);
12.    Deve haver uma reunião de lançamento e de entrega. Obs.: em caso de não prêmio, tem que fazer, até mesmo para digerir os porquês de não haver prêmio;
13.    Faz todo sentido usar dinheiro e um reforço, ou seja, um troféu, fivela, eletrodoméstico.

Antes de tudo isto, pergunte-se: estou no momento de implantar o sistema realmente? No caso da recria, a meta central do time de campo deve ser entre 0,24 a 0,28 kg/dia adicionais. Para os gestores, a meta ideal é resultado por animal, TIR e ROI.

As atitudes que sustentam a meta, ou seja suas consequências, são: ter uma fazenda manejada em “ponto de engorda”, maior homogeneidade dos lotes, cumprimento do plano de suplementação, cumprimento do plano sanitário, etc.

O tempo de permanência de casa do funcionário pode ser um dos gatilhos para aumentar os prêmios. Caso o funcionário peça demissão, perde o plano de remuneração variável em vigor, na sua totalidade. Caso seja demitido, recebe parcialmente, da mesma forma, que se for contratado no meio do processo.

A questão de recolhimento de encargos sobre os prêmios ainda não é totalmente pacificada do ponto de vista de legislação, portanto, recomendamos que se recolham todos os impostos sobre estes valores. Pode-se pensar em cesta básica, plano de saúde ou dentário para os níveis hierárquicos inferiores.

Nossa experiência indica que o dinheiro tem uma menor “memória” de prêmio. Em seguida vem produtos, como eletrodomésticos. A maior memória de prêmio são as viagens para família do colaborador. Um detalhe importante: fazenda é coisa de time e não de família!

Muito bom, não é mesmo? Ajudou? Tenho certeza que sim! Obrigado ao Chaker e até a próxima semana!

Fotos em destaque: Encontro de Recriadores e Confinamento, ocorrido em Ribeirão Preto nos dias 02 a 05.04.19, promovido pela Scot Consultoria (detalhes no Instagram @noticias_do_front).

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