Um bovino, dois mercados (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 12 de Fevereiro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Mais uma semana encerrando e entramos na segunda quinzena de fevereiro embalados pelo Carnaval no Brasil e pelo Ano Novo Chinês, o “festival da primavera” do nosso maior parceiro comercial.

Visita online Allflex: https://www.allflex.global/br/

Duas festividades importantes para dois países unidos de maneira umbilical no setor de alimentos (o Brasil é o maior superavit agrícola enquanto a Ásia, o maior déficit agrícola do planeta). Esta união é atualmente tão forte ao ponto de produzir uma dependência mútua, que por sua vez cria uma dicotomia incrível no mercado pecuário nacional. O boi gordo vem espelhando bem esta situação, ao ponto de identificarmos dois mercados completamente distintos e coexistentes.

De um lado, o mercado interno segue impactado pela redução do Pib de 2020 que deve ser de aproximadamente 4%, fruto da pandemia. A carne, nesse sentido, claramente sinaliza estar no seu limite, não aceitando volume adicional, sendo sustentada pela escassez. Em consequência, unidades que operam apenas no mercado interno “pisam em ovos”, impactadas pelo valor da @ e também pelo custo operacional nas alturas, fruto do abate reduzido.

De outra sorte, vemos o mercado externo, impulsionado pelo dólar continuamente forte e que teima em manter nossa carne competitiva. Certamente a China não é mais a festa “sem medidas” de 2019, quando a tonelada de carne exportada bateu US$ 7.500 (saudades, rs).


Tão pouco creio que o volume de exportação siga batendo recordes agressivamente como fez nos últimos meses, pois há dois desafios para se embarcar carne: o primeiro é que não há produto em volume (o abate está para lá de reduzido e há um aproveitamento menor, porque a regra estúpida de limite de idade máxima de 36 meses, restringe mais nesse momento, afinal de contas a terminação em pasto tem idade média maior que a confinada); além disso a China passa por um hercúleo problema logístico (portos com menor contingente operacional em função de covid, reduzindo a velocidade de descarga e com isto, retendo contêineres reefer).

De toda a forma, plantas frigoríficas que atendem China, principalmente as maiores, tem uma condição de margem que o mercado interno não permite. Temos um bovino e dois mercados: o que atende ao mercado interno commodity está tenso (o de qualidade não); quem tem habilitação China quer acelerar.

Penso que poderemos observar diferenças de preços maiores entre a arroba de animais "erados" e de animais novos como uma tendência de curto prazo (maior ágio para o boi China, ou deságio para o boi "erado"?). A tendência anunciada aqui de estabilidade, ganha corpo, assim como o desafio da operação de abate para o mercado interno.

Até a próxima, saúde e luz!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:




Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.