Três fatores que podem indicar um teto para a arroba (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 23 de Novembro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Fui em dois eventos na semana. Não consigo precisar quantas vezes escutei: “até onde a arroba vai”? Os três fatores listados neste Front são bons indicadores, na minha opinião.

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Se a tal “Black-list” dos frigoríficos de fato existir, ela nunca foi tão tão longa (a lenda prega que existe uma lista com nome dos pecuaristas que não honram seus acordos de venda). Se a moda pegar, para os nomes da “black-list” o frigorífico poderia comprar o boi por um preço e no caso de queda nas cotações entre a combinação e o abate, ele poderá se negar a carregá-lo, ou manter o seu embarque, porém por um valor menor? Tem gente dinamitando ponte. E a Black-list "ecssiste"...

2)    BEEFRADAR (intensidade reduzida do percentil de alta)
5% queda | 20% estabilidade | 75% alta

3)    HORA DO QUILO
“Esta alta da arroba está boa mesmo para dono da fábrica de pinico. Tem muita gente ‘mijando para trás’ na venda do magro e do gordo” (Ricardo Heise, 20/11/2019).

4)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Dois destaques: poucos estão pensando sobre o quê o excelente trabalho da Ministra Tereza Cristina tem a ver com o tsunami da arroba. Para mim, tem muito, porque ela dividiu melhor o bolo das exportações, sem mirar holofotes, no melhor estilo mineiro. Parabéns para ela e sua equipe! Mais uma mulher revolucionando o agro!


E segundo: toda a crise faz crescer. O varejo da carne bovina, sofre agora e certamente vai buscar vender a carcaça como um todo, além de aumentar sua eficiência operacional, através do combate às perdas e do incremento da sua habilidade e competência comercial, seja por passar a se proteger na B3 ou por negociar contratos de fornecimento. Óbvio que tem gente já fazendo isto, mas são exceções.

5)    O LADO “B” DO BOI
Antever o ponto da virada da arroba... Este é o desejo de 10 em cada 10 pecuaristas, frigoríficos, varejistas, etc, pois nada sobe indefinidamente. Ninguém está confortável com este tsunami pois tem risco de tudo que é lado, para todos. O que se deve evitar ao máximo? Comprar o seu insumo com os preços na “gaia do pau” e vende-los depois de uma possível inversão de tendência, pois se ela vier, tem tudo para ser tão (ou mais) forte quanto a subida. Faz sentido o desejo, portanto. A tarefa é difícil e perigosa, de toda forma, vamos lá: quais fatores poderiam ser bons gatilhos para uma possível interrupção do movimento de alta?

5.1) A China tirar o pé das compras: tudo indica que a China é o único mercado que aceita o preço atual da arroba, ou seja, ainda dá margem para a indústria com sustentabilidade. Tenho muito receio da questão “sanitária/comercial”, ou seja, algum pequeno desvio de entrega de carne (possível de ocorrer em qualquer empresa, setor ou País exportador) tendo consequências desproporcionais ao fato em si, o que traria enorme poder de barganha para o importador. Temos agora o maior telhado de vidro da proteína bovina mundial (estamos mais expostos do que nunca). Basta também lembrar que a arte milenar do comércio é chinesa e nós nem engatinhamos nesta empreita. Temos enorme desvantagem negocial. Outros setores, como a soja, nos servem de exemplo. Outro ponto: não entendemos nada de China. Dá para vender muito mais para eles (a princípio) e o dólar está ajudando, mas... (sempre tem um “mas” no mercado externo). Também não dá para imaginar que a curva de vendas para a Ásia será linearmente positiva sempre (dados preliminares mostram uma oscilação negativa agora);

5.2) Os frigoríficos tirarem o pé dos abates: só conseguirão fazer isto se passarem a não ter risco de “default” em compromissos assumidos no tocante à entrega de carne e/ou se o valor da arroba do físico inviabilizar margem operacional até para a China. Talvez a indústria tenha ficado “squeezada” (encurralada) em alguma medida, entre a obrigação de entregar os contratos, faceando com uma matéria-prima escassa e bem mais disputada. De fato, a “caixa de ferramentas” para conter as altas não foi aberta (quem sabe se inicia com uma pressão na B3 ou se concretize nos rumores atuais de supostas férias coletivas do final de dezembro). Difícil imaginar que sem boi na escala ocorram ajustes negativos importantes para baixo no físico.

5.3) O mercado interno tirar o pé da competição com o mercado externo pela carne: ou seja, o mercado reagir muito negativamente aos repasses para o consumidor que começam a ocorrer com força neste momento. Vale lembrar que o markup do varejo está nas mínimas, pressão esta que ocorreu nas últimas quatro semanas. Com todo respeito às exportações, o “bicho pegou” apenas depois que o atacado doméstico embalou e com isto, até o frigoríficos menores começaram a disputar a arroba mais alta. Isto foi fundamental neste momento pois iniciou um mecanismo de retroalimentação positiva para a alta. Sem o pilar interno, o movimento esbarra. A competitividade com suíno e frango ainda não está crítica. E há o 13º para injetar ânimo...

Enfim, há outros limitadores da alta, como eventos externos à cadeia da carne (principalmente com fundo político), o limite de preços internacionais (R$ 240,00 / 4,20 = USD 58/@), mídia com pauta negativa, etc. Não são só os três listados e destes, atenção ao 2º...

Por fim, depois de encontrar um teto, não necessariamente a arroba derrete. A curva pode ser como um “V invertido” (atinge o pico e depois cai forte), mas também pode ser como uma parábola (cai mais devagarinho) ou cai um pouco e estabiliza em um nível um pouco menor. Vamos acompanhar. A única curva que não pode cair é a do seu resultado. Até a próxima!

Fotos em destaque: evento Radar Investimentos, ocorrido em São João da Boa Vista.

Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.