Tava até bão, foi bão, foi mei ruim tamém, ia miorá, mai parece que piorô... (Front - blog e podcast)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 1 de Fevereiro de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Você sobreviveu ao pior janeiro dos últimos 14 anos de pecuária? Ou foi um janeiro ótimo? Ele se foi e não deixará saudades, pelo menos para a maioria.

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“O melhor analista de milho é aquele que muda mais rápido de opinião” (Luciano, da Milhão Alimentos, citado por Ademar Leal)

2)    BEEFRADAR (inversão importante no rumo do curto prazo: para cima e sem euforia)
20% queda | 30% estabilidade | 50% alta

3)    HORA DO QUILO
“O pessimista reclama sobre o vento; o otimista espera que ele mude e o sábio organiza as velas” (John Maxwell, escritor norte-americano)

4)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Embalado ao sabor do coronavírus, o dólar marca recorde de 4.28 e assim a média Brasil do boi fica em US$ 41,35/@ (referência semanal do Front - dados Scot e IBGE, adaptados). Portanto abaixo dos US$ 55 do Uruguai, US$ 59 da Austrália; US$ 65 dos EUA e US$ 43,50 do Paraguai. Só estamos mais caros que o boi argentino, cotado em US$ 36/@ (Scot), mas sem volume disponível. Será que o chinês sabe fazer conta?

5)    O LADO “B” DO BOI
A média diária do Indicador Esalq/B3 a vista (praça de SP) de janeiro ficou em R$ 193,02/@, uma alta de 26.8% na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 152,23/@ ocorreu em 2019). Esta variação é muito acima da inflação do período, o que pode ser encarado como uma ótima notícia, notadamente para os otimistas. O número chama a atenção, mas será que há muito o que comemorar? Vejamos...


Em primeiro lugar, há que se lembrar que a base de 2019 estava extremamente achatada depois de mais de quatro anos de uma forte pressão nos preços.
Em segundo lugar, o valor de R$ 150/@ de abril/15 corrigido pelo IPCA até dez/19, revela valor muito semelhante ao atualmente visto no mercado. No português claro: a gordura acumulada em nov/19 foi totalmente perdida...

Em terceiro lugar, por outra ótica de análise, afirmo: o primeiro mês de 2020 terminou como o pior janeiro dos últimos 14 anos (2007 a 2020) em termos de variação percentual da arroba ao longo do mês. Explico: consideramos o valor do início do ano como a média dos últimos 5 indicadores de 2019 e dos primeiros 5 de 2020 (nossa base 100%). A partir dela, calculamos quantos pontos percentuais a arroba subiu ou caiu em cada dia do mês. Veja no gráfico abaixo que 2020 tem uma curva de preços com o pior comportamento da série:



“Mas Rodrigo, é claro que isto tinha que ocorrer, afinal de contas, tivemos um choque de preços fortíssimo no último bimestre de 2019”! É uma boa ponderação. Então, comparei o 2020 com três anos subsequentes a choques de preços fortes: 2008, 2011 e 2015. Novamente o mesmo resultado: 2020 apresenta a pior curva de variação de preço diária, veja:



Então comparei este nosso janeiro, com os janeiros dos piores anos de preços do nosso passado recente, são eles: 2009, 2012, 2017 e 2018. Novamente o jan/20 ficou por derradeiro.



Em resumo: este mês recém-encerrado foi democrático ao dar motivos para os otimistas e para os pessimistas em termos de números. Mas, eu diria que o mais impactante não foram os números, mas sim o sentimento: a expectativa de colhermos preços sustentados por um período mais longo foi frustrada. Ficou um gosto de tábua de chiqueiro na boca.

Para finalizar, digo a minha opinião: mesmo com a pior demanda do ano, tivemos uma alta muito importante no YoY de janeiro e um novo patamar de valor da arroba se apresenta. Com o retorno da demanda externa/interna, esta melhoria tende a se consolidar...

De fato, não espero um ano ruim, mesmo porque é comum termos dois anos bons na sequência, segundo nosso passado recente. Acho que sou corroborado pelas frases abaixo, ditas num evento do banco Credit Suisse ocorrido dia 29/01/20, em SP:
•    "o pico de demanda da China será em 2020” (Gilberto Tomazoni, CEO do JBS);
•    "China pode habilitar mais plantas" (Eduardo Miron, CEO da Marfrig);
•    “JBS e BRF, avaliam que a disseminação de um coronavírus na China pode ajudar a impulsionar a demanda chinesa por seus produtos, ao levantar preocupações quanto à segurança alimentar no país” (Moneytimes).

Tire você mesmo suas conclusões! Teremos um ótimo ano, o que não quer dizer que estamos imunes a momentos de pressão! Até a próxima!

Fotos em destaque: palestra para o confinamento do Grupo Mantiqueira, situado em Água Boa/MT, junto com a turma da Cargill.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:





Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.