São dois polos e não mais apenas um, que comandam o mercado pecuário (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 29 de Abril de 2022

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Escrever o Notícias do Front e interagir com os assinantes do Front Premium me ensina muito. O tema escolhido vem de uma dessas interações, dessa vez com o companheiro José Luiz Pedreira, o qual juntamente com a sua esposa Adriana, comandam a Fazenda Barra, lá na querida Bahia (Instagram https://www.instagram.com/fazenda.barra).

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Eles nos enviaram o seguinte comentário: “assistir uma palestra do Rogério Goulart, me levou a confirmar sobre o cenário estrutural para os preços pecuários no médio e longo prazo. As ideias dele são fantásticas e embasadas em muito estudo por décadas do mercado e conhecimento de ciclo pecuário. Só que acho que nunca vi os fundamentos estruturais formadores de preços sofrerem tanta interferência dos fatores conjunturais. O dólar, guerra, lockdown chinês, instabilidade política, etc. Os fundamentos prevalecem a meu ver, mas talvez não se realizem 100% por conta desse cenário de incertezas. A cabeça ‘feurve’ como dizem os matutos por aqui”.

Para mim, a sacada do amigo José Luiz resume com perfeição o motivo de termos um cenário de gestão de risco de preços tão desafiador como o atual.
Perceba que ele reconhece todas as questões que envolvem o afamado ciclo pecuário e a ligação direta dele com a direção dos preços pecuários. O famigerado ciclo é tudo o que ocorre em função da margem da cria estar mais alta ou mais baixa. A retenção ou abate das matrizes e tudo o que vem depois é apenas consequência. Essas forças são onipresentes na pecuária, tal como a gravidade. A gente não vê, mas percebe claramente os seus efeitos.

Ainda tem quem duvide, eu respeito, apesar de não concordar. Entender o ciclo pode até parecer, mas não é tarefa tão simples. Antes bastava entendê-lo e pronto! Em linhas gerais o rumo do mercado estava na palma da mão para quem o entendia.


Porém, com a tecnificação de toda a pecuária, desde a sua base (pecuaristas), passando pelo pacote de insumos e de gestão tecnológica e chegando aos frigoríficos, a carne do Brasil ganhou o mundo. Hoje, exportamos (em grandes números) algo como 25% a 30% de nossa produção, com uma venda altamente concentrada na Ásia, em termos de margem. O hipermercado do mundo, chamado Brasil, ganhou os holofotes merecidos.

Isso fez explodir a interferência de fatores conjunturais, há alguns anos menos importantes, tais como câmbio, certificações, aspectos sanitários, nuances comerciais específicas de países do outro lado do mundo, questões políticas, posições dos blocos comerciais, ocorrências de guerras, e por aí vai.

Em resumo, hoje essas duas forças são igualmente importantes na determinação do preço, desde o bezerro até a arroba: a força estrutural nas vestes do ciclo pecuário e as forças conjunturais de natureza sanitário-econômica-política. Isso adicionou dificuldade sem precedente para as previsões dos analistas. Não à toa, a volatilidade do boi gordo na B3, antes mansa, decolou.

As forças estruturais devem prevalecer, mas por diversos momentos, as forças conjunturais assumem o comando de maneira disruptiva. Penso que o estrutural dite o rumo no médio/longo prazo de maneira “crônica”, mas o conjuntural tem o poder de ser mais “agudo” e mudar tudo ao sabor da velocidade dos bytes (há de estar na sua memória o último setembro e outubro).

Como enfrentar tudo isso? Sendo direto: seja melhor que você ontem! Para isso temos que nos abrir para as mudanças na lida diária. A pecuária do futuro é um convite intransferível à sua evolução como agro empreendedor. Quem não entender, ficará pelo caminho.

Rodrigo Albuquerque

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