Safra! Será mesmo? (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 17 de Abril de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Há alguns dias relatamos uma melhor “fluidez” nas escalas, ou seja, menos dificuldade para o comprador de boi colocar animais na agenda de abate. Além de SP e GO, já citados aqui, o fato começa a ocorrer em algumas outras localidades como o MS, e por aí vai.

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O mercado futuro reagiu imediata e intensamente, fazendo o contrato de maio cair de R$ 315/317 para R$ 305/307 desde a terça e com alta volatilidade, uma característica também já alertada aqui. No mercado físico, entretanto, pouquíssimas alterações (até agora).

Podemos dizer que exatamente o mesmo ocorreu para o mercado futuro do milho, que resolveu realizar, diminuindo o ágio que colocava sobre o mercado físico nos contratos de maio e junho. Chuvas voltaram, mas “sei não”, está mais para o “chove e não molha” ou chuva por sorteio, como digo, fora a lagarta que está no “doze”. Uma coisa é certa: o milho de R$ 100 faz o agricultor peitar a janela com força e ficar corajoso “no último grau”!


As dúvidas são: vem correção para baixo na arroba? E se vier, qual a intensidade? Antes de dar a minha opinião, vou reforçar algumas coisas que estou vendo:
1.    A bolsa tende a exagerar o movimento, e estar sempre acompanhada de volatilidade;
2.    Há “compradores de boi e tiradores de pedido”, como diz um amigo. Os compradores de boi sabem que a fluxo de venda tende a não ser muito intenso e extenso. Logo, não é uma boa ideia “pisar na guela” e daqui a pouco pedir gado novamente, visto que o confinamento de menor porte tende a ser uma atividade hostil e inóspita em 2021;
3.    Eventual “terror” na compra de gado, sem a contrapartida da realidade na oferta não funciona e pode ser um grande tiro no pé;
4.    Se a arroba cair, os frigoríficos de mercado interno vão ficar mais no “modo on” ainda e terminar por disputar ainda mais a mercadoria com os exportadores;
5.    Nos últimos 10 dias, todas as referências de carne no mercado interno que acompanhamos estão nas máximas históricas, ainda mais agora com alguma transferência de renda do governo. Carne firme não combina com arroba “largada”;
6.    Por diversas fontes, vemos notícias positivas da China no tocante à melhoria de demanda e alguma melhoria de preço no mercado interno deles. Em adição, a Argentina resolve virar seu canhão de venda de carne para o mercado interno (opção do governo), alargando a avenida da exportação do Brasil;
7.    A ociosidade na indústria está altíssima. Voltar a abater “mais cheio” é uma bênção e isso por si, limita uma eventual pressão maior sobre a arroba. Mas, atenção: o mercado interno de carne não tolera volume (isso é uma fraqueza, olho atento se isso ocorrer);
8.    Reposição com oferta em volume razoável devido ao momento de desmama, potencializado pela dificuldade de pasto. Mas sem enxurrada e com preços muito firmes. Reposição firme não combina com arroba frouxa;
9.    Na maioria das vezes, opinião sobre o mercado, deriva de posição no mercado. Acabou a unanimidade dos agentes que militam no mercado futuro;
10.    Acho que eu vi mais pecuarista preocupado com a arroba do que comprador de frigorífico “alegrinho” e com convicção que a arroba cai.

Juntando e misturando tudo, sem a menor certeza, pondero duas coisas: o bagaço do movimento de queda no mercado futuro pode ter percorrido a maior parte do seu trecho com esses R$ 10/@ de queda; o mercado físico tende a ser muito menos contaminado que o futuro (quedas na arroba física acima de R$ 5,00/10,00 seriam a mais absoluta surpresa, ao menos para mim e digo mais: será que cai?!?).

Vale o alerta: se algum analista de mercado soubesse alguma coisa, ele já teria deixado de fazer análise para usar esse “poder de adivinhação dos preços” em benefício próprio há muito tempo! Até a próxima! Saúde, saúde, saúde, Rodrigo Albuquerque!

Obs.: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/compra de qualquer ativo ou derivativo agrícola, mas sim como opiniões pessoais, compartilhando algumas vezes nossa própria carteira de investimentos.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



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