Resultado e equilíbrio, as únicas variáveis da vida (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 11 de Outubro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Nosso tempo está sendo sempre usado para a busca de resultado, seja lá qual ele for. Mas será que a gente está seguindo esta luta de forma equilibrada?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
A quebra de recordes nominais da arroba foi noticiada aqui algumas vezes nas últimas semanas. Não que ela não tenha importância e nem que ela tenha deixado de ocorrer... pelo contrário! Ainda nesta quinta, novamente a arroba renovou a máxima nominal, alcançando R$ 162,70/@ a vista em SP.


Mas a notícia boa, de fato não é esta. Nem é a exportação, que segue turbinada. A notícia boa é que a carne do atacado resolveu entrar na dança. Também bateu o recorde nominal da história tanto na referência do CEPEA, quando na Scot Consultoria. O mercado interno está longe de ser uma maravilha, mas a produção menor tem feito a diferença neste momento. O varejo segue vendo a sua margem achatada...

O interessante é que a carcaça está subindo puxada também pelo traseiro... Isto chama muito a atenção e dá a dimensão da compressão do volume produzido e direcionado ao mercado interno.

A média do Boi Brasil está em recuperação há 11 semanas seguidas, sendo que esta foi a segunda maior alta semanal do ano, de modo que estamos há um coice de porco dos R$ 152/@ a prazo (dados Scot/IBGE, adaptados) no País.

Frigorífico exportador com escala longa segue preocupado, sem saber se vai achar o boi de depois de amanhã, pois a parcerias começam a reduzir o volume para as próximas quinzenas. O frigorífico pequeno, com escala muito mais curta, segue também preocupado, sem saber se vai achar o boi de hoje/amanhã.

Ambos querem comprar e isto é ótimo para quem quer vender. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Travar boi a termo com preço a fixar, lastreado no CEPEA é um risco para o produtor, certo? Não! É um risco para o produtor e também para o frigorífico... O ano de 2019 está ensinando isto. O feitiço virou contra o feiticeiro?!?

3)    BEEFRADAR (o percentil de chance de queda entra na mínima do ano)
5% queda | 30% estabilidade | 65% alta

4)    HORA DO QUILO
Um passarinho que esteve na feira internacional de Anuga contou que 2020 promete... Muitos contratos fechados para envio do bovino brasileiro para além-mar... Rumo aos R$185!

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Recomendo fortemente o livro “Por que as pessoas não fazem o que deveriam fazer?” de Christiam Barbosa, um dos maiores especialistas em gestão do tempo e produtividade. Foi desse livro que saiu a inspiração para o tema central deste episódio... Boa leitura!

6)    O LADO “B” DO BOI
Pense: a todo momento você está em busca de resultado, seja lá qual ele for... Pode ser um carro, uma promoção, uma casa, um cliente novo, uma recorde de vendas, uma desmama mais pesada; uma carne mais macia, um GMD recorde para a safra de recria, um relacionamento mais estável, etc, etc... Saímos desenfreadamente em busca do objetivo almejado. Mas será que não estamos deixando nada importante para trás? Será que as coisa que ficaram não farão falta e quem sabe, jamais poderão ser recuperadas? Pois é... Será que não estamos correndo, ao invés de estarmos andando?

Para deixar a coisa mais palpável, imagine agora uma matriz entre estas, que são as duas únicas variáveis da vida: resultado e equilíbrio... Pegue uma folha de
papel e desenhe um retângulo. Agora, divida este retângulo em quatro partes iguais, dividindo-o ao meio, no sentido horizontal e vertical. Funciona assim: quanto mais alto no sentido vertical, maior é o equilíbrio e quanto mais à direita, no sentido horizontal dos quatro quadrantes, maior é o resultado.

Agora numere os quatro quadrantes da seguinte forma: o quadrante superior esquerdo, receberá o número “1”; o inferior esquerdo, receberá o número “2”; o inferior direito receberá o número “3”; o superior direito receberá o número “4”. Pronto! Você acabou de construir uma matriz entre equilíbrio e resultado.

Com a ferramenta acima, pode-se delimitar perfis de atuação de pessoas e de empresas, fazendas, etc. Basicamente, quem está no quadrante 1 tem alto equilíbrio e baixo resultado; o perfil do quadrante 2, denota baixo equilíbrio e baixo resultado; o 3 significa os que possuem alto resultado e baixo equilíbrio; por fim, o quadrante quatro se refere às pessoas ou empresas que tem alto resultado e alto equilíbrio... Qual deles reflete você? E sua fazenda? Para facilitar, vou descrever um pouquinho mais cada perfil:

•    Perfil 1 (alto equilíbrio e baixo resultado): é a chamada “Fazenda D20”, pois a última coisa palpável e de alto resultado colhido foi a compra da primeira D20 à óleo da região, lá os idos do início da década de 80. De lá para cá, a camionete é a mesma, depreciando pouco a pouco, ano após ano, tal como as casas, as cercas, os currais, as máquinas, os pastos, os cochos da fazenda, etc. Sim, a turma anda folgada feito “amendoim na boca de banguela”, pois organizar fazenda é “só para gente rica”, como se acredita por lá. Resultado financeiro e produtivo mesmo, nada... Ah, a única disrupção que ocorreu foi a transformação da D20 em “gaizeira pois o petróleo encareceu demais”. Tem-se na essência, a pecuária da precisão, pois precisa-se de tudo nestes sistemas de produção. De toda a forma, nesta fazenda os custos são baixos e há certa resiliência, ou mesmo conformidade com a situação. Em geral, há tempo para se pescar, mesmo numa quarta;

•    Perfil 2 (baixo equilíbrio e baixo resultado): é a chamada “Fazenda Vish”, pois ali, tudo é confuso, mas tão confuso a ponto de impedir o equilíbrio, tão pouco, permitir o mínimo de resultado. Não há conformidade com a situação, como no caso anterior, mas ninguém consegue eficácia para sair do lugar. Quem passa, vê os produtos, processos e pessoas em total desordem que logo comenta: “vish”. Deu para entender?;

•    Perfil 3 (baixo equilíbrio e alto resultado): é a famosa “Fazenda Nossa Senhora”. Aqui as coisas ainda acontecem em termos de entrega final, que é até bem razoável, ou até mesmo boa. Mas tudo é muito custoso e atropelado. Em geral, a fazenda não tem nenhuma (ou muito pouca) organização hierárquica, sendo que a mola propulsora na maioria das vezes, é a força bruta ao invés da liderança. As relações pessoais são desgastadas. O comando costuma ser centralizado e mantido sobre rigorosa energia. No final das tarefas, principalmente no curral, é comum ouvir: “terminou, Nossa Senhora, ainda bem”. Tudo se resolve aos 45 min do segundo tempo, e muito suado;

•    Perfil 4 (alto equilíbrio e alto resultado): imagine aquela propriedade em que já se superou a fase da sobrevivência, pois já se produz resultado financeiro sustentável. O sucesso já foi saboreado, externado por boas colocações nos benchmarks. Hoje, o sistema de produção está direcionado para o que faz sentido aos donos, tendo sido feitas escolhas nos últimos anos, inclusive algumas renúncias dolorosas. Só o que tem significado continua, pois o sucesso se tornou palpável, viabilizando o sossego. Muito comumente, um alavancado plano sucessório encontra-se em curso. A próxima geração estuda mudar o nome da fazenda para “Recanto do Sossego”. Nada mais salutar.

Fez esta viagem conosco? Identificou os quatro perfis em propriedades que você conhece? E você, qual o seu atual quadrante?

Agora vem o mais importante: estes perfis são mutáveis. Ao sabor das suas decisões e atitudes, você pode mudar dos quadrantes 1, 2 ou 3 em direção ao número 4. Basta tentar após se autodiagnosticar. Sim, é arriscado! Mas “não há nada mais arriscado do que a mesmice” (Mario S. Cortella). Até a próxima semana!

Fotos em destaque: a chuva, de volta no Goiás!

Artigos Relacionados

B.L. dando B.O. (Front)
  • 11 de Setembro de 2021

Comentários ( 0)

Escreva um comentário