Rendimento de carcaça e de polêmica (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 15 de Junho de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,

Havia um rúmen no meio do caminho. No meio do caminho, havia um rúmen... Será que nossos netos ainda falarão do tal rendimento de carcaça?!?!

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

A água ainda está turva no pós-greve mas a indústria já abate com “motor cheio”. Animais represados, principalmente de semi e do final da oferta de vacas, estão sendo abatidos (final de safra se estendeu). Após este respiro final, haverá provável dificuldade de originação, porque o primeiro giro do confinamento foi desidratado (contabilização informal nossa em GO, aponta 61% de ociosidade média). Os pastos estão com o “modo seca na posição on”, clima de entressafra no ar. Finalmente o milho aliviou e o pecuarista vai definindo o volume confinado.

Demais elos buscando equilíbrio, com todas as proteínas concorrentes ainda em elevação de preços, contagiando o atacado bovino sem osso, fato que mantém a margem da desossa em nível excelente. O varejo não consegue repassar esta alta, e perde margem. De outra sorte, o atacado bovino com osso (que tem maior proximidade com a arroba), perde fôlego, não sustentando as cotações infladas do pico da confusão da greve.

As escalas estão sem tendência definida, seguindo movimentos regionais, mas tendem ao encurtamento. A média da arroba no País apresentou tímida variação positiva (R$ 0,37), retornando ao patamar de R$ 132,02/@ a prazo/livre (dados Scot/IBGE, adaptados).  Cremos numa estabilidade com viés positivo iminente (indústria luta para retardar a alta) e num afastamento definitivo de uma baixa contundente no pós greve, como tínhamos previsto.

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”

“Quase R$ 11 de ágio na BMF entre o mês presente (junho) e outubro (entressafra) não vai durar muito tempo. Portanto: o outubro cede ou a arroba dá um salto no físico. Estou mais para a segunda alternativa, porém o salto virá de uma mola curta. A batalha contra o tempo iniciou”.

3)    BEEFRADAR (ainda buscando o “chão”, mas reduzindo chance de “desmantelo”)
25% queda | 45% estabilidade |30% alta

4)    HORA DO QUILO

A obra prima da literatura pecuária, o livro “Entendendo o Conceito – Boi 777”, dos mestres Flavio Resende, Gustavo Rezende e Ivanna Oliveira, está disponível em uma loja virtual. Todo pecuarista deveria ler esta “bíblia”. Segue o link para compras: https://livroboi777.lojavirtualnuvem.com.br . Outra oportunidade de ouro para conviver com estes mestres, lá no berço do boi 777, será o BeefDAY 2018. Informações: http://www.beefday.com.br

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Falando em material da “prateleira de cima”, vai mais um, produzido pelo meu sócio, Thiago Parente da Rancho, empresa que desenvolve o BeefStats e o iRancho. Trata-se do livro digital (e-book) que aborda a gestão de risco na pecuária, a “praia” do Front. Nele você verá alguns conceitos, lições, um caso de sucesso e uma ferramenta que pode te ajudar neste assunto (BeefStats). Para baixar o e-book basta se cadastrar no link abaixo: http://eepurl.com/dx5b2L

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA

Tem coisa que parece ter sido deixada no mundo pelo “coisa ruim”. O câmbio, p.ex., só serve para afundar os economistas; o diferencial de base para turvar a visão dos analistas da arroba e o rendimento de carcaça (RC) para “azedar o pé do frango” da relação pecuarista/indústria frigorífica.

Ele nunca sai de moda. E não é para menos! As etapas de toalete e de mensuração do peso da carcaça são feitas por parte “interessada”. Reconheço a fonte da polêmica! Soma-se a não existência de várias balanças ao longo da noria, a falta de padrão nacional de toalete e a falta de padronização/tipificação de carcaça... pronto! A “confusão está armada”. Mas, tem um ponto fundamental, que está na mão do pecuarista: o entendimento do assunto! Para tanto, sugiro os capítulos 13, 14 e 15 do livro “boi 777”. Este Front, é apenas um “esquenta”. No livro você vai entender como se calculam a maioria dos índices que abordamos. Em tempo, todos eles são calculados pelo BeefStats ( http://www.beefstats.com.br ).

Eu senti na pele a questão... Estes dias, brotou no zap da Fazenda: “Rodrigo, você podia ligar no frigorífico para reclamar do abate de ontem. Rendeu 52.28%, coisa de gado de suplemento mineral. Este vinha no energético 0.5% PV”! Como resposta, perguntei: “vocês já calcularam o ganho médio diário de carcaça da boiada”?

A resposta foi negativa. Poucos minutos depois as referências de 2017, oriundas de gado semelhante e que tinha obtido RC “bom”, apontaram ganho médio diário de carcaça (GDC) entre início das águas e o abate de: 0,575, 0,591, 0,554 e 0,524 kg/cab/dia... Em seguida, o cálculo do GDC do lote onde supostamente havia ocorrido um desvio no dia anterior, apontou número de GDC de 0,548 kg, com rendimento de ganho (RG) semelhante aos de 2017.

Em resumo, considerando o peso da vacina de novembro/17 e o abate no final de maio/18 (aproximadamente 7 meses), os animais ganharam, o total de 7.64@/cab, ou cerca de 1,11 @/cab/mês, à pasto. Este ganho de carcaça está totalmente condizente com o protocolo nutricional, que foi: suplemento mineral aditivado (cons. 0.03% peso vivo) entre nov/17 e o início de mar/18, seguido de suplemento energético (cons. 0.5% peso vivo) até o abate. Para este protocolo, nosso nutricionista considera um GDC esperado de 0,500 a 0,550 kg/cab/dia. Estas contas foram possíveis porque existe controle de peso individual, nos permitindo uma análise mais detalhada e evitando atrito comercial desnecessário.

Tenho visto relatos frequentes de alto ganho médio de peso vivo diário associado a baixo rendimento de carcaça. Em geral, vemos uma quebra de peso entre a fazenda e o balanção de entrada do frigorífico muito grande também. O peso do balanção de chegada na indústria é fundamental para identificar algum desvio de pesagem e, portanto, deveria ser monitorado.

Porque não é o melhor caminho pensar apenas em rendimento de carcaça para monitorar a “lisura” de um abate (deixando o GDC e o RG de lado)? Porque uns lotes rendem e outros não, mesmo com o assessor de abate dizendo que está tudo normal?

Em primeiro lugar, a manutenção da maioria das balanças de fazenda que eu conheço é medíocre. Só se chama um técnico para “consertar” a balança, mas raramente para fazer manutenção preventiva e aferição (óbvio que existem exceções).

Em segundo lugar, o padrão de toalete pode variar também, não se pode negar. Mas, para tanto, não é incomum haver um assessor acompanhando o abate (recomendo este serviço não por desconfiança, mas para evitar justamente que ela ocorra, visto que infelizmente, o pecuarista em geral está ausente deste momento crucial da venda).

Em terceiro lugar, como está claro no livro, quando pesamos um animal, coletamos um peso que é o somatório de 3 componentes: carcaça (48 a 60%, carne+gordura+ossos), componentes não-carcaça (32 a 36%, couro+cabeça+patas+rabo+vísceras, etc) e conteúdo do trato digestivo (4 a 12%, alimento consumido). Portanto, um boi de 550kg ao abate, pode ter até 66kg de conteúdo no seu trato. E o pior: esta proporcionalidade não é fixa e é influenciada por “n” fatores, que incluem a hora da pesagem, o suplemento consumido, a relação folha/haste do pasto, o nível de acabamento da carcaça, a idade dos animais, a raça, etc, etc, etc, etc...

Em suma, pode ocorrer um “monte de trem” (como diz o goiano), além da "faca pesar". Não estou dizendo que não “pesa”, isto pode ocorrer. Mas para tanto, você pode ir ao abate, além de selecionar melhor seu CLIENTE (frigorífico). O resumo é: sem controle individual (brinco e software de gestão), sem meta de ganho médio diário de carcaça e de rendimento do ganho (ajustada à raça e ao protocolo de suplementação), sem monitorar o peso do balanção da indústria, sem fazer manutenção preventiva do equipamento mais importante da fazenda (balança), sem conhecer a fundo a fisiologia do bovino (livro 777) e pensando somente em rendimento de carcaça, teremos um voo cego que não raro, leva a um desastre: uma relação comercial conflituosa com seu o CLIENTE. Não desejo isto para você!

Alguém aí vai dizer: “o rendimento tem caído ano após ano, e a nutrição tem melhorado”! Eu posso afirmar que muita coisa tem mudado nos últimos anos e que sim, já tive problema com RC! Mas digo que estou satisfeito com os abates de 2012 para cá, justamente depois de implementar o que está acima.

Espero apenas ter contribuído, sem querer ser o dono da verdade e muito menos ter esgotado o tema, que rende pouca carcaça e muita polêmica, em geral. Apenas quero trazer uma visão diferente, lhe convidando à reflexão!

Até a próxima semana!

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