R$ 475 mil a mais em 2.331 bois. Isto lhe interessa? (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 25 de Janneiro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

O megainvestidor Soros diz: “ganha o jogo quem presta atenção no campo e não no placar”. Porém, este é um ótimo momento para se checar alguns números da gestão (produtiva e comercial) empregada no ano recém-encerrado.

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

Aos poucos, o mercado vai encontrando o “trieiro” de 2019 para deixar de “trupicar na cumpinzada”. Não há um movimento único de preços no Brasil, mas a tendência de estabilidade para o curto prazo parece aumentar seus domínios. Impressiona a fortíssima recuperação da arroba no RS, sem paralelo. O extremo norte (parte MT, AC e RO) tem ajuste positivo, contrastando com as praças de BH, sul MG, PR, TO, RJ, que cedem. Na média Brasil (dados Scot/IBGE, adaptados) ficamos lateralizados, com flerte para um leve viés positivo: +R$ 0,22/@, atingindo R$ 142,84/@ a prazo e livre de Funrural.

A ressaca da venda do atacado se confirma em janeiro, mas sem muito motivo para “drama” por parte da indústria, fato que foi dissecado no artigo premium da última sexta: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/carcaca-casada-perde-valor-no-inicio-de-2019-este-filme-e-novo/ . No supermercado, fica nítida a dificuldade de escoamento dos cortes de traseiro, não raro em promoção. A virada de mês vem a calhar, renovando o poder aquisitivo da população.

Reforço a informação da semana passada: não há muita andorinha (boiada gorda) para fazer verão (pressão), desta sorte o (esperado) retorno das chuvas regulares terá um peso importante no dimensionamento da oferta de curto prazo (a chuva parou e o calor triplicou).

O varejo fez a sua margem decolar, driblando toda a cadeia do final do ano para cá. No melhor estilo mineiro também estão os diferenciais de base, abrindo fortemente. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“Este veranico (extenso e muito quente), está servindo para apartar quem trata pasto como lavoura, dos que apenas sugam deste recurso. O segundo grupo sofre muito mais”.

3)    BEEFRADAR (confirmando a estabilidade e reduzindo a chance de queda)
30% queda | 40% estabilidade | 30% alta

4)    HORA DO QUILO
“As pessoas que resolviam as coisas, em geral, tinham muita persistência e um pouco de sorte. Se a gente persistisse bastante, a sorte normalmente chegava. Mas a maioria das pessoas não podia esperar a sorte; por isso, desistia” (Charles Bukowski)

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Conversei com um amigo, o Victor Brum do Tocantins e que lida no mundo dos seguros. Algo dito por ele me chamou muito a atenção: “Existem perdas que não perturbam a empresa. Outras que perturbam o caixa. Algumas que destroem execuções de projetos. Mas algumas quebram a empresa. Ninguém consegue proteger  patrimônio somente com gestão, precisa proteção palpável. Sejam acionistas, sejam pessoas da família proprietária da fazenda, todos querem saber do risco e da mitigação. Mas mitigação não é um plano, mitigação é fazer um  seguro bem feito. Quem menos pode perder são os produtores menores”. Definitivamente, seguros não são conhecidos no nosso meio. Devo fazer um podcast sobre o assunto em breve!

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
Muitos que já assistiram minhas palestras, sabem que resumo a gestão de risco comercial como sendo o tripé: gestão produtiva/financeira, estudo das tendências de mercado e uso das ferramentas de venda. De fato, esta tríade é tema de muitos episódios do Front. Neste, vou compartilhar como avaliamos uma parte de nossa política de gestão, abrindo alguns números consolidados de 2018 do sistema produtivo da família. Segue:

1.    Período avaliado: 01.01.2018 a 31.12.2018;
2.    Total de animais abatidos/vendidos: 2.331 bois (entre garrotes magros, bois gordos de pasto e confinamento);
3.    Quantidade de arrobas vendidas/cabeça: 19,[email protected]/cab;
4.    Número de vendas do período: 19 (vendemos o ano todo para diluir risco comercial e conduzir uma política de fluxo de caixa eficiente);
5.    Cabeças/venda: 123 animais;
6.    Peso vivo médio no ato da comercialização: 546,985kg;
7.    Rendimento médio de carcaça dos animais abatidos: 54.07%;
8.    Data média (ponderada) do abate: 24/08/18 (no caso, as 19 datas de abate são ponderadas pelo total de @ comercializadas em cada venda, traduzindo-as em uma data única, que seria a data média de venda do ano. Isto serve para se saber em qual momento a comercialização está centrada. O excel faz o cálculo facilmente);
9.    Prazo médio de recebimento: 2 dias úteis (só vendemos com prazo baixo, via de regra);
10.    Valor do Funrural: R$ 100.704,66;
11.    Valor das demais despesas de venda: R$ 38.307,79;
12.    Referência média (ponderada) do valor de mercado da @ no dia do embarque (praça de Goiânia, a vista): R$ 131,45 (explicação: se comercializássemos as mesmas quantidades de arrobas pelo valor de referência de mercado usado por nós, este seria o preço médio. A referência somos nós mesmo, o Notícias do Front para Goiânia);
13.    Preço médio efetivamente recebido, ponderado pela quantidade de arrobas de cada venda, a vista, livre, COM todos prêmios (SISBOV e outros) e COM resultado líquido da bolsa incluso: R$ 141,79 (explicação: conseguimos R$ 10,34/@ de bônus, capturados no mercado);
14.    Adicional de preço sobre a referência, que é proveniente do uso das ferramentas de venda: R$ 6,23/@ (explicação: dos R$ 10,34/@ adicionais capturados, o total de R$ 6,23 vieram como resultado líquido das ferramentas de venda usadas, no caso: termo, mercado futuro e opções. Isto traduz a entrega final da gestão comercial);


15.    Adicional de preço sobre a referência, que é proveniente das certificações: R$ 4,10/@ (explicação: dos R$ 10,34/@ adicionais capturados, R$ 4,10 vieram como resultado do bônus obtido pelas certificações, no caso, SISBOV europa com R$ 3,08/@, Hilton com R$ 0,85/@ e Angus com R$ 0,17/@. Evidente que nem todos animais contemplaram todas as certificações, daí vem a explicação do bônus médio variar. Em tempo, as certificações provém de gestão produtiva, uma parte do tripé da gestão de risco comercial);
16.    Total adicional capturado: R$ 475 mil, aproximadamente, nas [email protected] comercializadas.

Muito número! Sim, mas é deles que vêm as decisões e as avaliações das ações conduzidas ao longo do ano. A apuração do resultado é o último passo de uma boa política de gestão de risco comercial. É fundamental fazê-la!

Quer um exemplo de para quê serve esta consolidação de resultados? Veja: o SISBOV é “chato” de ser conduzido? Sim! Mas, te interessa obter praticamente R$ 4/@ de faturamento a mais (ou R$ 80,00 a cada boi de [email protected])? Se um bom plano pecuário é tido como o que entrega um lucro de R$ 300/boi, a presença da certificação pode adicionar entre 20 a 25% a mais de lucro no ato da venda (há que se descontar os custos da certificação, mas o retorno em nosso caso, tem sido de R$ 7,50 para cada R$ 1,00 investido, o que dá com folga 20% adicionais de lucro). Isto lhe interessa?

Sem números, somos apenas pessoas com opiniões! Os números que representam seu sistema produtivo são os que interessam às suas decisões. Os nossos, aí em cima, devem ser encarados apenas como um mero “empurrão”, nada mais! Até a próxima semana!

Fotos da semana:
fotos do sistema de produção de Itapirapuã/GO, local onde fica a fazenda de nossa família (há postagens especiais no nosso Instagram @noticias_do_front).

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Comentários ( 2)

  • - Josimar de Souza Santos.

    Bom dia Rodrigo. Parabéns pelo resultado anual da fazenda. Este rendimento de carcaça de 54% é obtido como? Pernoite de 12 horas no mangueiro, 2 a 3 horas de mangueiro no dia e antes do embarque, ou pesado cedo na hora do embarque sem espera e embarque imediato?

  • - Rodrigo Albuquerque

    Obrigado pelas palavras, Josimar! O RC de 54% é a média ponderada de todos os abates do ano. Ele contempla animais abatidos via terminação em pasto (comendo suplemento energético de consumo de 0.5% do PV) e via terminação em confinamento tradicional. Em ambos os casos, eles são alimentados normalmente no dia anterior do embarque. No dia do embarque, são levados para o curral entre 06:30 e 07:30h da manhã e são pesados, sem receber alimentação ou sem pastar, mas com acesso à água. Este é o manejo. Abs!

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