Qual a velocidade máxima do bovino em 2019: R$ 160 ou R$ 170? (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 1 de Fevereiro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Ainda na missão (impossível) de saciar a sua sede de dominar o futuro dos preços pecuários... Este é o Front no melhor estilo “pé na peia”. Sigamos!
1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Nada de novo no cenário de fundo: janeiro foi típico! O mercado interno travou, ressacado, atingindo todos, do boi ao ovo. Tivemos pressão para alívio de pastos, com “descasque” de lotes, em função do veranicão (escala feita por lotes pequenos). A carne sangrou forte no atacado, notadamente no sem osso e no traseiro. Mas com a volta as aulas, os primeiros sinais positivos aparecem (dianteiro e no com osso), sinalizando que encontramos o fundo do poço. O varejo comprou mais barato, mas como de praxe, não repassou de imediato, vendo a sua margem decolar e não colaborando para o escoamento da produção da cadeia. A exportação não está mal, mas a choradeira abunda em função do novo patamar do dólar (abaixo de 3.70).


Apesar da sazonalidade ruim para os frigoríficos, de um início de mês mais frouxo, aos poucos, fomos migrando para uma estabilidade real. Terminamos o primeiro mês com preços firmes porque o telefone das indústrias está igual cantor que abre show: toca pouco. Lotes maiores tem personnalité frequente. Há praças com falta de bovinos, pulos de abates, etc. 

No início de mês, são esperados o retorno da constância das chuvas (o que aumentaria do poder do pecuarista em refutar pressão), além do “destravamento” da carne. Caso isto ocorra, o bovino poderá emendar uma pernada de recuperação (a cama para a recuperação esta feita, mas a carne tem que permitir). A indústria fará de tudo para que esta pernada seja manca (tirará o pé do abate? Férias?). Sim, ela está certa em preservar margem. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“O baralho da dinâmica de oferta de gado magro e gordo foi embaralhado pelo veranico. Ninguém sabe a nova ordem das cartadas de oferta, mas sabe-se que será alterada. Quem sabe uma antecipação de oferta não produzirá um final de safra menos pressionado? Nada é 100% ruim! Por falar em baralho bagunçado, lembrei do milho... O plantio será numa janela ótima, mas será que teremos o zap da chuva debaixo da manga. Só no truco”!

3)    BEEFRADAR (equilíbrio entre estabilidade e alta, com forte redução de queda)
20% queda | 40% estabilidade | 40% alta

4)    HORA DO QUILO
Novidades no site: na seção Mercado Minuto, a nova série "Imperdíveis do ZAP"! É uma coletânea do quê circulou de mais interessante (e com intensidade) nos quase 50 grupos de pecuária que o Front participa. Já tem cinco postagens incluindo o sempre polêmico rendimento de carcaça, o fantástico Evaristo de Miranda, etc... O link é: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/mercado-minuto/

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Trocadilho a parte, um parto no Front: o podcast "Na lida da Cria"! É uma parceria com a Cria Fértil, do Ricardo Passos, de Goiânia... Uma nova (e permanente) série de podcasts com foco exclusivo na cria! Afinal de contas, "o bezerro caro é o bezerro barato; e o bezerro barato é o bezerro caro"! Link: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/podcast/

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
Há alguns dias publiquei a curva de preços da BMF. Foi no front que está no link: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/uma-possivel-curva-de-precos-para-a-arroba-ao-longo-de-2019-blog-front/ . Há alguma chance desta curva de fato ocorrer? Sim, mas acho que a chance não é grande... Naquela oportunidade destaquei que a BMF exprimia “algo como 6.5% de alta nominal frente a 2018 (oscilando de 6.3% até 6.5%)” e que havia “um piso forte de R$ 150/@”, bem como “um teto de R$ 160/@”.

Na vida real e presente (sem os devaneios do futuro), as fazendas com gestão bem conduzida devem ter finalizado o orçamento/fluxo de caixa do ano. Fundamental portanto, a perspectiva de quantas arrobas, bezerros, bezerras serão vendidas(os) e o preço estimado de venda. Aí vem a fatídica questão: quais preços? O atual, afinal de contas, ninguém sabe nada? O preço da BMF, a “tia sabichona” do mercado que tem (na maioria das vezes) uma bola de cristal furada para antecedência superior a 30 dias? Coloco os preços do ano passado? Isto também lhe deixa aflito?

O que decidi fazer? Criei uma metodologia para estimar três possíveis curvas de preços para o ano corrente: vermelha, amarela e verde (obs.: as cores do farol de trânsito, dizem por si). Para tanto, conto com a ajuda de amigos (para não cometer injustiças, não vou citar nomes). Este estudo não tem a menor pretensão de adivinhar o mercado. A única certeza que carrego é a crença de que “ter um plano, seguindo-o quando possível e adaptando-o quando necessário” (Maurício Palma), é muito melhor do que não ter plano nenhum.

Este mesmo estudo serve de base para as palestras a serem ministradas durante o ano. Não tenho como detalhá-lo aqui, o que só consigo fazer numa apresentação com ajuda de slydes e um tempo razoável... Mas (“merchans” a parte), resumidamente, digo que analiso 12 indicadores de oferta e demanda da cadeia bovina e que divido os últimos 12 anos em três apartes (em termos de evolução de preço ao longo do ano): os três “anos fundo” ou vermelhos (2009, 2012 e 2017), os seis “anos do meio” ou amarelos (2010, 2011, 2013, 2015, 2016, 2018) e os três “anos cabeceira” ou verdes (2007, 2008 e 2014). No final, saem as três curvas prováveis de preço, absorvendo dados do passado recente e perspectivas para o ano que se inicia.

Em 07/02/18, apresentei este estudo na FAEG, num evento com o Ricardo Amorim. A conclusão apontava 2018 como um ano “amarelo” (do meio) e com um alta nominal sobre 2017 de 6.5% aproximadamente. Tivemos mesmo um ano amarelo (meio sem graça, tal como “dançar com irmã”), que teve alta nominal de 4.5% (para GO, deu na veia, os 6.5% previstos). E 2019?

Sem ter como entrar em detalhes, lhe digo que o estudo aponta 2019 como um ano amarelo, mas com cinco boas notícias: 1 - a maior probabilidade é de termos uma recuperação do preço médio da arroba sobre 2018 (YoY) entre 4.4% (curva vermelha) e 8.8% (curva amarela), ou seja, acima da inflação (a BMF tem se posicionado na mediana de nossas estimativas); 2 – Temos uma perspectiva bem positiva para a demanda externa e também para a interna (ainda que a última seja em menor grau). Como a demanda, em nossa visão, tem sido mais consistente que a oferta para determinar o destino da arroba, se houver alguma surpresa no ano, ela tende a ser para cima (e não para baixo como em 2018); 3 – quando digo “surpresa positiva”, seria a curva de preços se aproximar (ou até superar) uma recuperação na banda superior do intervalo citado no item um (curva amarela). Neste caso, o potencial de pico da entressafra iria para R$ 170/@. Ao contrário, se a curva tender para a banda inferior do intervalo citado (curva vermelha), o potencial de pico de preços da entressafra fica ao redor dos R$ 160 (perto de onde está a BMF). Portanto a entressafra pode “caminhar mais para cima”, quem sabe em algum lugar entre os R$ 160/@ e os R$ 170,00/@; 4 – o mesmo raciocínio para o piso da safra, indica R$ 150 ou R$ R$ 143,50, respectivamente para o ano de 2019 assumir a parte superior ou inferior do intervalo esperado de recuperação de preços; 5 – ainda que pouquíssimo provável, existe potencial explosivo para a arroba em 2019: caso o ano espelhe sua curva semelhante ao melhor “ano amarelo” do passado recente (2010), não seria novidade a arroba ultrapassar os R$ 230 no pico da entressafra (alta de 21.3% - curva verde). Calma! Isto é completamente distante de hoje porque em 2010, apesar da exportação ter ido mal, nosso PIB cresceu +7.6% (recorde). Portanto, isto é um “sonho”, possível pelo passado, mas totalmente distante de nossa realidade (para não dizer impossível, palavra que não gosto de usar). Porém, faço questão de observar este potencial pois como estamos achatados em termos de preço desde 2015, nos esquecemos do que a arroba já ousou fazer no nosso trieiro. Obs.: todos preços citados são de São Paulo, a vista e livre.

Por fim: não tenho o dom (nem desejo e nem a capacidade) de adivinhar o mercado, mas tenho o dever de ter planejamento e de compartilhá-lo com os assinantes. Fique à vontade para fazer o seu, comparar o meu com outros analistas. Entenda o que está acima como as tendências de mercado mais prováveis sob nossa ótica! Devem ser consideradas com total moderação, portanto. É o mais puro pé na peia...

O que deve ser usado sem moderação é a busca pela margem que você determinou para cada agrupamento de vendas e a busca por proteção e mitigação de riscos, caso o futuro se revele totalmente diferente do cenário apresentado. Não quero ter razão. Quero apenas fazer dinheiro com a pecuária. Até a próxima semana!

Fotos da semana:
as fotos maravilhosas do gado preto são de Gabriel Junqueira, companheiro de batalha da pecuária bovina, lá para as bandas do MS. Além de excelente técnico, é um exímio fotógrafo. A foto do quarto onde a Barbie está “muntada” e onde há mais cavalos do que bonecas, é de uma genuína AgroKids, minha filha (detalhes no Instagram @noticias_do_front).

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