PUT, o sonífero do pecuarista (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 24 de Setembro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

“Quando ocorrer a liberação da produção/certificação de carne para a China, não estaremos diante do final dessa questão, mas sim, diante do seu desenrolar”. Essa frase do último MiniFront se torna cada vez mais verdadeira a cada dia que passa, sem a solução desse desafio de comércio internacional. Vamos fazer um consolidado do que me parece fazer sentido hoje, naquele formato de listinha... Bora?

1.    Ninguém tem certeza de nada, com relação à solução desse caso, ninguém mesmo;

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2.    O tal protocolo Brasil/China de carne bovina firmado há alguns anos tem um ponto fraco, externado pela situação que a nossa pecuária vive atualmente. O caso de EEB atípica de 2021 não será o último assim como o de 2019 também não foi. Uma sintomatologia de ocorrência natural (devido a idade avançada), um verdadeiro achado de abate que não muda o status sanitário do Brasil, jamais deveria levar à interrupção de comércio que estamos observando. O MAPA tem que rever isso;

3.    Interessante notar que os importadores chineses também estão perdidos, sem informação como todos nós e, inclusive, desejando o retorno aos negócios para que a carne chegue em tempo do ano novo chinês. Como isso é incerto, alguns exportadores e alguns importadores estão assumindo o risco e embarcando grandes volumes de carne certificada antes de 04/set, sobre os quais não há total certeza de como será o seu desenrolar no destino. Por isso vimos nas primeiras semanas de setembro excelentes volumes embarcados, recordes. Isso tem um lado positivo: resolve um pepino gigante de estoque de carne no Brasil, pois drena mercadoria para fora. Mas, por outro lado, impede que a China sinta falta da carne do Brasil (isso, de fato, ainda nem começou a ocorrer);

4.    O represamento de abates de bois China, que já dura 24 dias, está no limite zootécnico, de insumos e financeiro para muitos pecuaristas, que ainda relutam a vender pelos preços mais baixos vigentes. Isso tende a se tornar crítico. Entendo que haverá um aumento de oferta nos próximos dias, independente do retorno da China. Inclusive penso que a notícia de retorno, irá potencializar esse “boom” de oferta, o que me faz ponderar se o retorno às exportações será suficiente para fazer o preço do físico melhorar. A ver...

5.    Os frigoríficos do Brasil, mesmo os exportadores, precisam “rodar” (bicicleta parada, cai). Para tanto, estão abatendo visando outros mercados importadores e sobretudo o nosso mercado interno. Uma preocupação que tenho é no caso de haver aumento de oferta de carne no reduzido mercado doméstico. Caso isso ocorra, os preços cederão internamente. É um efeito colateral que preocupa;


6.    Por fim, escutei de chineses e de brasileiros: se o governo do Brasil não intervir junto ao governo chinês de maneira clara para a solução dessa questão, as coisas tendem a ser morosas. Já ficou para trás a questão técnica e a questão negocial diplomática. A questão parece estar muito mais centrada nos interesses que ambos os governos têm com essa questão, os quais podem abranger espaço que vai muito além da carne bovina, como outros produtos agrícolas e outros setores (5G, por exemplo);

7.    Os próximos dias serão decisivos, porque há um extenso feriado chinês, que vai de 01 até 07/out (Feriado Nacional da China) e nesses dias, naturalmente, as decisões governamentais são mais morosas. Caso a solução não se dê antes do feriado, muito do que foi dito aqui se agrava drasticamente.

No dia 12/ago, eu enviei para os assinantes do Notícias do Front Premium: “pensa num ano desafiador para se determinar o futuro dos preços! Há “munição” para os que querem ficar otimistas e para os que querem ficar preocupados. Eu apenas quero ficar protegido e para tanto, investi o equivalente a 0.78% do faturamento da boiada do segundo semestre, em troca de ter a cabeça mais fria. Não há almoço de graça. Eu pago e durmo tranquilo” (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/o-retorno-triunfal-das-puts/). As últimas palavras nunca fizeram tanto sentido!

Esqueça o erro, jamais a lição!

Grato, Rodrigo Albuquerque

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