Primeiro tem que esbarrar, para depois vir de ré (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 3 de Dezembro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Foi só amanhecer 01/dez que o violino parou de tocar e as bombas começaram a estourar? Calma... Nada muito diferente do que estava anunciado e foi repetido para você aqui nas duas últimas semanas. Ou você não se lembra das duas frases a seguir: “1. O boi não achou o novo ponto de equilíbrio, ele pode ir mais acima um ‘cadinho’, mas o limite não aparenta estar muito distante; 2. Bom momento para realizar vendas no físico, aos poucos, procurando fazer média para cima, afinal de contas, não se esqueça que é sempre melhor vender ao som de violinos e comprar ao som de bombas”? Vamos listar os fatos que justificam a mudança do som do mercado? Segue:

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1.    A relação carne/@ caiu fortemente ao longo de novembro, derrubando as margens do abate de mercado interno para níveis “normais”, digamos assim. Explico: em 27/out, o equivalente físico estava 11.23% acima do preço da arroba, ou seja, a venda da carne no mercado interno apurava R$ 286,00/@ e ela era adquirida por apenas R$ 256,00 pelos frigoríficos. Isso está em linha com os maiores valores de margem de abate para do nosso passado recente. Com a recuperação estratosférica do boi ao longo de novembro, isso caiu para parâmetros normais, ou seja, a carne rende ao frigorífico cerca de 5% a menos do que o valor da arroba paga. A consequência é pé no freio da alta;

2.    A arroba em dólar saiu de cerca de US$ 45 no final de outubro e retornou para US$ 57 no final de novembro, muito perto do possível ponto de equilíbrio para a arroba brasileira, talvez entre US$ 55 a 60. De novo: a consequência é pé no freio da alta;

3.    Com os valores de R$ 325 a 330,00/@, as escalas andaram, ainda que de maneira heterogênea. Isso deixou a indústria menos afoita e... a consequência é pé no freio da alta;


4.    A carne que vai abastecer as gôndolas do varejo nas festas de final de ano já está comprada, seja porque está nas câmaras frias, ou porque as escalas se completaram até início da segunda quinzena em SP (a Radar Investimentos cita inclusive que há “uma minoria de frigoríficos mais confortável do que isso”). Os números de abate e de faturamento do ano estão encaminhados para o bônus das equipes comerciais das indústrias (o clima está meio que se encaminhando para o de “final de festa”). Sem querer ser repetitivo, mas já sendo: a consequência é pé no freio da alta.
Juntando os quatro pontos acima, concluo: primeiro o cavalo de rédeas esbarra, para depois dar ré! No boi é a mesma coisa (em set/out, nem esbarrou e já “derrissou” para trás, estourando a boca do cavalo da arroba, mas isso é incomum e só ocorreu em função do “China off”).

Portanto, sim, o mercado esbarrou a alta da arroba! O bovino achou um teto e agora passa a olhar para baixo buscando um novo parâmetro de equilíbrio de mercado. Isso está muito claro na B3, mas não ainda no físico (o Indicador de sexta foi totalmente errado). Tivemos o recorde nominal da história da arroba por duas vezes nessa semana, e apesar disso a bolsa cedeu forte desde quarta-feira.

Acomodação sim, mas uma derretida violenta não é o cenário base no nosso entendimento, porque a oferta não é abundante (estamos na transição confinamento/pasto) e o custo de produção está altíssimo, dentre outros. Como diria o mineirinho “mei dia”, detalhe pequeno: se tivermos um “China on”, aí, podemos é ter uma reversão, principalmente na B3, nos próximos pregões (há muita especulação disso novamente). A ver... A água está mexida. Deixa clarear um pouco e deixa passar essa revoada de bois. O final do mês tá aí mesmo... E se China voltar em dezembro como disse a Tereza Cristina, será excelente, voltaremos a falar em oferta/demanda. Até a próxima!

Rodrigo Albuquerque

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