Preço recorde, choro recorde! (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 27 de Fevereiro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Pensa num contra-censo esse título, mas é a mais pura verdade! Sempre ouvi dizer que o produtor é chorão (e se tiver gado de leite lá para as bandas das Minas Gerais então... rs). E de fato, é mesmo. Até eu ultimamente me pego reclamando da chuva (reclamar de chuva nessa nossa pátria, com raras exceções, é mesmo um absurdo). Preço recorde e choro combinam?

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Algumas frases recorrentes, escutadas de quatro frigoríficos nos últimos dias: “parece que não sei mais nada sobre o mercado. Já refiz os números do meu plano algumas vezes. Não estou entendendo mais nada. Estou perdido feito cachorro que caiu do caminhão de mudança”. As mesmas frases aparecem no discurso de vários pecuaristas, notadamente os de recria/engorda... Estas frases nascem a partir da constatação de que preços recordes estão convivendo com margens mínimas em vários setores da economia e na cadeia pecuária não seria diferente. Ex.:
•    Preço de bezerro/garrote/boi magro/boi gordo/milho recordes, mas margens da engorda em níveis mínimos ou negativos;
•    Preços da carne ao varejo nas alturas, mas markup pela metade do que se via há alguns anos;
•    Preços do atacado da carne na “gaia do pau” (namorou com máximas recentemente), mas margem da remuneração do abate para o mercado interno nas mínimas (desossa);
•    Preços em alta para exportação, porém com o principal importador reclamando demais e o frigorífico nacional “peitando” desgastar a relação comercial para impor aumentos, mesmo com um parceiro fundamental;

O único que não está chorando é o sujeito da cria que investiu em genética e pastagem, além do sujeito que carregou estoque pecuário e de insumos para realizar em 2021... O restante está no choro!


O que vai ocorrer? Minha resposta: ocorrerão ajustes para que se atinja um novo equilíbrio de margens ao longo da cadeia. Certamente o ajuste não será em um só elo.

Como enfrentar tudo isso? Minha melhor resposta: gestão, gestão, gestão... Do ponto de vista do produtor, sempre priorizar: 1. “caixa boi” (a carcaça do animal a venda deve ser otimizada, seja bezerro, boi magro, ou boi gordo); 2. “caixa pasto” (a arroba produzida a pasto apresenta a maior margem do setor, portanto deve ser maximizada, mesmo para aqueles que confinam, mesmo porque, confinamento não é inimigo de pasto, eles são aliados. Única exceção: claro, os que não tem pasto como um componente do sistema de produção); 3. “caixa banco” (famoso fluxo de caixa) afinal de contas, a empresa quebra pelo caixa (esse olhar deve ser de 24 meses, pelo menos).

Gestão ao cubo! Mas o que é gestão? Minha melhor resposta: é ser íntimo dos números! Por isso, instituímos aqui na Fazenda Terra Madre o “sábado da gestão”. Explico: preservando pelo menos o sábado à tarde e o domingo para família, amigos, corpo físico e desenvolvimento espiritual, o trabalho demanda 11 períodos (manhãs ou tardes) por semana. Dedicando 1 para a gestão, frente ao total de 11 trabalhados, teremos aproximadamente 10% para pensar sobre o negócio (inspiração) e 90% para executar (transpiração). Esse 10/90 é poderoso! Não há vida fácil em 2021, mas para quem tem intimidade com os números, o desafio fica um pouco mais ameno.

No mais, apertem os cintos. Teremos emoção! Até a próxima, saúde e luz!

Grato, Rodrigo Albuquerque!

Obs.: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/compra de qualquer ativo ou derivativo agrícola, mas sim como opiniões pessoais, compartilhando algumas vezes nossa própria carteira de investimentos.

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