Polarização e desinformação abundam no mercado (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 22 de Abril de 2022

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Depois de alguns episódios, voltemos ao esquema de tópicos, para resumir os principais assuntos dessa semana? Então vamos...

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1)    Com a pressão na arroba há cerca de 50 dias, e com uma queda de praticamente R$ 20,00, os indicadores de margem de comercialização da operação de abate dos frigoríficos (mercado interno) melhoraram consistentemente (dados da Scot). Veja: no dia 03/março a Radar apontava em R$ 348,50 e R$ 19,69, respectivamente, para a arroba e para o quilo da carcaça casada paulistas. De lá para cá, a arroba caiu para R$ 330,00 enquanto a carcaça casada subiu marginalmente para R$ 19,75. Nos dados da Scot não estão computados os custos, apenas a diferença entre a arroba paga e a carne/demais produtos do abate vendidos pelo frigorífico. Ou seja, não dá para inferir diretamente em lucro, mas ao longo dos anos observamos que indicadores de margem de comercialização performando na média histórica, sinalizam que novas derrocadas na arroba são mais difíceis de ocorrer. Claro que a exportação manda muito no preço atual (dólar preocupa), mas não devemos esquecer que o mercado interno absorve 65 a 70% do que produzimos;

2)    Falando em exportação, fica cada vez mais claro que vender uma grande parcela da produção de carne para a China é como abrir todos os dias uma “imprevisível caixinha de surpresas”. A China sabe muito do Brasil, enquanto não sabemos praticamente nada deles. Suspensões de plantas ocorrem no final da semana, mas retornam no meio da semana seguinte. Sim, o volume e o preço são excelentes, mas é um tal de “tô rico, tô pobre”, que mercado nenhum aguenta. Prepare-se: isso não deve terminar tão cedo;

3)    O mundo começa a perceber que só o Brasil pode ter algum milho disponível para exportação, visto que essa possibilidade não parece mais existir nos outros 3 grandes players das vendas internacionais (EUA, Ucrânia e Argentina). A exportação do cereal dourado começa “a dar a cara” por aqui. Enquanto isso, preocupações com o clima começam a ser cada vez mais presentes, como em MG, GO e até em algumas regiões do MT. O plantio dos EUA também não anda muito bom das pernas... Resultado: mesmo com a expectativa de uma safrinha boa (ainda vigente), o mercado futuro começa pagar ágio sobre o mercado físico: o contrato de julho, que reflete a entrada da safrinha, já paga ágio de quase R$ 6/saca sobre o mercado físico... Ai, ai, ai...


4)    A seca ameaça vir muito forte em algumas regiões, como no Vale de Araguaia goiano, onde estamos. A última chuva volumosa, no nosso caso, foi em 16/03, sendo que nos 22 primeiros dias de abril, tivemos apenas 1mm... Essa situação tem provocado uma rápida deterioração das pastagens nessas regiões, acentuando a tendência de queda no preço do gado de reposição, mercado que dá a pinta que desce mais... Na esteira, dá para pensar que a oferta de gado gordo em junho, julho e agosto pode ser bem pior que a de hoje, graças aos preços frustrantes da curva futura e à perspectiva “quente” dos custos de engorda (vide o que dissemos sobre o milho), apesar da queda do boi magro, que ainda não consertou a margem da engorda.

Por fim, repito o que disse aos assinantes durante a semana: “há muita informação polarizada, suportando os que querem ficar pessimistas e os que desejam ser mais esperançosos quantos aos preços. A questão é que no meio dessa dualidade de informação, há muita gente fazendo comentários enviesados, para (provavelmente) favorecer suas próprias posições de mercado, usando "verdades" mas com muito viés... Cuidado! Sem dúvida, há muitas incertezas no atual momento, e elas não devem ser negligenciadas. Mas há que se ter um filtro muito grande sobre o que se lê por aí.

Segue o jogo!

Rodrigo Albuquerque

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