Outubro abaixo do junho: realidade futura ou irracionalidade presente (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 19 de Junho de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Agora que a festa ia começar, quer dizer então que “azedou o pé do frango”? Alguém conseguiu anotar a placa do caminhão que amassou a B3, a ponto de retirar todo o prêmio da curva futura do boi gordo (out/21 cotado abaixo do mercado físico paulista de hoje)? Teremos um segundo semestre com uma realidade de preços bem menos atrativa, será?

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Como me disse um amigo: quando o mercado quer subir, qualquer coisa vira desculpa. E quando quer cair, não é diferente! Quem acionou a ignição do caminhão foi o componente financeiro e não o mercado físico. Nada do que já não falamos aqui, como por exemplo o dólar enfraquecido. Mas a coisa vai além disso...

As preocupações dos bancos centrais (EUA e Brasil) com inflação de alimentos trazem novas nuances para a curva dos juros futuros. Os fundos, com grades posições de compra em commodities, tem a tendência de desalavancar, criando uma onda de venda que varre os futuros. Como diz o Silvio Busnardo: “quem tem dinheiro, leva a bolsa onde quer”. Até a política de biocombustíveis dos EUA, promovida pelo Biden, teve o seu “rempensar”, pela correlação com a inflação dos grãos e consequentemente das proteínas. A disputa entre o tanque de combustível e o estômago mostrou-se potencialmente explosiva. Isto preocupa político!


No ambiente doméstico, a safra de milho é incerta e heterogênea, mas está vindo (uma estrada separa áreas de 20 de outras que entregam 110 sacos/ha, não raro). O comprador some, o vendedor reaparece num passe de mágica e o Brasil vê suas commodities caírem violentamente (sobe de escada e desce de elevador, sempre). Tudo mudou no discurso de muitos, em minutos (“o milho mais barato levará a um aumento do confinamento”). Aí, além do dólar, o milho começa a atrapalhar o bovino... Entendeu? É um tsunami...

Na minha modesta opinião, há muito ruído aí. O que dá para filtrar até agora?
1.    A B3, com curva de preços futuros sem prêmio, ou pior, com deságio, desestimulará mais ainda a oferta de quem ainda estava na dúvida se confinava. O milho ficou mais acessível ao pecuarista, mas não conseguiu melhorar a conta, pelo contrário. O que o milho caiu, não paga o que o boi perdeu na arroba. É só fazer conta. Frigorífico diz que o milho mais em conta aumentará o boi de cocho. Pecuarista que faz conta ameaça rolar o boi que ia ser confinado para o verão (claro, desde que o escasso pasto permita);
2.    O boi come milho físico e não milho da B3. O físico não chegou até onde a B3 foi na alta, da mesma forma, não cairá até onde a B3 irá ceder (vale para o milho e para o boi);
3.    O frigorífico fez escala (menos no MS), mas não fez pressão no físico porque a percepção não é abundante quanto à oferta futura. De toda a forma, a indústria parece começar a enxergar que o aperto de oferta pode ser um pouco menor do que o que se imaginava;
4.    O frigorífico testou o teto dos preços do mercado chinês. Teve que baixar as suas pedidas porque a carne suína na China atingiu o menor preço dos últimos tempos. A boa notícia é: ao baixar, os negócios recomeçam. É só colocar no preço que vende;
5.    O fundamento de firmeza dos grãos segue, com estoque de passagem apertado, isso não mudou e voltará a reinar no momento oportuno, em nível global;
6.    Quanto ao boi gordo da bolsa, os fundos (PJ financeira) venderam e os frigoríficos compraram (PJ não financeira). Isso diz muito sobre a curva do segundo semestre;

Para finalizar, esse “estresse” trás uma lição valiosa: mais uma vez, temos a oportunidade de aprender que todo movimento tem o seu fim, seja na alta, seja na baixa.

Na minha opinião, o que temos para hoje é uma modulação da firmeza (preço teto) do bovino no segundo semestre e não uma derrocada (o câmbio mais ameno cobra o seu boleto, é fato). Em geral, movimentos financeiros intensos e contrários aos fundamentos de mercadorias que não nascem em chocadeira (como o boi), trazem oportunidades gigantescas. Infelizmente é impossível acertar o ponto de virada da curva de baixa. Só os sortudos conseguem (quanto mais você estudar o mercado, mais terá sorte)!

Saúde em excesso, Rodrigo Albuquerque!

Disclaimer: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/retenção/compra de qualquer ativo, título ou derivativo agrícola, ou ainda como recomendação de investimento, mas sim, deve ser entendido meramente como opinião pessoal na data da sua publicação.

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