Os próximos gigantes sairão desta crise (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 25 de Abril de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Entenda como a cabeça da maioria das pessoas funciona frente às crises. Isto tem potencial forte para te ajudar neste “nosso novo normal” em termos de rotina de vida...

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Caso o boi não apareça com força neste final de safra de capim, “amarra as carça”. Do ponto de vista de oferta, teremos um suporte muito forte contra derretimentos da @. Nenhuma certeza disto, mas é um caminho que me parece plausível. O nível da demanda, em queda, é um forte contraponto, certamente. Quem sabe não venha mesmo uma forte valorização no segundo semestre, mas por outro lado, pode também não vir o derretimento catastrófico apregoado.

2)    BEEFRADAR (manutenção dos percentis, focando em estabilidade e baixa)
40% queda | 50% estabilidade | 10% alta

3)    O LADO “B” DO BOI
Antes de mais nada, digo que este conteúdo é o que eu absorvi de um excelente podcast da Financial Eleven, uma conversa bacana entre Dato Netto e Artur Wichmann, profundo estudioso da psicologia das crises. Elenco alguns mensagens chaves colhidas desta conversa.

1.    O tiroteio não pára... E não vai parar! As crises têm o mesmo comportamento dos terremotos. Um tremor forte e devastador é seguido de diversos outros menores por um tempo grande. O mercado irá permanecer volátil. Teremos dias melhores, seguidos de dias muito desagradáveis. Volatilidade ao extremo. Ninguém faz a menor ideia de qual será o menor preço atingido por uma dada mercadoria;


2.    Toda crise tem um lado idiossincrático único, não previsível, caso contrário não seria crise. Na atual crise o motivador é quase uma tempestade perfeita: um vírus obscuro vindo de uma região pouco conhecida da China. Quase um script perfeito de filme;

3.    Toda crise tem um elemento previsível: nossa reação psicológica. O prêmio Nobel de economia Daniel Kanemman (estudioso sobre economia comportamental), diz que nosso cérebro opera em dois sistemas: o “1” que é intuitivo, antigo e provedor de respostas rápidas e o “2”, que fomos desenvolvendo ao longo do processo evolutivo. O “1” é o que nos fazia correr, em resposta à suposta presença de um predador. O “2” analisa racionalmente a possibilidade da existência ou não do predador. O “1” simplesmente nos leva a correr. Em um evento de emoção forte, o sistema “1” assume o controle de nossas ações, pois somos descendentes de indivíduos que, ao se depararem com perigo, engajavam o sistema “1” nas eras primitivas e saiam correndo. Nesta fase da crise estamos totalmente sobre o domínio do sistema “1”, porque somos sobrecarregados de informações;

4.    Todas as crises tem uma coisa em comum: enquanto estamos no meio dela, não conseguimos ver solução. A verdade é que sempre tem uma saída!

5.    Esta crise vai ser muito profunda e veremos números que nunca vimos, nem em 2008. Mas ela também vai passar. A questão é: qual será a duração desta crise e qual será seu comportamento durante a sua duração;

6.    O mercado não tem medo de crise, mas sim de “escuro”. Estamos com a visibilidade muito baixa, como nunca tivemos. Fomos escancarados em nossa vulnerabilidade, pois hoje as cadeias produtivas internacionais são interligadas e, portanto, dependentes e influenciáveis;

7.    O mercado vai continuar testando movimentos de alta e de baixa, com oscilações bruscas (intraday) porque é muito difícil precificar o risco desta realidade de vulnerabilidade que foi desnudada para os mercados. Depois que passarmos esta crise, teremos que lutar para nos proteger deste risco (da integração internacional). Mas precificar isto neste exato momento, é muito difícil;

8.    Risco e incerteza são diferentes. Risco você pode medir, p.ex.: qual a chance de um dado cair com o “3” para cima? Já incerteza é tudo aquilo que a gente não sabe, p.ex.: ao se jogar um dado adulterado para cima (em que não se sabe quais números estão nas faces deste dado) qual a probabilidade de vermos um “3” para cima? A gente sabe lidar com risco, mas nós não sabemos lidar com incertezas. E o que temos agora são incertezas brutais. A maior delas: como serão as novas relações de produção quando o lockdown acabar, pois desde o pós-guerra passamos décadas integrando o mundo do ponto de vista das cadeia de produção. Produzimos o smartphone onde é mais barato e o vendemos onde há mais demanda. Há um upside gigante dessa forma, mas isto também gera um downside hercúleo: milhares de pessoas vão diariamente de Wuhan para Nova York...

9.    Este choque vai ter consequências permanentes, porque alguns negócios vão ganhar e outros vão perder muito. Empresas de transferências de dados, de fibra ótica, p.ex., valem muito mais agora. O varejo tradicional perdeu valor, certamente. Definitivamente os vencedores desta crise vão emergir como líderes cada vez mais fortes, pois vai ficar muita gente pelo caminho, e a competição vai diminuir. Períodos como os vividos hoje, analisados a partir de dados históricos, mostram que os gigantes nascem nas crises. Eles saem cheio de cicatrizes, mas emergem como líderes. As cicatrizes são “presentes” que você não perde nunca, seu passado nunca fica longe. As crises são filtros importantes com redistribuição de forças muito relevantes em todos setores. Isto ocorre em “playbook de guerras”, como agora;

10.    Qualquer gestão de empresa que esteja com esperança de que a economia vai reabrir e retornar à normalidade, está correndo risco, porquê “esperança” não pode ser estratégia de gestão. Você tem que sentar em cima do caixa, cortando custos ao máximo. Importante a relação de custo fixo/variável. Quanto maior a relação de custo variável, melhor. Além disto, muita atenção para a alavancagem;

11.    Cuidado com “viés de ancoragem”. Ex.: o boi gordo da entressafra 2020 estava R$ 215/@ até a primeira semana de março, portanto, só vou vender quando ele retornar lá. Esqueça! Não que aquele preço estava errado, mas o passado “não joga” no mercado financeiro. Seu objetivo como investidor é começar com uma folha em branco agora e construir um raciocínio estratégico “do zero” novamente;

12.    Finalmente... acredite na frase: “isso também passa”! Ela vale para todas as crises e inclusive para os bons momentos. As piores crises não são as que perdemos mais dinheiro. Mas sim aquelas que passamos sozinhos, aquelas em que o mundo inteiro cai sobre as nossas costas. Esta crise faz com que fiquemos isolados. Usem a tecnologia e não se isolem, troquem ideias, pois a área do cérebro que processa o estímulo de “estar sozinho” é a mesma área que processa o estímulo da dor. Ficar sozinho, dói, portanto. E vai doer mais ainda vendo TV todos os dias!

Que tal? A psicologia pode nos ajudar muito neste momento, concorda? Até a próxima semana!

Fotos em destaque: estamos com o final de abril mais parecido com o início de março que eu já vi na minha vida.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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