Os 4S do pecuarista (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 8 de Junho de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,

Muitas empresas usam o famoso programa 5S, ligado ao conceito de qualidade total. O nome é parecido, mas o 4S que abordaremos tem outro foco, que tem tudo a ver com a pecuária.

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

“Mar mexido” (e mexendo), é a melhor expressão para definir o mercado. Há diferenças fortes de movimentações de preços entre regiões (redemoinho na água). Há estados com alta da arroba (como MG, região BH, RS, ES e RJ) enquanto outros caem. No “frigir dos ovos”, houve uma queda semanal de R$ 0,96/@ na arroba média Brasil (dados Scot/IBGE adaptados). Nesta água turva, dá para identificar dois pontos: 1) não há derretimento geral de preço da arroba em nível Brasil; 2) o norte do País sofre mais, ex.: MT, RO, PA e AC (já havia retenção prévia ao movimento dos caminhões, por conta da logística ruim e com a greve, isto se complicou).

Há grande dicotomia de atitude comercial dos frigoríficos: os menores claramente estão mais ávidos e pagando para cima (personnalité frenquente com disputa forte pela vaca gorda). De resto, tudo dentro da nossa previsão: concorrentes* em alta (ovo +32%, frango +20%, suíno +4.8%); atacado bovino* em alta (+2.8%); varejo bovino* em alta menor (+0.4%); margem dos frigoríficos em níveis excelentes (e melhorando)! *Obs.: dados Scot - variação últimos 7 dias. Some a isto, o câmbio de quase 4 (nossa @ em dólares despencou) e você terá um cenário privilegiadíssimo para a exportação. Tanto, que fez a bolsa dar “sinal de vida”. Atenção...

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”

“O cenário pós paralização vai ratificando mais para o rumo de uma postergação da alta (que já vinha brotando) do que para uma pressão de baixa generalizada. Há um cheiro de recuperação da arroba “logo ali”, pois a vaca gorda está escasseando e o confinado do 1º giro terá pouco volume. A reposição embarcará nesta viagem, reforçando o movimento. Atenção”.

3)    BEEFRADAR (sem tendência definida, pendendo à neutralidade)
30% queda | 40% estabilidade |30% alta

4)    HORA DO QUILO

Não há mal que o remédio das boas vendas não cure! A empresa não é mais o único lugar para se trabalhar, da mesma forma que a escola não é mais o único lugar para se aprender: quantas “horas bar” de aprendizado você faz ao mês? Conversar com pessoas de outras atividades nos bares, é uma excelente fonte de aprendizado. Lá se aprende o que não está nos livros, muitas vezes, o principal (Romeo Busarello, podcast Lidercast #109)

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL

“A Uber está selecionando cidades para receber os primeiros “uber voador” em 2023. Dallas e Los Angeles, nos EUA, são as primeiras”. Fakenews? Não! Aí eu te pergunto: sua fazenda ou o seu negócio vão continuar na mesma, nospróximos 5 anos? Você tem inovado em algo?


6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA

Todas as vezes que eu invisto tempo no podcast do Luciano Pires, saio com a certeza de ter feito um bom investimento. Não foi diferente quando peguei a estrada no último FDS. Foram 510km e incontáveis aprendizados. Além das frases da “Hora do Quilo”, trago aqui, adaptado para a pecuária, o conceito do 4S, extraído do Lidercast #109, uma conversa com Romeo Busarello, Diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa e professor do Insper/ESPM, SP.


Adianto que, nem de longe, sou um profundo conhecedor do tal 4S, mas o conhecimento encaixa com perfeição para o atual momento da pecuária. No podcast, o Romeo cita as 4 fases da vida profissional de um executivo (todas começam com a letra “S”, dai o nome “4S”). As fases do conceito se aplicam muito bem para um pecuarista! Vamos lá...


O primeiro “S”, vem da fase de sobrevivência que todo recém-ingressante ao mercado de trabalho tem que passar. O objetivo é conseguir o salário para “não morrer de fome”. Em geral, ocorre dos 20 aos 30 anos de idade do executivo. Alguns ficam pelo caminho...


Outros vão além, atingindo o segundo “S”, a fase do sucesso. Nesta fase, dos 30 aos 55 anos, há a consolidação financeira, patrimonial e familiar, em geral. A simples sobrevivência fica mais distante, e nem mesmo o sucesso basta. Abre-se espaço para a terceira fase, pois é necessário muito mais do que sobreviver ou “escapar”, como diz meu sogro...


Então vem a fase do significado, a terceira... Não importa mais fazer qualquer coisa por dinheiro. Já não há mais a mesma energia para toda e qualquer combustão. É preciso adicionar pitadas de sentido e sabedoria ao que se faz no dia a dia. Ela se inicia perto dos 50-55 anos e vai até os 65 anos.


Por fim, a derradeira fase da vida profissional trás o “S”, do sossego! Um patrimônio profissional, familiar e financeiro nas costas, repleto de sentido, confere um tom especial para este momento, que se inicia em geral dos 60 para frente. Pensando aqui, este “S” poderia ser também de sucessão, totalmente alinhado com um negócio de longuíssimo prazo, como a pecuária!

Em poucas e espartanas palavras, você já sabe o que é o tal do 4S. Você, pecuarista, tabalhador de qualquer elo da cadeia pecuária... Em qual “S” você tem seu burro amarrado atualmente? O que fazer para aproveitar melhor as curvas do “S” onde você se encontra? Cuidado para não derrapar, pois tem “S” mais desafiador que o “S do Senna”.
Tenho comigo que as empresas são, no fundo, pessoas. Portanto, ouso dizer que as empresas também tem o tal 4S.

E porque não pensar que as fazendas também o tem?

Usando uns números “grandes” (aproximados) que o meu amigo Maurício Palma uma vez me disse, temos no Brasil cerca de 1.700.000 propriedades com bovinos. Destas, cerca de 1.350.000 a 1.400.000, são as Fazendas que estão lutando para atingir a sustentabilidade, ou seja, estão no “S” da sobrevivência. Esta parcela é a grande responsável pela nossa média medíocre de produção. É um extrato com baixo custo de produção, baixo nível de tecnologia, baixa rentabilidade e muito resiliente, pois “quebram devagar”, ao ponto de quase não perceberem.

Na sequência, a “hora bar” com o Palma, indica umas 250.000 propriedades que trilham a “escada dos 1.000 degraus” do sucesso. São as fazendas que encontraram uma forma de produzir com eficiência. Estão trilhando o caminho da intensificação produtiva, seja na sua fase zootécnica, seja na sua fase econômica. A escada é longa e a subida íngreme, cansativa. Mas, seguem expandindo seus negócios, agora num nível sustentável de renda. Diria que estão na faixa de R$ 400 a 600/há/ano (referente ao lucro operacional).

No topo da pirâmide estão umas 80.000 fazendas, nas contas do “BigBen” (apelido do Palma na Esalq). Este grupo atingiu a fase do significado. Em geral tem resultados produtivos e financeiros muito bons, por vezes, o dobro das fazendas de sucesso (estamos falando em uma pecuária acima de R$ 800/há/ano). Mas o que mais chama a atenção não são as cifras do resultado. Mas sim, o “ecossistema” próprio que estas fazedas criaram. Forma-se uma espécie de aura, onde passa-se a produzir um legado que atinge não somente o produtivo, mas também:
* o aspecto animal (bem estar animal com preservação dos cinco domínios)
* a consciência de que se está produzindo alimento e toda implicação sanitária que isto envolve
* o cunho social (famílias “disputam” para trabalhar nestas fazendas, devido ao excelente clima)
* e, por fim, o aspecto ambiental, fundamental.

É ou não é? Pense aí: tenho certeza de que você consegue lembrar (com muita facilidade), das fazendas da sobrevivência. Você as conhece às centenas. Consegue visualizar também algumas “propriedades de sucesso”. Com maior esforço, talvez consiga se lembrar de algumas poucas “fazendas de significado”. Em geral, nem sempre perto de sua vizinhança...

Para finalizar: cadê as de sossego? Creio que o “S” de sossego decorra do “S” de sucessão, que tanto as fazendas de sucesso, quanto as de significado, podem alcançar, afinal de contas, não tem nada mais ligado ao sossego que uma sucessão bem conduzida.

Para quem não seguir este caminho, resta uma alternativa, que também começa com a letra “S”: o da SAÍDA da atividade! Até a próxima semana!

Créditos da foto da semana, destaque no site para este Front: Rodrigo Albuquerque, retratando a Ruralux do artista @guitoshow. Uma Rural com motor e câmbio de Hilux retratam bem o talento e a irreverência deste artista, que roda o Brasil levando na sua mala (usada na percussão), uma música de primeiríssima qualidade. Recomendo!

Comunicado aos leitores: a partir desta edição, não mais publicaremos a coluna “boitografias”. As fotos estarão no nosso Instagram (@noticias_do_front). Da mesma forma, o nosso Painel de Bordo Semanal, com um resumo de preços e indicadores importantes, está à disposição nas nossas redes sociais.

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