O que dá para dizer até agora-2? (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 20 de Março de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Na mesma linha da semana passada, seguimos tentando enxergar um pouco mais adiante neste nosso embaçado para-brisa de 2020.

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Nada é tão ruim que não possa piorar: tem governantes no Brasil (e/ou seus familiares) que parecem estar querendo adicionar pitadas de crise institucional e/ou crise de comércio internacional ao nosso já conturbado momento. Uma hora conseguem... Isolamento social é bem vindo, mas isolamento político, já sabemos onde costuma acabar.

2)    BEEFRADAR (do atual nível, pouco provável cair mais no curto prazo)
20% queda | 40% estabilidade | 40% alta

3)    O LADO “B” DO BOI
Tratando aqui do ponto de vista de negócios. A saúde das pessoas está muito acima disto, mas não faz parte do nosso escopo.

Estamos vivendo fatos inéditos, com consequências de previsão difícil. Digo que tudo pode mudar dependendo das decisões governamentais (saúde pública) e da reação das pessoas à pandemia. Estamos vivendo nossa maior crise desde a Segunda Guerra Mundial, a qual desta vez começou do mundo real e foi para o financeiro (em 2008 o curso foi contrário, como disse Leandro Bovo).


Sendo direto: preço é decorrente de “oferta x demanda”, sendo que os preços pecuários são muito mais demanda-dependentes. Vamos analisar ambas, em face do que consolidamos até o momento. Mas adianto que tudo vai depender do tempo em que as medidas restritivas irão vigorar, pois os negócios menores não terão muito fôlego para seguir adiante.

Meu cenário base é de 60 a 80 dias, baseado no que ocorreu com outros países. Este tempo não é curto e preocupa. Entendo, entretanto, como possível a tecnologia e o investimento governamental encontrarem uma solução terapêutica de suporte que possa atenuar este curso. Isto seria cabal na aniquilação dos danos econômicos. Enfim...

A primeira pergunta: o que muda com o famigerado “coronavírus” na oferta?
•    O tal não engorda o bovino, portanto não cria oferta. Estruturalmente a oferta não deve ser forte neste ano (ciclo pecuário) e isto segue inalterado;
•    Além do ciclo de preços, os custos de produção em alta sustentam a resistência do pecuarista em ceder na negociação. A semente que origina o boi gordo (bezerro) e o seu adubo (milho) e a estão muito fortalecidas neste momento;
•    Pode haver alguma melhoria de oferta no horizonte dos próximos 60/90 dias? Certamente. Naturalmente já haveria. Pelo atual represamento, pode haver uma pressão adicional em maio/junho. Mas nada fora do que já estava no radar;
•    Não acredito em revoada de gado para abate agora, quando ainda há pasto e chuvas. Entendo que a reposição pode balançar, mas não ceder. O ativo boi é uma moeda forte em crises, ainda mais com juros de 3.75% ao ano;

Pergunta 2: o que muda com o famigerado “coronavírus” em termos de demanda?

•    Do lado interno há uma grande troca de canal de vendas, caindo o consumo do serviço e aumentando o doméstico. Creio que inicialmente deverá prevalecer a antecipação de demanda que vemos agora. Mas a medida que o tempo passa e as medidas restritivas seguem, o “todo” pode sofrer (acima de 45 dias de duração), mesmo porque parte da demanda foi antecipada. Preocupa, portanto;
•    Um ponto negativo é o frigorífico ter que lidar mais com o grande supermercado, alternando para os produtos/cortes demandados para este cliente. A briga é bem mais “pesada” com estas lojas. Maior dificuldade negocial para a indústria, portanto;
•    Do lado externo, graças a Deus, temos nosso maior cliente voltando, ainda com algum problema de logística, mas vem forte (repor seus estoques inclusive). Certamente temos que ajustar um pouco a expectativa mas a China deve ser o nosso grande suporte. Não se enganem, eles sabem disto. Se a China levar 60% de nossa exportação, terá levado algo entre 12 a 15% de nossa produção total para 2020. Como o preço do “boi China” torna-se referência, a consolidação desta retomada é vital para a arroba deste ano;
•    Outros mercados sentirão de maneira variada. Uma fonte da indústria me esclareceu, p. ex.: Israel retirou as delegações do Brasil impedindo o prosseguimento da produção (degola inviabilizada); Europa está travada, pois a venda é muito para food service e ainda por cima resfriada, não pode ser estocada (SISBOV EU deve valer menos); Oriente Médio está sentindo pela questão do petróleo e por consumir muito food service ligado inclusive ao (declinante) turismo; Chile indo de vento em popa, pois o foco era a venda direta para o varejo... Portanto, fora a China, depende muito da carteira de cada planta;
•    Tanto no âmbito interno, quando externo, poderemos ter um segundo semestre com algum sobressalto positivo na demanda, pelo distanciamento do epicentro do vírus e recomposição da normalidade.

Dois pontos não foram considerados: a interrupção dos portos e das operações de abate de maneira geral. Sabemos que há risco no frigorífico, pois não há como escapar do imponderável. Mas entendemos que tendem a ser pontuais, afetando regionalmente os preços.


Resumindo: estamos num enorme e incerto desafio. No curto prazo uma pressão foi tentada na casa dos R$ 20/@. Não me parece plausível.

Algo como R$ 5 a R$ 10/@ de perda de sustentação até o final de safra pode ser (piso de R$ 190/195 em SP)? Não dou como certeza ainda. De toda a forma, não é o fim do mundo. Nossos próximos 60/90d serão os mais críticos (incertos).

Detalhe: a volatilidade vai seguir, logo não tenho certeza de nada! Que Deus nos proteja!
 
Fotos em destaque: o melhor isolamento social do mundo!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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