O que dá para dizer até agora? (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 12 de Março de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Excepcionalmente o Front Premium será uma extensão do MiniFront, pois focar nos possíveis próximos passos do mercado pecuário exigiu mais espaço. Vamos lá...

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”

Duas famosas frases antagônicas dão o tom das escolhas do curto prazo: “enquanto houver cheiro de pólvora no ar, melhor não levantar muito a cabeça”; “seja medroso quando todos são gananciosos e ganancioso quando todos são medrosos” (Warren Buffet). A primeira cujo autor desconheço, serve para sustentar os mais cautelosos e a segunda para animar os que têm apetite para risco. A decisão é sua e a consequência também!

2)    BEEFRADAR (inversão total dos percentis, mas sem derretimento)
47,5% queda | 47,5% estabilidade | 5% alta

3)    O LADO “B” DO BOI
Didaticamente, meu melhor entendimento sobre todos os elos da cadeia com o que há de informação até o momento, está a seguir. Tudo pode mudar ao sabor de uma “twitada” política ou médica. Não há a menor pretensão de acerto. Mas é o que o ofício da análise me exige entregar. Obs.: recomendo o podcast com o Prof. Marcos Fava Neves, que complementa este material (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/mercado-minuto/).


O milho provavelmente deverá seguir seus recordes sucessivos, num rally histórico, motivado pelo driver interno. Nem a mexida do petróleo, desafiando fontes de energia renovável, interferiu. Quem sabe um fator limitador entre em jogo, no máximo.

Da mesma forma, a reposição... Está inabalada e penso que vai ter seu movimento desafiado. Mas acredito que as forças estruturais de oferta (ciclo) que dão suporte à escalada de preços dão enorme resistência a uma inversão de tendência acentuada. Ou seja, temos no máximo um limitador da alta, com maior desafio para gado 13@, que pode sentir mais, na dependência do quê ocorrer com o gado gordo.

Do ponto de vista da oferta de gado gordo, não me parece plausível o COVID-19 ter alguma consequência importante agora. Talvez algum incentivo de venda devido ao pânico de algum pecuarista? Pode ser... mas a fortaleza da reposição e dos custos de produção (milho) pesam muito na cabeça do pecuarista.

Estamos com oferta reduzida, mas não homogênea, pois algumas praças começam a ofertar os animais de meio/final de safra de capim. Isto deve seguir. Era previsto algum aumento de oferta, como todo ano, mas numa base menos intensa no final de safra devido ao ciclo. Penso que isto deve seguir. A menor oferta de fêmeas mais eradas ao abate não tem motivo para ser revertida, pelo contrário, com o bezerro na estratosfera.

Do ponto de vista da demanda externa, nada de novo, fora o que já estávamos vivendo com toda a dificuldade logística ocasionada pelo “entupimento” da entrega marítima na China, a qual começa a ser desembaraçada. Não está no radar nenhuma alteração importante para pior neste quadro, pelo contrário. Os nossos portos seguirão enviando produtos para fora. Nunca é demais lembrar que a demanda externa pode voltar em maior intensidade (além do motivador câmbio, mercados importantes como China e mesmo EUA deixam boas possibilidades em aberto). Sim, o mundo deverá crescer menos, mas o ponto é que estamos numa situação de exportação já achatada (comprometida por problemas com o nosso maior comprador, que inicia claramente a fase de arrefecimento do seu desafio). Sinceramente, mesmo com o mundo crescendo menos (recessão?), enfrentamos desde janeiro, algo para mim pior que isto, que é ter o maior cliente impossibilitado de demandar plenamente. A China não pode correr o risco de ter escassez de alimentos ou mesmo inflação. Seria pólvora pura. Além de manter o fluxo de compra, terão que repor os estoques largamente consumidos.


Creio que os frigoríficos farão um movimento de alongamento de escalas, e em seguida, com alguma “timidez”, aprofundarão os testes de preços. Não creio que sejam muito efetivos nas próximas semanas. Mas se o mercado futuro caiu R$ 10/@, pode ser que tentem levar o físico talvez na metade deste movimento? Vai depender do pânico, da intensidade da entrada da seca, etc. O boi está muito resiliente a este tipo de movimento e creio que continuará. Pode cair mais? Sim, perfeitamente, mas não é o mais provável. Pode até não cair... Enfim...

A demanda interna certamente vai sentir, no tocante ao setor de serviços. O setor da alimentação tende a ser bem menos afetado e tende a sentir as pioras apenas por último. Minha opinião: a demanda interna de carnes não cai de imediato, não faz sentido. Mas deve ocorrer uma forte mudança de canais de venda.

O reflexo no varejo tende a começar nos próximos dias. Ganha o delivery e a alimentação em casa e perde o food-service. De toda a forma, o atacado e o varejo não terão vida fácil nas próximas semanas, no todo da obra.

No volume total, pouca alteração na demanda interna. Mas, um alerta: os efeitos de uma possível redução de consumo de carnes causada por uma menor intensidade da nossa macroeconomia vão depender da duração do desafio. Caso a crise se aprofunde por mais de 60/90 dias, aí sim penso que a demanda interna tende a sentir. Mas não é a maior probabilidade, em minha opinião.

Não tenho a menor certeza do que está aí em cima. Mas não me furto em colocar o pé na peia, mesmo porque também demando a decisão de curto prazo e tenho compromisso com você.

Para finalizar: algum especialista em vasectomia de cisne negro? Esta espécie está procriando para valer por aí! Até a próxima semana!

Fotos em destaque: indo e vindo por aí, confesso que andar de avião ficou muito “desconfortável” e o problema não é a estreita poltrona.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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