O placar pecuário do primeiro semestre (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 5 de Julho de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

“Ganha o jogo quem presta atenção no campo e não no placar”. Mas, no intervalo do primeiro para o segundo tempo, uma “curiada” no placar é bem vinda...

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Toda semana há um novo capítulo na infindável novela dos preços pecuários e desta vez, o protagonista foi o frio. Desde a última quarta (26/06), circulam mensagens sobre uma massa polar confirmada com mínimas “bem mínimas”.  O produtor rural hoje é antenado e quem tinha lote pronto se antecipou, realizando a venda, aumentando a fluidez das escalas, como havíamos dito no Front (“a indústria paga mais e consegue algum alívio, como ocorreu nos últimos 3 dias em SP”). O mercado físico de SP recuou mais ou menos R$ 1/@ na média.


Porém, informações dão conta que a “revoada” já teria encerrado, deixando esta onda de oferta tal como uma marolinha. Obs.: há também a entrega de boiadas de termo, iniciando neste momento, fato que se confunde um pouco com o impacto do frio.

É interessante notar que a perda da mínima do mercado físico foi tão mínima quanto a temperatura prevista para o encerramento desta semana no centro-sul. Houve apenas pressão nos preços máximos (que ainda ocorrem, mas com frequência menor). Já na BMF, de terça para quarta o mercado caiu mais ou menos R$ 3 a 4/@. Já recuperando daí em diante...

As geadas devem ocorrer, mas a boa umidade ainda presente (MS, por exemplo), deve reduzir seus impactos. Evidente que o risco não pode ser negligenciado, mas a verdade é que a suplementação não é mais mistério para ninguém e quem está engordando boiada neste momento, em sua grande maioria conta com esta estratégia, estando portanto, menos exposto ao problema. Para a reposição, esta sim mais baseada em pasto, dependendo da região e do nível das geadas, pode haver dificuldade e consequente relaxamento pontual.

Sabe o que mais chama a atenção? É que a fome por abater boi não cede, mesmo com o alongamento de escalas (em algumas localidades) e os lotes grandes, de boiada nova e bem acabada continuam com negócios “diferentes”. Atitudes significam prioridades! Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Santa volatilidade! Há alguns dias foi a vaca quase louca, agora o frio dando outro presente no mercado futuro? Para bom entendedor “vol” é dinheiro!

3)    BEEFRADAR (manutenção dos percentis, apesar do frio)
15% queda | 25% estabilidade | 60% alta

4)    HORA DO QUILO
“Quando tudo parece estar indo contra você, lembre-se de que o avião decola contra o vento, não a favor dele” (Henry Ford)

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
As fotos do Instagram (https://www.instagram.com/p/BzgSB5nFHh7/?utm_source=ig_web_copy_link) mostram Campo Grande (nas lentes de Rafael Gratão) e Goiânia, no dia 04/julho, às 15h: a Fazenda Brasil é muito grande! Movimentos como este, do frio, não mudam a estrutura do mercado e apenas dão “um dente” na linha dos preços (ensinamento do amigo Arthur Villas Boas).

6)    O LADO “B” DO BOI
Com a devida vênia ao famoso jargão do mercado financeiro (frase de George Soros), o final do primeiro semestre é um bom momento para darmos uma geral nos números deste volátil (e maluco) ano de 2019. Abaixo, apresento vários indicadores, elecando a diferença entre o valor de jun/19 sobre a base de jun/18. São eles:

1.    Boi Gordo (Indicador Esalq/B3, SP, AV, média 5d, R$/@): + 10.68% (de R$ 139,11 em 2018 para R$ 153,97 em 2019);
2.    Bezerro (Indicador Esalq/B3, MS, AV, média 5 dias, R$/cab): + 10.79% (de R$ 1.145,25 em 2018 para R$ 1.268,79 em 2019);
3.    Bezerro (Indicador Esalq/B3, MS, AV, média 5 dias, R$/kg): + 9.61% (de R$ 5,62 em 2018 para R$ 6,16 em 2019);
4.    Margem líquida da reposição: +10.6% (de R$ 1.428,29 em 2018 para R$ 1.579,65 em 2019). Obs.: dinheiro que “sobra” da venda de um boi de 18,5@, após repor um bezerro.
5.    Relação de troca Indicadores (bezerros/boi de 18.@): 0% (estacionada em 2,25);
6.    Traseiro (CEPEA, 30d, média, R$/kg): +10.81% (de R$ 11,10 em 18 para R$ 12,30 em 19);
7.    Dianteiro (CEPEA, 30d, média, R$/kg): +12% (de R$ 8,33 em 18 para R$ 9,33 em 19);
8.    Carcaça casada (CEPEA, 30d, média, R$/kg): +11.28% (de R$ 9,66 em 18 para R$ 10,75 em 19);
9.    Carcaça casada (Scot, a vista, média inteiro e capão, R$/kg adptado): +11.12% (de R$ 8,99 em 2018 para R$ 9,99 em 2019);
10.    Relação traseiro/dianteiro: -4.27% (explicação: o traseiro era 33.25% mais caro que o dianteiro, mas em 2019, ficou 31.8% mais caro - o dianteiro se aproximou do traseiro);
11.    Margem Equivalente Carcaça Scot: +12.1% (de 15.3% em 2018 para 17.16% em 2019);
12.    Margem Equivalente Desossa Scot: -42.8% (de 29.76% em 2018 para 17% em 2019);
13.    Milho (Indicador Esalq/B3, MS, AV, média 5 dias, R$/sc): +4.16% (de R$ 37,24 em 2018 para R$ 38,79 em 2019);
14.    Relação de troca sc milho/@: +6.15% (de 3.74 em 2018 para 3.97 sc/@ em 2019);
15.    Margem do varejo (Scot, %): -2.02% (de 64.3% em 2018 para 63% em 2019);
16.    Exportação (acumulado carne in natura embarcada jan-jun, Radar Investimentos): +26.42% (de 534 mil ton em 2018 para 675.1 mil ton em 2019);
17.    Spread entre a carne de frango e bovina no atacado (Radar Investimentos): saiu de -58% para -45%, ou seja a carne bovina ficou cerca de 23% mais competitiva com o frango;
18.    Spread entre a carne suína e bovina no atacado (Radar Investimentos): saiu de -40% para -30%, ou seja a carne bovina ficou cerca de 25% mais competitiva com o suíno;
19.    Suíno terminado, R$/@ a vista em SP (Scot): +50%
20.    Frango vivo, R$/kg  a vista em SP (Scot): +13%

Muitos números, não é? A informação fica um pouco pesada, peço perdão, mas é necessário... Vamos consolidar abaixo, para o seu melhor entendimento:

•    Estamos no momento em que o ciclo pecuário segue na direção da apreciação, ou seja, todas as categorias/produtos ficam mais “caros”. Pena que as forças macroeconômicas não estejam neste mesmo alinhamento, caso contrário, poderíamos ter uma pressão explosiva dos preços;
•    Chama atenção a linearidade da apreciação de toda a cadeia pecuária. O número de +10% (entre jun/19 e jun/18) está impregnado na variação do boi, bezerro, traseiro, dianteiro e da carcaça casada. E isto não é ao acaso, afinal de contas, como já nos ensinou o Ivan Wedekin. Detalhe: R$ 148 (final de out/18) + 10% = R$ 163...
•    O aumento de preços da cadeia pecuária foi repassado ao consumidor, visto que a margem do varejo permanece em linha. Este tem sido o maior desafio: apresentar uma proteína mais cara, para uma demanda que convelesce economicamente. É nosso limitante. A margem da desossa, pressionada, confirma (margem carcaça está em linha);
•    A exportação ganha destaque forte no escoamento da produção de 2019. Além do estrondoso volume, a relação mais estreita traseiro/dianteiro sinaliza neste sentido;
•    A carne bovina ficou mais competitiva com seus concorrentes diretos, notadamente os suínos (peste na China). Isto representa um forte suporte para a carne bovina;
•    Apesar do recorde de produção de milho safrinha, até agora, a expectativa de termos um cereal mais em conta foi frustrada, mas a relação de troca com a arroba melhorou;

Alguma surpresa? As vezes é bom dá uma “zerada” no velocímetro da memória para não perdermos as balizas de negociação! Que venha o segundo tempo! Até a próxima semana!

Fotos em destaque:
sexta edição do Dia de Campo Pecuária à pasto – primeiro passo, conduzido com maestria por Armélio Martins e Mariana Martins, em Bela Vista/GO, no qual palestramos; Homenagem recebida da Cargill-Nutron/Agropecuária Grande Lago, em função dos bovinos da família estarem no TOP 5 do boitel Grande Lago quanto aos indicadores zootécnicos. Agradeço, em nome de quem realmente merece: a equipe da fazenda e o Adriano Martins, que a conduz!

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