O placar do primeiro tempo pecuário de 2018 (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 29 de Junho de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,

Fim da safra agropecuária 17/18! Também já dá para dizer que a metade do ano e da Copa estão no retrovisor. É uma boa hora para uma olhada no placar do jogo. Vamos elaborar?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Disse no último Front que “a água dos preços estava para passar por cima do aterro da represa” de contenção da compra de boi. Parece que já “merejou” do lado de lá! A média da arroba do boi no Brasil subiu R$ 0,68, alcançando R$ 132,94 na semana (dados Scot/IBGE adaptados marcam a terceira semana seguida de variação positiva). Apenas o RS apresentou queda de preços. Vários estados em alta, liderados por GO.

A seca se instalou no Brasil Central e já se vê fogo na beira das estradas. É nítido que a oferta de gado intensifica sinais de esgotamento, fazendo o sobrepreço acima do balcão (“personnalité”) aparecer, principalmente para lotes maiores. Vários frigoríficos estão com escalas “para dentro” da próxima semana. Não dá para dizer que a oferta é homogeneamente escassa em nível Brasil, porque ainda há praças com bois de final de safra de pasto. Mas é fato que o primeiro giro do confinamento está menor e, além disto, atrasado (seja pela oferta de chuva até abril, milho aquecido ou pela BMF “morna”). Em compensação, o vendedor de milho/sorgo resolveu sair da toca (igual tatú depois de chuva) e fez a relação de troca com a arroba subir bem, um belo respiro ao pecuarista. Haverá um buraco negro, até termos oferta regular de confinamento (final de julho/agosto).

Quem segue caindo (além do Neymar) é a dupla demanda interna e externa. Quanto à interna, o problema tem sido o preço: o atacado com osso que estava em queda, “contaminou” o atacado sem osso e o varejo (até o frango caiu). A margem da indústria, entretanto, não “desmantelou”, mas isto faz a “fome” dela arrefecer. A virada de mês, deve dar um respiro, mas as férias em início podem atrapalhar. Quanto ao mercado externo, o problema é volume exportado (inferior ao primeiro trimestre). O preço explodiu em R$ e em US$, amenizando o fato. No frigir dos ovos, dá para dizer que a arroba está em recuperação, de intensidade leve e sem potencial explosivo, ao menos por ora. Não é um alta, apenas uma recuperação, ok?!?

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“Tem hora que o preço balcão tem a sua credibilidade reduzida e até o comprador não crê muito nele. Tem hora que o confinamento próprio e as parcerias estratégicas ganham importância para a compra de boi gordo e a compra de gado precisa muito deles. Estamos num destes momentos”.

3)    BEEFRADAR (incremento importante do percentil de alta)
15% queda | 40% estabilidade |45% alta


4)    HORA DO QUILO
“O dinheiro não se ganha trabalhando. Se ganha pensando” (Warren Buffet, investidor)

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Está com dificuldades para garantir o resultado financeiro da recria/engorda? Faça como o nosso companheiro Kaiko Santos! Para ele, “o BeefStats é uma ferramenta imprescindível para o pecuarista, é o plano de vôo para aterrisar tranquilo e calmo na tempestade”. Acesse o link
http://beefstats.com.br/arquivos/BeefStats%20-%20Historia%20de%20Sucesso%2001.pdf

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
George Soros diz que “ganha o jogo quem presta atenção no campo e não no placar”. É verdade! Mas, como estamos no intervalo do jogo, dá para olhar um pouquinho para o placar! A seguir apresento a variação percentual de várias referências pecuárias, entre a média do primeiro semestre de 2018 (01/jan a 28/jun) frente à média do mesmo período de 2017, respectivamente:

•    Indicador Esalq/BMF @ boi gordo (SP, AV, L): +2.26% (R$ 143,13 / R$ 139,96);
•    Indicador Front @ boi gordo (GO, AV, L): +5.25% (R$ 128,79 / R$ 122,37);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (BH, AP, L): +1.05% (R$ 136,77 / R$ 135,35);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Campo Grande, AP, L): +1.14% (R$ 132,73 / R$ 131,23);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Oeste RS, AP, L): -0.05% (R$ 147,54 / R$ 147,61);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Cuiabá, AP, L): +5.50% (R$ 133,66 / R$ 126,69);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Noroeste PR, AP, L): -0.52% (R$ 142,54 / R$ 143,29);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Marabá, AP, L): +4.11% (R$ 129,04 / R$ 123,95);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Rondônia, AP, L): +5.07% (R$ 130,74 / R$ 124,43);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Sul TO, AP, L): +3.14% (R$ 128,10 / R$ 124,20);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Oeste BA, AP, L): +1.45% (R$ 147,13 / R$ 145,02);
•    Indicador SCOT @ boi gordo (Oeste MA, AP, L): +2.50% (R$ 131,27 / R$ 128,07);
•    Indicador Front Brasil @ boi (AP, L, Scot/IBGE adapt): +1.19% (R$ 133,87 / R$ 132,29);

•    Indicador Esalq bezerro (MS, AV, L): +2.11% (R$ 1.152,11 / R$ 1.176,43);
•    Indicador SCOT bezerro (GO, AV, L): +13.21% (R$ 1.134,40 / R$ 1.002,00);
•    Ágio @ bezerro/@ boi (Indicadores Esalq bezerro e boi, AV, L): +15% (23 / 20);
•    Quantidade @ boi / bezerro (Indic. Esalq boi e bez, AV, L): -0,12% (8,22@ / 8,23@);
•    Indicador SCOT boi magro (GO, AV, L): +5.96% (R$ 1.812,40 / R$ 1.470,10);

•    Atacado Carcaça casada boi CEPEA (R$/kg, 30d de prazo): -1.51% (R$ 9,81 / R$ 9,86);
•    Atacado Carcaça casada boi SCOT (R$/kg, a vista): -0.53% (R$ 9,36 / R$ 9,41);
•    Margem Equivalente Scot Carcaça (%): -30,38% (14,78% / 21,23%) – reflete a margem de comercialização do frigorífico de mercado interno que não vende carne desossada;
•    Markup varejo Scot (adaptado, %): +0.62% (67,63 / 67,21)

•    Indicador Esalq/BMF milho (SP, AV, L): +22.72% (R$ 38,73 / R$ 31,56);
•    Relação de troca sacos milho/@ (Indicadores Esalq/BMF): -16.52% (3,74 / 4,48);

•    Volume da exportação total, ABIEC: +18.18%*;
•    Preço da exportação total, ABIEC: +2.57%*;
•    Faturamento da exportação total, ABIEC: +21.04%*;
* Obs.: variação entre a média do primeiro trimestre de 2018 frente ao mesmo período de 2017.

Peço desculpas pelo “mar” de números, mas o placar  do primeiro semestre (S1) deve abranger toda a cadeia da pecuária de corte! Em poucas linhas:

•    o boi teve variação nominal levemente positiva e praticamente em linha com o (baixo) índice de inflação acumulado de 2018 (que foi de +1.33% entre janeiro e maio). Vários estados do Centro-Norte, como GO, MT, PA, RO e TO estão tendo diferencial de base menor este ano, o que faz a variação nominal nestes estados beirar +5% e, portanto, acumular ganho real de valor;

•    o indicador bezerro, da praça MS, segue de perto a variação do boi gordo, mas este fato não é regra geral. Em estados como GO, p. ex., o bezerro teve alta expressiva frente a 2017 (+13%), muito acima da inflação. Obs.: idem para boi magro;

•    O atacado (carne vendida pelos frigoríficos) e o varejo estão com variações nominais levemente negativas, mas sem “desmatelo”. O que chama a atenção nesta parte da cadeia, foi a expressiva queda do indicador de lucratividade das indústrias (margem de comercialização - equivalente carcaça Scot). Obs.: lembro que não se trata de lucratividade absoluta, mas sim um indício, afinal este indicador não computa os custos;

•    Perda de poder de compra consiste com relação ao milho (não estava no radar);

•    Forte exportação no primeiro trimestre do ano, seguida de números bem menos expressivos, até negativos. Não computamos a análise dos meses restantes, pois o site da ABIEC ainda não os disponibiliza para download. Acrescento, porém, que não acredito nos números altamente negativos divulgados por outros órgão para os meses seguintes (cremos em erros de apuração/metodologia).

Em face deste placar, o que muda na sua estratégia para o segundo semestre? Acredito que ele será bem melhor que o primeiro, mas, sem potencial explosivo. A recomendação geral é: não deixe o cavalo passar arriado! Até a próxima semana!

Obs > foto em destaque: festa junina, que é talvez a única oportunidade em que o Agro, pela força cultural da data, chega até as crianças das cidades. É pouco, para termos #agrokids conscientes.

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