O médio prazo da arroba despiorou (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 1 de Maio de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Existe uma diferença entre melhorar e “despiorar”. A perspectiva da arroba “despiorou”. Vamos entender?

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”

Hambúrguer made in Brazil na América? Temos a melhor oportunidade da história para tal feito: oferta de gado gordo de final de safra, arroba competitiva em dólares, volume de entrega disponível, logística acessível de maneira inédita e qualidade excelente, afinal de contas, nossas fábricas não devem nada às de lá, como me disse um passarinho azul. Será?

2)    BEEFRADAR (incremento do percentil de estabilidade)
30% queda | 60% estabilidade | 10% alta

3)    O LADO “B” DO BOI
Nas últimas duas semanas vimos a chegada de mais uma crise, a política, somando-se às duas que lidávamos até então (saúde/economia), de modo que o temor pelo futuro do nosso mercado interno ganhou contornos institucionalmente dramáticos. Como reagiria o bovino?

Subindo! Com o dólar nos 5,20/5,75, nossa competitividade também foi mais alavancada. Em poucos pregões, vimos a entressafra ser novamente cotada na B3 próxima a R$ 200/@, e o spread com a safra melhorar um pouco, deixando a possibilidade de curva invertida (segundo semestre com preço menor que o primeiro) um pouco afastada por ora.


As preocupações com o mercado interno permanecem fortes, é claro, mas a “tábua da salvação” do dólar na lua, soa mais pesado, ao viabilizar mercados até então inatingíveis.

A Ásia tem um gap gigantesco de proteína, o qual ainda não parou de piorar (a peste suína africana está longe de ser resolvida). Esse cliente segue comprando volume e querendo um preço menor, fato normal. Há margem para acomodar.

Pipocam conversas de retorno às compras por parte da Europa (bem de leve), que agora passa pelo início da flexibilização do distanciamento social. Vários países miram seus canhões de compra para o Brasil, preocupados com a sua segurança alimentar (Perú, p.ex.). A interrupção da cadeia de suprimento da Índia ajuda bem em alguns mercados, como o Oriente Médio.

Por fim, os EUA convivendo com uma disrupção na sua cadeia de produção, abre uma perspectiva interessante e inimaginável, como a citada pela Mãe Dinah. A situação é tão séria que o Donald Trump se envolveu diretamente ao posicionar a indústria de carne americana como fundamental para a população da América.

Notícias dão conta que está feia a coisa por lá. O problema deles é sério devido a altíssima concentração de abate, p.ex.: apenas 20 plantas de suínos abatem 70% do rebanho deles, sendo que uma única planta chega a abater 4% do rebanho nacional. Recebi ontem a informação de mais um frigorífico grande parando, outro de suínos (de 2.200 operários, 900 testaram positivo). A situação de uma famosa planta em Greeley, no Colorado, também está complicada: depois de reabrir, dobraram os casos de funcionários infectados. Uma referência do setor me disse que o CEO de uma rede mundial de hambúrgueres nos EUA está preocupado com o suprimento de carne. Ele disse que por enquanto não teve falta, mas pode acontecer se providências não forem tomadas...


Dois sentimentos brotam destas notícias: preocupação e esperança. A primeira vem do fato de podermos enfrentar algo semelhante aqui. Importante: nosso desafio é menor, pois nossas plantas são muito mais pulverizadas, mas o risco não é zero. Na realidade, este problema já começou no RS. Preocupa sim...

A esperança vem do fato de que apenas o Brasil tem volume, competitividade e qualidade para entregar aos EUA, não só carne, mas sim o hambúrguer pronto. Nossas fábricas não devem nada as indústrias de lá, na visão do mestre Pedro de Felício, com quem conversei esta semana rapidamente sobre o tema. Na visão dele temos a MÃE DAS OPORTUNIDADES para entregar aos EUA, carne ou, novamente, até o hambúrguer pronto.

Imaginar que EUA e China podem demandar em volume nosso produto no segundo semestre, abre um dreno vital para suprirmos o gap de escoamento do mercado interno que certamente existirá, visto que o mercado será menor aqui. Para tanto, o Brasil poderia agir com proatividade, revisando a legislação do MAPA para o caso de termos dificuldades em plantas de abate. Trump fez isto de maneira reativa ao problema. Poderíamos nos posicionar de maneira proativa, inclusive dando segurança alimentar aos nossos parceiros comerciais. Tarefa para a competentíssima Ministra Tereza Cristina e “cia limitada”.

Enfim... Estão aparecendo sinais de que o somatório “demanda interna combalida + demanda externa recorde” pode encontrar um ponto de sustentação nos preços da arroba, revitalizando a curva do segundo semestre, mesmo porquê, tudo indica que teremos uma oferta reduzida de confinamento (a demanda dá o norte dos preços, mas a ajuda de uma oferta reduzida é sempre muito bem vinda).

Como o desafio de uma pandemia mundial não desaparece num passe de mágica, não dá para dizer que as coisas se resolveram e os mega desafios continuam. Mas, dentro deste contexto, já dá para dizer que “despioraram”, o que é ótimo! Até a próxima semana!

Fotos em destaque: a melhor rotina em termos de distanciamento social, com a família na fazenda.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



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