O curto prazo da arroba - 03.07.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 3 de Julho de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

“Demorô”! Desde meados de maio a arroba vem aquecendo sem ser incomodada, tendo partido dos R$ 200,00 até alcançar R$ 225,00 e lamber os R$ 230 pontualmente (SP). Então foi finalmente trucada, pois virou “gente grande”. E aí, o boi cai agora ou não?

Do lado da oferta, entendemos que nada deve mudar, aliás, há uma unanimidade com quem conversei: julho deverá ser um mês com oferta de boi gordo pior ainda que os anteriores.


No tocante à demanda interna, não creio em alteração importante porque seguimos sob o tenebroso manto da pandemia econômica, ao passo que a ajuda governamental segue irrigando a microeconomia. Mas, se alguma alteração for ocorrer, entendo que é mais provável ser positiva, visto que o percentual da economia em atividade tem aumentado gradativamente.

Resta analisar a demanda externa... A semana começou e terminou com casos de covid-19 nas indústrias frigoríficas e o temor de que o fato leve a restrições de exportação. É consenso que a China está fazendo averiguações mais minuciosas porque tem receio de retorno da doença através das cargas. O MAPA faz o mesmo, o que é positivo porque a “auto-suspensão” é mais facilmente revertida. Ainda tem a pressão do Ministério Público do Trabalho. Resultado: os dias estão nervosos quanto à covid-19, dado o altíssimo grau de interiorização do vírus no centro-oeste. Provavelmente vamos conviver com restrições pontuais. Os efeitos no mercado seguem a mesma linha (regionais), inclusive não se descartam mais habilitações para nossos parceiros no horizonte próximo. Em resumo: covid preocupa, mas não é (nem de longe) o “x” da questão.

O que haveria no radar para justificar a clássica “caixa de ferramentas” aberta: tentativa de compras de boiadas em volumes maiores a preços firmes para desafogar a (agonizante) escala; anúncio de pressão no físico; efetivação de pressão no mercado futuro; venda de carne mais barata e despejada no mercado interno por um grande player, fato que joga areia nos frigoríficos menores. O pacote de “maldades” veio completo!

Esta carne despejada me parece ter duas explicações: 1) estratégica, um recado do tipo: “tudo tem um limite, estou de olho”; 2) a crença deste player que o escoamento da exportação irá ser menor em julho e está redirecionando este volume para o Brasil. Qual motivo? Só vejo como possibilidade a questão de desacordo em preço de venda. Neste ponto, claro que há pressão por parte do comprador, mas será que a China perdeu a fome totalmente?

Caso a opção 2 se torne realidade (o que acho difícil), pode complicar, visto que o atacado está mais sustentado pela escassez e menos pela pujança da demanda. Se vier volume, os preços podem ceder. E se o atacado ceder, os frigoríficos de mercado interno saem de cena, abrindo espaço para os grandes “fazerem o serviço sujo” (que tanto gostam). A intenção dos fatos não deixa dúvida: é para fazer o boi “voltar para a casinha”.

A questão é: a pressão vai funcionar? Minha opinião: só funciona, se derramarem carne com força no atacado (altos volumes/preços baixos), principalmente pelo fato de que estamos com oferta restritíssima. Talvez tire o ímpeto da alta? Pode ser... A queda de braço vai ser muito grande e interessante de ser acompanhada!

Ah, um detalhe: caso não tenham êxito em derrubar a arroba, podem acabar por aquecê-la mais um pouco, oficializando os R$ 230 em SP! Até a próxima!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


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