O curto prazo da arroba – 30.10.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 30 de Outubro de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Como diria o paulistano do Bixiga: “o outubro é morto”! As atenções estão totalmente voltadas para o último bimestre, período de maior ebulição na pecuária na maioria dos anos. Vale examinar a tríade de pilares direcionadores de preço (demanda interna, demanda externa e oferta).

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A oferta, eu diria sem medo de errar, é a parte mais fácil de ser prevista, pois está dada e rasgadamente digo: não tem oferta suficiente de gado gordo para os próximos 60 dias. É a “chegada do boleto” de uma conjuntura de ciclo pecuário (abate de matrizes em 17/18; abates de novilhas por demanda de carne de qualidade) e de fatos que ocorreram em 2020, motivados pelo “coroninha”, cravado na história moderna da humanidade. O Brasil sente falta de produto em vários setores da economia e no agro não é diferente. Esta falta de oferta tem comandado os preços da arroba (e da carne) para cima!

A falta de oferta está patrocinando a alta observada no atacado bovino com osso pois menor oferta de gado, leva a um menor abate e finalmente menor produção de carne. De fato, a carne bovina no mercado interno está subindo na falta, no vazio. Claro que não é apenas isto, tem o corona-voucher, tem o estrondoso impacto no custo de produção de proteínas alternativas (frango, suíno e ovos), mas o fato é que tudo isto tem superado as mazelas econômicas do corona, de modo que menos gente come carne em boa quantidade, mas quem come, tem dinheiro para pagar mais. Parte da população foi para o frango, faz tempo.


Este cenário é desafiador para o consumidor, não resta dúvida. Mas o mercado encontra agora o melhor momento do ano para as vendas (nov e dez). Portanto, apesar das dificuldades econômicas, o preço tem encontrado sustentação e deve seguir assim. Há que se observar que uma parte da alta do atacado não está sendo repassada pela ponta final da cadeia (varejo) e isto cria um amortecedor que viabiliza a fervura de preços para os outros elos da cadeia da carne.

Na semana passada disse: “entendemos que este movimento do atacado, agora potencializado pela virada de mês, deve permitir mais rodadas de valorização da arroba no curto prazo
para a praça paulista, e principalmente para estados em que o diferencial de base ficou muito aberto, exemplo de GO”. Foi exatamente o que ocorreu nesta semana: o atacado segue em recorde de preço, trazendo SP para o patamar de R$ 275 a 280; GO para R$ 255 a 265; MT para R$ 265 a 275; MS para R$ 270 a 275, e por aí vai. Mercado firme e seguirá assim, até que...

Por fim, o dólar resiliente em níveis entre 5,50 a quase 6,00 tem permitido que esta menor oferta do produto “boi/carne”, seja também disputada por consumidores além-mar. E é daqui que vem a grande dúvida: como o preço da carne e da arroba se comportará caso o nosso maior comprador (Ásia, leia-se China) pise no freio das compras em algum momento do último bimestre? Eu diria que isto está acontecendo, já! Sem o dreno de exportação, haverá volume de carne direcionado para o mercado interno com intensidade capaz de reverter o movimento de alta desenfreada em algum momento de nov/dez? Ou isto somente ocorrerá em jan/2021? Nada sobe indefinidamente. É destas perguntas que derivarão os próximos passos da arroba.

E aí, chega no “trezentão” ou não? Estamos em linha com as maiores altas da história, a qual nos diz que o pico potencial máximo fica entre R$ 290 a R$ 311, como alertei há semanas. O boi vai respeitar a história (ficando entre R$ 290 a R$ 311), ou não vai adentrar esse intervalo mágico para o pecuarista? O mercado físico ainda não encontrou um teto, mas a B3 está demorando um pouco mais para digerir e ultrapassar os R$ 290,00/@. Olho atento!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



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