O curto prazo da arroba – 25.07.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 25 de Julho de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Estes dias mandei para os assinantes do Front uma analogia do mercado com a F-1: dois pilotos competitivos e habilidosos, lado a lado na grande reta, e acelerando (Senna e Prost). A primeira curva (bem fechada) está chegando e nada de ninguém aliviar o pé direito. Este é o mercado.

Todo mundo parece irredutível, querendo dobrar a aposta: o milho ignora a boa safrinha (o que mais tem é vendedor de milho “quiabando” as vendas realizadas com antecedência); os farelos proteicos firmes igual aroeira (sem falar nos ingredientes dolarizados); o bezerro segue focado no seu propósito de chegar à lua (e está executando bem esta empreita); a oferta de gado para abate não “alui” de jeito nenhum, mantendo as escalas em níveis críticos; o mercado interno está “sem força” no atacado com osso, deixando as indústrias que não exportam em saia justa (o preço da carcaça parou de subir e endossar o aquecimento da arroba há algumas semanas); a exportação faz com maestria o papel de dreno de mercado interno, colocando o mês de julho como candidato a bater o recorde histórico de volume embarcado de out/19.


Há novidades: no mês de julho o preço do suíno disparou nas granjas (alta de 34%, dados Scot) e está acompanhado de recordes nominais para o frango ao produtor. Isto melhora a competitividade da carne bovina (dianteiro) frente aos concorrentes.

Mas a melhor novidade da semana foi a bolsa retirar o deságio que vinha colocando na curva futura frente ao mês presente. Não era incomum o mês de outubro estar R$ 4 ou mais abaixo do indicador. Esta diferença se reduziu e os níveis de preços da curva toda atingiram níveis compatíveis com os maiores do ano. Não há ágio para o pico da entressafra, mas já é algum alívio.

Já que está na moda, vou dobrar a minha aposta: continuo acreditando na sazonalidade histórica da exportação como a provocadora do próximo passo da arroba. O mercado interno não está mais determinando o destino da arroba como fazia outrora. Estamos numa nova dinâmica: a exportação cresce de importância na precificação da pecuária do Brasil, ainda mais acompanhada de uma oferta extremamente reduzida. Fica o alerta: proteja-se, pois sempre há sinal de volatilidade no mercado internacional.

Este “novo normal” também afeta, em minha opinião, nosso cliente interno: parte da população está comendo bem menos carne vermelha do que gostaria, ou talvez não está mais comendo. Vai comer carne vermelha, quem tem mais dinheiro. Nosso produto está ficando cada vez menos acessível para as camadas menos abastadas da população, processo que não é novo, mas que está sendo fortemente acelerado neste maluco e indecifrável ano pandêmico.

Para a sua sorte, pecuarista, penso que um boi gordo está ficando mais próximo do que se entende como “artigo de luxo” (principalmente o engordado a pasto). Até a próxima semana!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



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