O curto prazo da arroba – 20.06.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 20 de Junho de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Tudo o que foi descrito na semana passada segue inalterado. O que mudou foi a intensidade do movimento, que ganhou contornos brutais.

Do lado da oferta, afirmo que ela segue totalmente restrita, pois de fato o volume de animais prontos é pequeno, mas além disto, o pouco (ou pouquíssimo?) volume pronto, não é ofertado porque o pecuarista “fica na moita”, aguardando o preço dos seus sonhos se tornar realidade. O problema é que o sonho quer dobrar a meta a todo instante em que é realizado (como dizia alguém, credo). Resultado: a torneira custa a pingar boi gordo. Diria que quase secou. E deve seguir assim por mais algumas quinzenas.


Do lado da demanda, impressiona como os frigoríficos estão agressivos na compra. O mercado interno permanece aquecido, puxado pela escassez. O consumo melhorou com a reativação da economia, mas o ponto fundamental é o fato da carne ser “pouca” para atender o mercado. Caso a disponibilidade aumente, a situação muda pois a situação do brasileiro não está fácil. Porém, não vemos possibilidade de aumento de produção de carne agora, mas fácil diminuir mais um pouco.

O frigorífico exportador segue enviando volumes bons, mesmo sem a presença forte da China, que está menos pujante nas últimas semanas. As economias seguem reabrindo ao redor do globo e o dólar ajuda (apesar da alta volatilidade). Dado a agressividade destas indústrias, temos a impressão que elas estão numa espécie de “short squeeze sertanejo”, que é quando existe falta de oferta e excesso de demanda por um ativo (no caso a carne). Como há entrega física envolvida (contratos fechados), a indústria tem voracidade na compra e o preço deste ativo (boi) sobe rapidamente. Não temos nada que aponte uma forte alteração desta situação nos próximos dias. O mundo precisa do Brasil para comer pois somos o hipermercado do mundo (único com volume, preço bom e que permaneceu aberto durante a pandemia).

Desta forma, o físico segue na frente, sendo seguido mais de perto agora pelo mercado futuro. Olho atento nas oportunidades que a B3 pode lhe entregar, porque não é hora de “abaixar a guarda” da proteção da arroba, porque nada sobe indefinidamente. A arroba não achou o teto, mas uma hora vai achar. Até onde tudo isto vai? Com a palavra: a carne!

Alertamos os assinantes sobre o erro mais comum que os pecuaristas fazem em dias como os vividos agora. Até a próxima!

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