O curto prazo da arroba – 19.07.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 19 de Julho de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

A ferrenha queda de braço entre pecuarista e indústria persiste. A oferta segue muito ruim, mas é bem verdade que em meados da semana a praça de SP aumentou a fluidez de negócios pontualmente. Em outras localidades, a semana inteira foi de baixa liquidez. Novas máximas ocorreram, como no Tocantins, no entanto, na maioria das praças não houve renovação delas (elas também ficaram menos frequentes). De toda a forma, terminamos a última sexta com o maior Indicador do boi gordo desde 18/12/19, máxima nominal do ano.


A exportação segue a mesma “tuada”: muito bem, obrigado! Outra que segue igual é a demanda interna, para a qual não vemos grandes alterações no radar de curto prazo. Estamos passando pelo meio de mês, pior momento para a venda de carne, questão sazonal esperada. O atacado quis dar uma “bambeada”, mas não teve como. O produto está escasso. De toda a forma, a carne estabilizou, consolidando o papel do mercado interno como limitador da arroba.

Em consequência do boi gordo ter sido segurado na marra, o agendamento de abate atingiu níveis para lá de críticos em diversas localidades. “Passaram uma peia” na arroba, mas a escala veio no chão. E agora? Para onde vamos?

A arroba não sabia o que ia ser quando crescesse, porém cresceu e agora tem que decidir qual caminho seguir. Parece um adolescente que não sabe escolher ao certo qual faculdade irá cursar após terminar o ensino médio. O mercado está travado. Quem destravará?

Um pouquinho adiante (agosto/setembro), a oferta pode melhorar? Sim, creio numa oferta melhor em agosto, mas como seguimos com a “tríade do mal” do confinamento, não acho que haverá boiadas em fartura plena neste ano. *Obs.: a tal tríade é composta de insumos de nutrição caros, boi magro na lua e uma curva futura com deságio. A tríade estava presente em abril e olha o que deu em julho. Estamos em julho com as mesmas dificuldades, e, portanto, cravando um novembro complicado, para quem compra a arroba.

A oferta deve melhorar um pouco (mesmo porque está crítica), mas e a demanda? Se a sazonalidade de exportação revelada pelo nosso passado tornar a ocorrer em 2020, mesmo se tivermos alguma melhora na oferta daqui algumas semanas, o destino dos portos garantirá o dreno da produção.

Algo tem que mudar para destravar o mercado. Oferta? Demanda interna? Ou demanda externa? A alta da arroba madurou, de modo que agora ela está a procura da notícia nova que tornará a alterar os preços. Minha aposta: é mais fácil a novidade vir da demanda externa e, no caso, ser positiva. Talvez antes poderemos ver um pequeno suspiro (aumento) da oferta.

Sei não... está pintando um cenário bem típico para os anos posteriores aos grandes choques de preços da arroba: um ano muito firme, sem pressão negativa na safra mas sem explosão forte na entressafra. Por acaso esta era a nossa previsão mais provável, confira o que dissemos aos assinantes do Notícias do Front em 14/02/2020: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/cenarios-para-a-arroba-em-2020-%E2%80%93-140220-front/ . Até a próxima semana!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.