O curto prazo da arroba – 18.04.20 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 18 de Abril de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Esta semana começou de um jeito e terminou de outro. O mercado amanheceu segunda com um forte pessimismo vindo notadamente das notícias de interrupções na indústria de abate norte americana devido à interiorização do coronavírus, que passou a abranger também a área rural daquele país. Aos poucos isto foi dissipando e voltamos ao que sinalizávamos aqui...

Vemos entre 2 a 4 preços de arroba numa mesma praça de maneira escancarada, fruto da coexistência de dois mercados completamente diferentes. Os frigoríficos de mercado interno sentem mais fortemente a crise e ofertam entre R$ 5 a 10/@ a menos no balcão. Sabendo disto, é comum estas indústrias receberem ofertas de boiadas mais eradas por parte dos invernistas.


As plantas exportadoras também tem preço “desagiado” para o boi erado, mas na maioria das praças, este boi não entra em volume. De outra sorte, estas unidades caçam (literalmente) o boi novo (padrão chinês de idade máxima J4). E este bovino não é farto, tanto é que além do sobrepreço, não raro, ele tem viajado muito mais em cima de caminhão para que a indústria consiga “aproveitar esta carne” para a exportação.

A realidade é que a “safra ainda não entrou” para valer. Apesar do fortíssimo chacoalhão de janeiro e março, o boi ainda não colocou a cara para fora do buraco. Quer uma prova? Resp.: mesmo com o atual abate em volume claramente menor, vemos uma certa sustentação dos preços da arroba nos últimos dias (o Indicador Esalq/B3 não arredou o pé de perto dos R$ 200 em SP, por exemplo). As praças estão mais pressionadas, contudo (risco de base está maior).

Vimos uma rápida resposta da indústria frente à forte mudança de canal de vendas interno (saiu o food service, entrou o consumo doméstico, privilegiando cortes mais baratos). Isto prejudicou o mix de venda, mas manteve em certa medida o fluxo comercial. Esta benesse aliada a uma menor dinâmica de abate e ao bom dreno do volume exportado (China, Oriente Médio, p.ex.), acabou por sustentar o atacado interno, permitindo entrarmos num certo equilíbrio momentâneo, tênue, mas há sinais claros que uma janela comercial está fluindo.

Caso isto continue no curto prazo, e sem novidades ruins, podemos seguir neste equilíbrio por algum tempo. Porém, caso a oferta aumente, a arroba tem potencial para sentir. Não vemos no radar uma enxurrada de oferta, mas temos que respeitar o final de safra...

Enquanto isto, no (estreito) universo da B3, não se enxerga nada além de um palmo a frente do nariz, ou seja, nada além de 15 dias (mês presente). A bolsa projeta perda de R$ 10/@ nos próximos 45 dias e uma entressafra invertida (R$ 7 baixo do físico de hoje). Resultado: o pecuarista está desistindo de confinar, fato mais relevante da semana. Como tomar a decisão da forma correta? Sobre isto tratamos no Front Premium (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/noticias-do-front/)!

Até a próxima!

Fotos em destaque: a última entrevista antes do distanciamento social e um março/abril abençoado por chuvas...

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


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