O curto prazo da arroba – 10.07.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 10 de Julho de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

E não é que a queda de braço no boi gordo que estava anunciada veio mesmo? Dissemos na semana anterior que havia no radar de curto prazo uma sequência de atitudes por parte da indústria com a finalidade de fazer o boi “voltar para a casinha”.


Ao longo da semana, apareceram preços balcão com reduções de até 10,00/@ (na maior parte dos casos as tentativas foram de até R$ 5,00/@). E o que se viu então? Um volume de negócios muito fraco, fato que fez as escalas da próxima semana encurtarem dramaticamente.

O pecuarista segue rechaçando preços menores, pois sabe que a mercadoria pronta é, de fato, pouca. A oferta segue colapsada, ao passo que a demanda interna pulsa sem grandes alterações (com a esperada variação sazonal intra-mês). Do lado externo, o volume drenado para fora do País segue muito bom, porém com níveis de preços inferiores.

Durante o mês de julho, não está sendo visto no atacado da carne o mesmo nível de aquecimento visto em junho. Este foi o gatilho para os frigoríficos começarem a se posicionar para de alguma forma atenuar (ou até eventualmente reverter) a fervura da arroba, aliado aos valores menos pujantes da tonelada exportada.

Pode-se dizer que, até agora, a primeira semana da “peleia” trouxe uma (quase) interrupção da escalada de preços da arroba. Renovações de máxima ainda existem, mas a pujança está menor! Isto a “operação abafa” feita pela indústria já conseguiu realizar. Porém, foi conseguido às custas do comprometimento da escala futura, trazendo a próxima semana para uma realidade de bois agendados para lá de crítica.

Como a margem está menor do que já foi no passado recente e não há boi gordo para “tocar a operação full”, imagino que a indústria vai começar a tirar o pé do abate (pulando e/ou abatendo menos). Isto é saudável, um movimento de gerenciamento de margem, mesmo que aos olhos de quem vende boi, possa soar com, digamos, alguma repulsa, agressividade, rivalidade, etc.

O abate um pouco reduzido deverá enxugar ainda mais o atacado da carne. Caso este enxugamento provoque disputa pelo elo seguinte, poderemos ver preços melhores no atacado e aí sim, uma nova rodada de alta na arroba poderá aparecer. Caso contrário, a arroba estabiliza, até que a oferta se normalize e possa pressioná-la, o que não é o caso agora, apesar dos sonhos da indústria frigorífica.

Três conclusões ficam cristalinas: 1 - é muito difícil reduzir a arroba num cenário de absoluta escassês de oferta; 2 – a demanda é proponderante para ratificar o direcionamento de preços que a oferta curta sugere; 3 – nada sobe indefinidamente se não tiver acompanhado de equilíbrio de margens ao longo da cadeia e isto pode não ser “gostosinho”, mas é saudável. Até a próxima semana!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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