O curto prazo da arroba – 09.05.20 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 9 de Maio de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

O mundo inteiro está tentando “achatar a curva”... pois bem a pecuária conseguiu, e com duas! A primeira curva achatada é a curva dos abates. Estamos em maio, onde geralmente ocorre pico de oferta de animais terminados, mas não é o que estamos vendo. Desta sorte, não há como uma onda de baixa “engatar” para valer, e o boi segue apenas R$ 3/@ na média Brasil* abaixo do nível em que iniciou o presente ano. *Obs.: dados Scot/IBGE adaptados.

Como dissemos no episódio anterior, a compra de gado flui melhor em algumas praças (SP e MS, p.ex.), ao passo que em outras, a escala não segue a mesma tendência, firmando preços (PA e GO, p.ex.). Em âmbito nacional, não vemos “enxurradas” de bois prontos, porém há potencial de ajuste negativo em determinadas localidades.


Tivemos vários estímulos para o boi “dar a cara” devido às tentativas de amolecimento de preços, a saber: em janeiro com o problema da China, a seca antecipada no sudeste e pandemia. Até agora, nada. O último teste iniciado agora é o frio (mercado de clima).

Seguimos vendo a coexistência de escalas mais longas com a manutenção da “vontade de compra”, fato interessante que decorre de dois fatores. Primeiro, vem a resiliência do mercado interno em consumir, apesar do hercúleo aperto de renda. Aprendemos que na guerra, diminui-se o consumo do supérfluo para focar no básico (onde se destaca o dianteiro bovino). O Dia das Mães colabora, pois é a segunda melhor data de venda da carne no mercado interno.

Em segundo lugar, a exportação segue de vento em popa, forte para a China, mas também agora acompanhada da fome do EUA que flerta com desabastecimento. Até a Europa começa a sondar reinício de compras. Colabora cabalmente o fato do Real ter o pior desempenho do mundo frente ao dólar no passado recente (somos a “xepa” do mundo).

Finalizo dizendo que se o bovino não aparecer agora, “amarra as carça”. A reposição e o milho aquecidos deixam a perspectiva de oferta para o segundo semestre muito pior e isto não faz sentido com a curva de preços para o final do ano, a qual também está achatada (achatou tanto que está até invertida – entressafra menor que a safra). A demanda estará sucumbida, mas não podemos esquecer da profunda alteração da cesta de compras do brasileiro, dita acima. Isto muda o jogo! Se a catástrofe da demanda for um pouco menos pior, pode falta a mercadoria como nos velhos e bons tempos em que só se tinha boi a pasto.

Espero que não haja um terceiro achatamento de curva: a curva dos preços de suas vendas! Nos vemos no Front Premium onde daremos uma olhada no quê os frigoríficos dizem ao mercado financeiro (link disponível EXCLUSIVAMENTE para assinantes em 09/maio e para não assinantes a partir de 16/maio): https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/noticias-do-front/. Até a próxima!

Fotos em destaque nos episódios da semana: tem muita gente “peleando” para sair da crise. Ela é implacável mas o seu destino segue nas suas mãos.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


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