O curto prazo da arroba – 07.12.19 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 7 de Dezembro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Depois de 18 semanas e quase R$ 65 de recuperação de valor, a arroba média do Boi Brasil teve queda semanal de R$ 11: encerramos a semana em R$ 196,41/@ a prazo (dados Scot/IBGE adaptados), terminando a maior e mais intensa “pernada” positiva do boi do nosso passado recente, poucas vezes vista na história. E aí?

O que se viu então nos grupos de pecuária foi uma avalanche tão intensa quanto a alta, caracterizada por um misto de lamentação, frustração, revolta, etc... Frases como “acabou o sonho” ecoaram. Muita gente, atuou como torcedor de futebol e não como gestor.


Interessante notar, que pouquíssimos aproveitaram a curva de preços da B3. De fato, a intensidade da alta dificultou este aproveitamento, seja por deixar a VOL das opções impraticável (nível superior ao da carne fraca), seja por não ter contrapartida do termo por parte da indústria, seja por não poder vender no mercado futuro e “tomar” ajuste negativo, e por aí vai. De fato, poucos usaram a B3 para travar a venda 2020, mas paradoxalmente muitos se assustam quando ao ver a bolsa recuar forte. Uai? Faz sentido?

Testamos o limite do mercado interno (ganhamos a manchete da mídia, milhares de memes e os holofotes do varejo), testamos o limite das exportações, testamos a intensidade de uma alta, represamos parte dos animais prontos e renovamos todos os recordes possíveis.

Ofertamos ao mercado o saldo de animais prontos de uma vez. Não são muitos, de fato, mas saímos de uma sub-oferta artificial para uma marolinha de final de safra. Isto tem reflexo. Ainda bem que foi em dezembro, com o “péssimo terceiro” entrando e com o dólar valorizado. Não se esqueça que o boi pode ceder, apesar de não termos boiadas prontas em excesso.

Calma. Nada sobe indefinidamente. Da mesma forma que houve excessos enquanto a curva era positiva, haverá exagero para baixo. Não se deixe levar pelo desespero de quem só torceu (e não aproveitou a alta) ou pelos discursos repletos de interesses.

A água está turva. O boi busca um equilíbrio no mercado físico e futuro. O pique da alta foi perdido, fato, mas não será fácil “derreter” o bovino agora pois o poder da negociação, durante a engorda a pasto favorece o pecuarista. Não creio que a reposição cederá muito (talvez quase nada), dando suporte à arroba.

A indústria vai ficar na retranca até meados de janeiro, pois a produção de final de ano está encaminhada (MI e exp) e a esperada ressaca de consumo pós-festa está no radar. Negócios pontuais em níveis semelhantes aos recordes, para fechamento de produção no apagar das luzes de 2019, são possíveis. Mas agora é hora do pecuarista ficar #foradasvendas. Se esta “tarefa de casa” for feita, quem sabe boas surpresas apareceram antes do que imaginamos (o pregão de sexta já demonstrou isto).

Esquece o boi agora! Os fundamentos permanecem: teremos um 2020 excelente. Falando em fundamentos, o Front Premium entrega um compilado sobre o que foi dito de mais importante no excelente evento Encontro de Analistas da Scot Consultoria. Até a próxima!
 
Fotos em destaque: imagens da semana, com a família na Fazenda e #foradasvendas.

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