O curto prazo da arroba – 02.10.2020 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 2 de Outubro de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Não tem jeito: o curto prazo da arroba é sempre o maior dos mistérios para todos analistas de mercado e também um enorme desafio para o pecuarista. Eu tinha entendido que o mercado poderia dar uma acalmada na primeira quinzena de outubro, mas não deu. A sandália da humildade é a única certeza quando se lida com mercado.

Novos preços foram aparecendo ao longo da semana, tanto no mercado físico, quanto na B3 que “supitou mais um tanto”, ajudada pelo dólar que deu uma estressada por motivos internos (origem do financiamento de programas assistenciais do governo).

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O que de fato impactou o mercado não foi a oferta (que segue estreita, muito embora um pouco menos em outubro). O agito das telas do homebroker e de novas máximas do físico de SP, GO, MS (para citar alguns exemplos) veio da demanda externa, patrocinada pela “fome” das indústrias exportadoras. O mercado interno é um terreno bem menos efervecente para as indústrias não exportadoras, apesar da demanda ter saldo bem mais positivo do que se imaginara (férias coletivas, fechamento de plantas, reduções de abate estão em rota nestes locais, vide o que ocorre em RO).


A “rádio peão” tem divulgado com frequência um possível aumento na lista de plantas habilitadas para China, o que elevaria a pressão de compra. Mas, aí veio a quinta-feira, com a divulgação do volume de carne in natura exportada em setembro, sendo 12.8% abaixo de agosto e apenas 3% acima de set/19. Será que esta redução preocupa? Minha opinião: não! Por diversos motivos, elencados abaixo:
1.    Nossa produção de carne está menor, devido ao menor volume de abates (-8% do T2). Como vender em volume altíssimo o que não está sendo produzindo na plenitude?
2.    Alguns citam a alta volatilidade do dólar como um dificultador dos embarques recentes;
3.    Com o preço do atacado interno no topo histórico e o menor ciclo financeiro (venda/recebimento) das vendas domésticas, alguns mercados externos deixaram de ter atratividade para alguns cortes, reduzindo volume total embarcado;
4.    A perspectiva real da oferta futura (nov/dez) ser pior que a de agora desencoraja o ato de ser contratado para entrega de grandes volumes de carne (frigorífico mais receoso);
5.    Olhando a dinâmica de vendas do ano passado, é normal termos variações mês a mês;
6.    Dificilmente teremos a loucura dos preços de venda para a China vistos em nov/19 (US$ 7.000/ton) por vários motivos, dentre os quais destaco: estoque chinês menos descoberto e importadores mais receosos quanto a volatilidade da carne. Mas, de toda a forma, a sazonalidade de compras indica aumento de demanda para compor estoque de passagem de final de ano do País asiático, elevando os embarques agora.

Em resumo, não teremos a pujança da festa de 2019, mesmo porque, a abertura de novas plantas aptas a exportar pode acalmar os preços da carne vendida pelo Brasil. Mas a exportação seguirá firme, claro desde que com a boa parcela de ajuda do câmbio e do nosso governo.

Até onde vai a alta da arroba? Ninguém sabe, ou melhor, o seu avô já sabia... Lembra das relações históricas (dois sacos de milho = 1 saco de soja / dois sacos de soja = 1 arroba de boi)? Milho próximo de R$ 70,00/sc; soja R$ 140,00/sc e boi R$ 280/@? Nos meus gráficos sertanejos, eu via R$ 250,00/@ como resistência em 2020, mas ela foi patrolada. As próximas grandes resistências são R$ 290,00, R$ 305,00 e R$ 310,00/@. Só não esqueça de se proteger para o caso de alguma reviravolta inesperada.

Segue o jogo!

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