O clima mudou, mas não está derramado (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 18 de Abril de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

No Pará, diz-se que algo “está derramado” quando exagerou em algum movimento, por ex.: para um bêbado caído na sarjeta, pode-se dizer que ele “está derramado”. O clima mudou para o bovino mas não está “derramado”! Vamos dissecar o curto prazo da arroba?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Depois de nove semanas em rota de recuperação, a arroba média do Brasil recuou nos dados da Scot/IBGE adaptados, acompanhados pelo Front: foram R$ 0,19, rebaixando-a para R$ 146,50 a prazo (depois de 07/fev, foi o primeiro recuo semanal). No último Front, o status do BeefRadar alertou os leitores Premium com o primeiro aumento do percentil (ou chance) de baixa da arroba, depois de longas semanas. O movimento de recuperação cansou. Por que?


Porque de fato, as mesas de compra de gado gordo compraram com mais fluidez (notadamente fêmeas em algumas praças). Para quem estava com a “língua preta”, começar a segunda com a escala semanal pronta, é algo aliviante. Didaticamente o mercado achou o teto (R$ 160 em SP e R$ 150 em praças próximas), estabilizou e está ensaiando o recuo. Vai comprar no recuo? Mais a frente eu digo minha opinião! Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“A arroba gorda deu uma "balangadinha". Haverá reflexo relaxamento da reposição? Depende do grau da balangada, mas isto tende a produzir efeito de curto prazo apenas no gado erado para confinamento. Nas categorias mais novas, não creio. A rota segue aquecida (ou enlouquecida?)”

3)    BEEFRADAR (Inversão total de tendência, focando estabilidade/queda)
42% queda | 38% estabilidade | 20% alta

4)    HORA DO QUILO
“Sendo minha culpa ou não, a melhor forma de resolver um problema é assumir a responsabilidade por ele” (Gigi Chao, empresária).

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
“Nunca tivemos tantas informações, tecnologias, processos, etc... Porque ao longo dos anos, então, o resultado das fazendas não melhora, mas sim, só piora? Um terço das fazendas acompanhadas pela Inttegra tem prejuízo! Porquê”? (Antonio Chaker, no Evento Scot, no início do mês). Em breve um resumo desta palestra esclarecedora para os assinantes (Front Premium).

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
O pecuarista estava incomodado há alguns dias e o movimento de preço da semana potencializou este sentimento de “incômodo”. Vamos acalmar o seu coração, mergulhando no curto prazo da arroba!

Sim, no mercado físico, vemos um recuo em início de curso, ainda muito heterogêno, até mesmo dentro do mesmo estado (ex.: MG e MT tem praças em direções opostas). O destaque de queda mais acentuada é GO e norte de MG, contrastando com BH, oeste BA, SC, MA, sudeste do MT, TO e RJ, todos ainda estão em ascenção de preços.

A heterogeneidade do ponto de vista geográfico, também se reflete no Indicador Esalq/BMF da última quinta-feira (18/04), que encerrou a semana lambendo o recorde nominal da história, subindo R$ 5,20 um dia depois de cair R$ 2,90. Os R$ 159,20 do dia 18/04 estão tão errados quanto o R$ 154,00 do dia 17/04... A média fica até “no jeito”, rs. Mas, volatilidade sem nexo à parte, o clima deu mesmo uma mudada (como diz o título deste).

“Mudar o clima” é uma coisa, mas você há de concordar que não há “derrame” (ou “desmantelo”) na arroba!

Ofertas indecentes tendem a não funcionar neste momento, porque carecem de um período “estiado” (sem chuvas) e de temperaturas mais baixas para assustar o pecuarista (já disse isto aqui antes). Portanto, neste momento, vai comprar no recuo, aquela mesa de compra que não exagerar na pressão. As que seguem esta linha estão comprando no recuo, porém as máximas de mercado das semanas anteriores ainda são vistas, como por exemplo em SP (o boi de R$ 159/R$160 aparece, mas com muito mais dificuldade). Por isto dizemos: não há derrame!

O desmantelo não existe, pois, do lado da ponta vendedora, os pilares da pastagem e da reposição aquecida, endurecem o coração do pecuarista na hora de negociar. Além disto, este final de safra deve se estabelecer com maior plenitude apenas para “as bandas” de junho (a safra está tardia).

Nos últimos dias, os inúmeros focos de peste suína da China ganharam um aliado para chacoalhar as expectativas do mercado: os atrasos da reforma da previdência. A cada sessão que posterga a bendita reforma, o dólar sobe, já posicionando o dólar futuro (DOL K19 – maio) na casa dos 3.90! Fechando o cenário macroeconômico, a semana se encerra com uma suposta paralização de categorias relacionadas aos fretes, prevista para o final deste mês. Turbulências internas reforçam a onda de valorização da moeda americana. Isto nos importa?

Sim, pois deixa os produtos do agro mais baratos aos olhos do comprador de “além-mar”. Bom para o boi e quem sabe, no seu devido tempo, pode ajudar a estancar a sangria do milho...

Por falar em boi e milho, consolidando tudo o que está posto acima, o mercado futuro colocou o bovino na máxima do ano e o cereal dourado na mínima. A relação de troca usando o contrato futuro do boi e do milho de outubro e setembro, está posicionada perto das 5 sacas por arroba. Afirmo que este nível de troca é raro no mercado dos últimos anos. Esta e mais duas outras oportunidades que a bolsa lhe oferece neste momento estão detalhadas no “Mexendo na bolsa” que gravei com o Leandro Bovo no fechamento da quinta-feira Santa (18/abril). Está imperdível! Inclusive lembramos de uma operação recomendada há alguns dias e que já está dando lucro para quem teve atitude. Segue o link:
https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/mercado-minuto/

Indiferente a tudo isto (e dentro do que se espera para o seu papel), a indústria tenta iniciar o conhecido período de recomposição de margens, adquirindo uma arroba mais em conta no final de safra... O atacado, inclusive, se fortaleceu neste meio de mês, ignorando o período mais crítico de consumo interno, ajudado neste sentido pelo feriado da semana santa e logo mais do dia 01/maio. Mas não há muito espaço para mexer na carne. Resta tentar derrubar os preços da arroba para recuperar o nível histórico de margem, ao menos. É o que a indústria (responsavelmente sob a sua ótica) vai tentar fazer.

A “operação sábado de aleluia” foi exitosa. Na semana anterior, ela tentava fazer (alongar) a escala para que ela encontrasse a sexta (19/04), na qual em geral não haverá abate. Esta estratégia produz um efeito mental de “escala longa” e de fato, houve uma balançada no mercado.

E já tem outra operação no balaio: a “operação agulha”. Explico melhor: mais do que depressa (e a todo custo), a indústria tentará fazer a escala de abril alcançar o dia 30/04, para pode anunciar: “o mês de abril está cheio. Só preciso de boi para o dia de 02/maio em diante”. Normalmente há uma movimentação de antecipação de venda por parte do pecuarista para este tentar economizar o valor da dose da vacina de aftosa... Quem sabe, ainda com uma minguada das chuvas e da temperatura... A esperança das salas de compra de gado do Brasil é que isto ajude a potencializar a atual balançada da arroba, a qual, por ora, ainda não está muito efetiva como dito antes (e como foi previsto por nós).

O quê tem de mal em tudo isto? Nada! Não cabe ao pecuarista julgar! Cabe ao pecuarista entender, “antecipar a jogada” e se proteger. Não há novidade qualquer aqui, ainda que, na prática, esse raciocínio seja mais escasso que gordura de cobertura em algumas carcaças por aí. Até a próxima semana!

Fotos em destaque: fotos das andanças Brasil afora, palestrando: um voo de baixa lotação (quase particular) pego por mim em algum lugar do Brasil; a placa que alerta para o que deve de fato assustar; uma homenagem ao carro de boi no Hotel Orla Morena de Campo Grande/MS; o pH da carne no Instagram do amigo Roberto Barcellos (@rrbarcellos). Detalhes no nosso Instagram @noticias_do_front.

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