O clima falou mais alto em 2021 (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 14 de Agosto de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Como é nosso costume no MiniFront, fazemos um consolidado dos acontecimentos mais importantes na semana e os amarramos com possíveis desdobramentos nos preços de curto/médio prazo. Vamos lá?

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Além do retorno da viabilidade de proteção das arrobas do segundo semestre através das PUT (alertada aos assinantes na quarta) e da altíssima temperatura política que não deixa o dólar arrefecer (dentre outros motivos), listo dois fatos importantíssimos e conexos:

1)    China: vivemos um período de extrema especulação sobre o nosso maior e mais importante cliente (tanto em volume, quanto em preço). Há alguns dias, a especulação era de que mais plantas frigoríficas seriam aprovadas e que isso aceleraria a demanda de proteína (isso ainda pode ocorrer). Incrivelmente, agora a prosa é no sentido contrário: a desaceleração econômica no gigante asiático, escancarada no arrefecimento de preços de todas as commodities (das metálicas até agrícolas) e mais recentemente patrocinada por ocorrências da cepa delta, especialmente nos portos, aliada à tentativa de tratar a covid com “tolerância zero” (diferente do mundo ocidental que dá ares de endemia para a pandemia), potencialmente trás medidas restritivas que significam menos atividade econômica e consequentemente menos demanda, inclusive de proteína. As perspectivas, passaram da euforia para a preocupação. Até agora, entretanto, apenas algumas indústrias se mostram frustradas com recente ritmo dos pedidos (o início de agosto está espetacular, inclusive). Na melhor das hipóteses, a preocupação está fortemente no ar. Quando a esmola é demais, o santo desconfia?

2)    Escalas: depois de uns “bons dois/três anos”, vemos pecuaristas em pleno meio de agosto escalarem animais com até 60 dias de antecedência (SP e GO tem muita oferta de confinamento e o mês de outubro é o destino das vagas de abate). A causa desse espantoso fato é o tal boi de parceria (boi de contrato) e, por assim se dizer, boi a termo. Em resumo, digo que os frigoríficos se prepararam visando garantir matéria-prima para um período potencialmente dificílimo em termos de originação de gado, seja pelo preço da reposição, seja pelo alto custo dos insumos de confinamento. Mas esse tempo difícil parece que não virá antes de novembro, incrivelmente, e o motivo é o clima! O clima seco e frio (carregado de geadas sequenciais históricas) falou mais alto que o milho (e demais insumos) caros. Na eminência de ficar sem pasto, sem insumos e até sem água de bebida, o cocho foi a única saída, como falamos aqui há duas semanas  (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/so-tem-uma-porta-de-saida:-o-confinamento-minifront/). E isso fez toda a diferença, diria inclusive que esse é o grande aprendizado em reforço desse ano, para quem teima em não aprender a lição: o clima sempre falará mais alto porque o pasto é a base da pecuária!


Mas, e daí? Qual é a conexão entre os dois relevantes fatos citados? Explico: ter um problema de demanda com trinta, quarenta ou até sessenta dias de escalas encaminhadas (não completamente prontas, repito, mas muito bem encaminhadas) é muito diferente e terrivelmente pior do que ter esse mesmo desafio de demanda com uma semana de escala, padrão que vivemos nos últimos anos. Digo isso em tom de alerta para que você se proteja! Algumas pessoas se esqueceram desses tempos... não enfrente isso de peito aberto!

O canal de estabilidade em que o boi se encontra é muito consistente e seguirá adiante até que algo de novo apareça na tela do radar. Qualquer tentativa de baixar o preço da arroba em 2021 não será fácil de ser exitosa. Há margem na operação de abate, notadamente exportação e não temos pressão hoje (por ora). Mas se a demanda patinar (principalmente no setor que mais oferece margem - exportação Ásia), e as escalas de fato entupirem as programações de abate em abrangência nacional, reflexos em preços podem ser muito importantes.

Proteção é absolutamente bem-vinda! Essa é a conclusão, alertada aos assinantes e que reforço aqui! O gado de abate do segundo semestre da Fazenda Terra Madre, local onde praticamos o que pregamos, já tem a sua proteção totalmente executada.

Saúde em excesso, Rodrigo Albuquerque

Disclaimer: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/retenção/compra de qualquer ativo, título ou derivativo agrícola, ou ainda como recomendação de investimento, mas sim, deve ser entendido meramente como opinião pessoal na data da sua publicação.

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