O brasileiro ama carne? (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 21 de Dezembro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

“Na hora de passar as compras no caixa do supermercado, e o cliente percebe que a conta não vai fechar para ele , o que ocorre com a carne”? Este é o tema...

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Negociar arrobas para receber (ou para comprar) com base no CEPEA das praças ou no Indicador Esalq/B3 de SP é um risco muito grande, mesmo porquê estes índices de preços não foram feitos para isto. Quando o mercado vai entender que as ferramentas da B3 são a saída ideal, tanto para pecuarista, quanto para frigorífico?

2)    BEEFRADAR (a sangria começa a flertar com a estabilidade)
40% queda | 40% estabilidade | 20% alta

3)    HORA DO QUILO
Nas semanas do Natal e do Ano Novo não teremos episódios com a estruturação normal do Front, devido às férias. Mas nosso radar estará ligado e comunicando eventos importantes de mercado, com episódios mais “lights”.

4)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Nas próxima semana vamos fazer um exercício de futurologia que já se tornou tradição no Front. Explico melhor... você será convidado a completar a seguinte frase: “estamos no final de 2020, um bom resumo deste ano que se encerra agora é...”.
Na próxima semana vamos relembrar o que prevemos para 2019. Será que houve aderência com o ocorrido? Você vai ser convidado para repetir a dose para 2020. Na primeira semana de 2020 publicarei as melhores respostas. E daqui a um ano, seu Deus nos permitir, repetimos a tarefa de checar a aderência das previsões.

5)    O LADO “B” DO BOI
Primeiramente, vou responder à pergunta do quê ocorre quando a conta não fecha para o consumidor final. Simples: a carne de R$ 28/kg fica e o Kinder Ovo de R$ 8/unidade vai... Palavras da minha amiga “Claudia”, caixa de um supermercado de Goiânia, que participou de um podcast comigo (link a seguir, disponível também nos diversos aplicativos agregadores): https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/o-que-o-caixa-de-supermercado-tem-a-nos-dizer-sobre-o-preco-da-carne-mercado-minuto/


Além do podcast, o pano de fundo deste episódio foi a minha perambulação no varejo de carnes (Goiânia e interior do estado). Também colaboraram amigos que estão na Argentina e na Flórida e que me enviaram preços do varejo destes países.

O título deste Front é provocativo. Pensando que consumimos em nosso passado recente algo entre 26 a 38 kg/hab/ano referente a carne bovina, a resposta para a pergunta é sim. Lembro-me do Francisco Villa me dizendo que o brasileiro come carne irresponsavelmente, pensando no alto nível de consumo comparado ao nível de nossa economia. Os milhares de espetinhos nas ruas do Brasil também nos sugerem a mesma resposta. E talvez por isto mesmo a “gritaria” coletiva quanto ao preço do produto, assunto que é pauta em Brasília.

Evidente que nossa situação econômica ainda frágil (apesar de estar em recuperação), pesa demais. Mas acho que a coisa vai muito além desta óbia, válida, mas já surrada “desculpa”.

Será que a histeria coletiva sobre o preço mais alto da carne não tem outros motivadores, além de outro óbio, que é estar cravada no paladar da maioria dos brasileiros e agora estar menos acessível? Penso que sim (o avião não cai por uma causa só). Alguns outros possíveis caroços neste angu estão abaixo:

1.    Será que após ficar anos com preço achatado, a arroba não deixou o consumidor final “mal acostumado”? A correção foi rápida e violenta demais, será que se fosse ao longo dos anos, o estresse não seria menor?

2.    Será que após ficar anos com preço achatado, a arroba não deixou “mal acostumados” os elos da cadeia pecuária fora da porteira, no tocante às suas atuais margens?

3.    Será que após anos sem gerar demanda, não teríamos perdido espaço na cabeça do consumidor? A maioria do povo ainda relaciona carne de qualidade à carne fresca, enquanto vemos a concorrência de outras proteínas caminhar vigorosamente (alimentos porcionados, pré-peparados, de valor agregado, etc). Além disto outros setores estão trabalhando forte na disputada do suado e escasso real do nosso consumidor, a exemplo dos cosméticos, bebidas, eletro-eletrônicos, etc. Será que o bolo da renda do consumidor não ficou menor para nós, o alimento básico parado no tempo e deitado em berço esplêndido? Ficamos sempre no fundo das lojas, até chegar lá, o carrinho está lotado de doces, bolachas, cosméticos, comida para cachorro, etc...

4.    Será que não estamos sentindo falta de um padrão nacional de classificação de carcaça como existe nos EUA (standard, select, choice, prime)? Nossa amplitude de qualidade exposta ao consumidor tem se ampliado enormemente nos últimos 10 anos. A carne melhor do FDS, sendo experimentada, não gera um desafio enorme para a carne do meio da semana? O paladar não retrocede! Nossa qualidade média atende com regularidade ao consumidor que está cada vez mais exigente, mesmo nas camadas menos abastadas da população? Vide o relato da Claúdia no podcast... Obs.: ainda bem que estamos cada vez mais navegando no quesito qualidade, fato muito bem vindo. Destaca-se o brilhante trabalho de pessoas neste mercado, que apesar de pequeno no Brasil, é o único que cresce continuamente a altas taxas;

5.    Será que consumidor, atacado e varejo sabem explorar o todo da carcaça buscando alternativas de cortes e assim driblando os preços em aquecimento?

Enfim, reflita. Enquanto não respondermos estas questões com propriedade, diria que o Brasileiro ama carne, mas especialmente se ela for muito barata.

O desafio da cadeia como um todo para 2020 é vender internamente a carne mais cara e manter nosso status sanitário para dar vazão à produção através da pujante demanda externa. Nosso mercado interno continuará sendo fortemente nosso teto. Até a próxima semana!

Fotos em destaque: imagens da semana, com a família na Fazenda e #foradasvendas.


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