O Brasil aprendeu tratar de boi (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 22 de Julho de 2022

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Dias de mercado quente, daqueles de fritar os nossos miolos... Vamos à nossa tradicional listinha dos destaques da semana e o que eles podem nos impactar à frente?

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1.    Começamos pelo milho, e podemos resumir dizendo que o fundamento prevalece nesse mercado. Vemos um clima menos desafiador para a safra americana em desenvolvimento, uma perspectiva de demanda arrefecida pela propalada recessão mundial, movimento de venda dos fundos em Chicago, oferta de safrinha no “modo on” no Brasil, perda de suportes técnicos grafistas importantes na B3 (Brasil) e CME (EUA), e por fim, uma oferta adicional de milho vinda da Ucrânia (acordo de liberação assinado). Tudo isso junto e misturado faz o milho ignorar o dólar de 5.50 e derreter no físico (e na bolsa), flertando com os R$ 80,00 em Campinas (ou menos, segundo algumas previsões). E ainda tem lotão de sorgo entrando na parada;

2.    O físico do boi mostrou um cenário também negativo, mas menos agressivo que o milho, sem derretidas. Mas a grande figura do boi também não está bacana, ao ponto de B3 ter passado a trabalhar com deságio no mês presente e para agosto. Em outras palavras, passou a olhar para baixo. São dois pilares que sustentam isso:
2.a.    A carne no mercado interno cedeu em julho devido ao consumo ter sido insuficiente para drenar o volume disponível, a ponto de “entupir” algumas fábricas que não tem China na carteira de vendas, postergando abates. E olha que a exportação segue flertando com recordes! Imagina se não tivéssemos o câmbio nos ajudando e esse volume de carne ficasse aqui?
2.b.    As escalas venceram o mês de julho e ameaçam levar “de eito” os primeiros dias de agosto. Elas estão longas e mesmo assim os frigoríficos, via de regra, não deixam de pôr o bovino para dentro, garantindo o suprimento do amanhã...

3.    A verdade é que pouquíssima carne foi produzida fruto de um boi mais barato, ou seja, do “boi do recuo”. Também é verdade que esse boi do recuo tem entrado com muito mais dificuldade, levando a crer que quedas a partir de onde estamos são possíveis (claro!), mas cada vez mais difíceis de ocorrer;

4.    Como está acima, o boi com preço menor entrou pouquíssimo, mas o boi sem preço definido entra com extrema facilidade nas agendas de abate! Explico: o pecuarista tem dificuldade de aceitar o boi com R$ 5 ou 10 a menos, mas tem aceitado marcar escala futura sem preço definido, tipo: . A leitura desse fato difícil de entender (para mim pelo menos), é: para muitos o risco de escala (risco de liquidez) está maior que o risco de preço, fato consequente da “esfola” de set/out 2021 e dos altos custos de diárias de 2022. A consequência nefasta disso é que o agosto vai sendo preenchido “de tuada”. Eu não joguei a toalha no agosto, mas confesso que já acreditei mais nele quanto à reação da arroba (tomara que a volta às aulas e o Dia dos Pais ajudem). Obs.: faria mais sentido se esse “boi a termo de peito aberto” pelo menos estivesse protegido na B3, mas via de regra, não está.


E aí? Eu te pergunto então: “se a conta do confinamento estava ruim nos últimos meses, como entender de onde brotou tanto boi”? Obs.: essa é uma frase recorrente que escutei essa semana de pecuaristas e compradores de boi gordo de GO, TO, SP e MS, todos surpreendidos com oferta maior que a expectativa.

Claro que tem o fato de as pessoas terem rolado abates de maio/junho para julho, mas a coisa vai mais além...

Temos um exército de cerca de 10.000 pessoas trabalhando para cerca de 400 empresas de nutrição no Brasil, eu diria, o maior e mais competente do planeta, capitaneado pela Asbram. Esse exército competente trabalha junto a um produtor “fazedor”, usando os suplementos excelentes cada vez mais conectados com a otimização do pasto e seu correto manejo na época das águas, combinando a força da fotossíntese tropical ao uso das poderosas armas dos subprodutos da agricultura, nesse caldeirão de nutrientes. Excelentes técnicos de manejo de pasto estão no campo (vide o exemplo do Gerente de Pasto).

Tudo isso faz os sistemas de engorda intensiva (seja o TIP a pasto, ou o confinamento tradicional) serem uma saída inexorável, que chega às nórias de abate com a entrada da seca. Detalhe: carcaças são entregues cada vez mais pesadas (tem sido entregue cada vez mais carne por cada cabeça abatida).

No final do dia, o fato cabal é que a famosa “conta apertada” já meteu mais medo no invernista do que mete hoje. A suplementação se tornou resiliente e faz todo sentido ser (ela está para o boi, assim como o adubo está para a agricultura, de maneira grosseira). Melhoramos nossa capacidade produtiva, mas não melhoramos nossa capacidade comercial!!!

Estamos entregando essa produção adicional (que vem desde a retenção de fêmeas e os recordes de venda de sêmen de 2020 para cá) em um momento de incerteza de demanda global. Os preços sentem (não só no boi, todas as commodities). Tem um odor nítido de ciclo pecuário no meio dessas palavras aí em cima... Menos pior que somos o “hipermercado do mundo” e, portanto, sentiremos menos... De toda forma, nos próximos 12 a 24 meses, tenha cuidado com alavancagem!!!

Para finalizar, deixo a reflexão: o Brasil aprendeu a tratar de vaca??? Para mim, não!!! Até a próxima!

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Rodrigo Albuquerque

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