O Bolsonaro, uma startup e a sua Fazenda, tudo a ver (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 26 de Outubro de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,

O Uber e o taxi... O Airbnb e o hotel... O Whatsapp/Facebook e as campanhas/pesquisas/matérias eleitorais... Percebeu onde vamos chegar?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
O foco aqui não é mais “porque” a arroba cedeu, isto já foi bem abordado. O foco é até onde ela vai ceder. Nesta última semana tivemos quase R$ 1,50 de recuo em nível Brasil (dados Scot/IBGE adaptados), de modo que o boi se aproxima novamente de R$ 140/@ a prazo/livre, um importante suporte, em minhas análises. Territorialmente “a ré” se espalhou. São raras as exceções, como as praças de Pelotas/RS, Sul da BA, SC e AC, que estão em elevação de preços. Há ainda, praças em estabilidade (como Campo Grande/MS, MA e AL), enquanto a grande maioria “cresce igual rabo de égua” (ou seja, derrissa ladeira abaixo).

Sem rodeios, eu imagino (a palavra é esta mesmo, “imagino”) que não tem muito mais caldo para sair deste bagaço (movimento de baixa). Tem escala que “esgastaiou” e mesmo com boi para entregar, o produtor não aguenta mais esfolar o lombo (para não dizer outra coisa). Há relatos de que a “oferta sumiu”.

Porém, o estoque da carne na indústria ameaça se elevar (mesmo com o atacado tendo barateado 5.3% este mês – dados Scot e mesmo com a exportação em bom nível). Este fato não deixa o frigorífico voltar a “ter fome”, apesar da margem estar dentro da normalidade. Esta semana foi o teste da “compra na baixa”. Sei não... Não creio que voltaremos para uma perna de alta nos próximos dias, mas sim para uma “estancada da sangria”. O que não deve passar é a vontade do frigorífico em “fazer ruindade no preço”. Para o produtor, digo que não está fácil. Conforto só tem mesmo aquele que tem fazenda grande ou família pequena (ou as duas coisas juntas), não dispensando ainda uma boa gestão. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“Atrevendo-me em outro campo, creio que no domingo teremos B17 60% x 40% Lullad, com variação de até 5 pontos percentuais em favor do B17. Veremos”!

3)    BEEFRADAR (sem alterações, mas “coçando” para aumentar o percentil da alta)
45% queda | 45% estabilidade |10% alta

4)    HORA DO QUILO
E a vaca vazia, gorda e com a costelona lisa? Tem gente com saudade dela. “Carma”, tô assuntando as tais. Ainda demoram mais um “cadinho”, como dizem os mineiros.

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Reforço o convite: a Mãe Dinah anuncia que estará em SP dia 23/nov, “à paisana” e infiltrada no único evento do Brasil que reúne uma dúzia de cérebros diferenciados, unindo seus esforços em prol da mais hercúlea das tarefas: a determinação dos cenários mais prováveis para os preços pecuários de 2019. Mais informações, clique no link.

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
Eu já disse aqui que em 2023 vão começar a circular os primeiros “Uber voadores”, em Dallas ou Los Angeles. Há agora rumores que as primeiras entregas de produtos feitas por drones, serão comercialmente executadas pela mesma empresa antes disto. Vi na TV que Salvador está atualmente com sérios problemas de sustentabilidade financeira na sua rede hoteleira e esta crise seria em decorrência do péssimo desempenho da economia desde 2015 (dissecando a demanda empresarial), da ineficiência do governo (centro de convenções desativado) e por fim, da concorrência com os “serviços alternativos que disponibilizam vagas através do uso da tecnologia”, a exemplo do Airbnb. Quer mais uma? A melhor conclusão sobre o que está ocorrendo neste pleito eleitoral histórico, eu vi em uma postagem no Facebook do Prof. Marcos Fava Neves, a qual tomo a liberdade de transcrever: “estas eleições me mostraram que as mídias sociais fizeram com a imprensa algo semelhante ao Uber com os taxis. Um novo tempo começou”. Deu para entender? Amigos, o mundo não vai mudar, JÁ mudou!

As produções cinematográficas dos programas de horário eleitoral da TV aberta; as nababescas viagens dos candidatos Brasil a fora, a bordo de sinistros “jatinhos”; as mega-estruturas dos comícios, etc... Tudo isto pode ser substituído (com maior efetividade) por uma “live” no Instagram ou Facebook! Milhares de reais são economizados por qualquer candidato que tenha um celular ligado a uma banda larga! As matérias tendenciosas dos jornalistas (com viés ideológico) viram vexame público para a emissora em poucas horas (vídeos com milhares de “deslikes” são retirados ao ar, às pressas)... Não há como cercar, “foi com a corda”. O poder está no povo, diz a famosa frase. Mais especificamente, digo que o poder está agora "na mão do povo".

Óbvio que tudo isto ainda vai se acomodar, como os taxis se acomodaram. Há espaço para ambos hoje, taxi e Uber. Mas os espaços são diferentes do passado! Se é fato que a verdade está na mão do povo, igualmente podemos afirmar que a mentira circula por aí. O nosso filtro (e as leis) tem que mudar. Em resumo: lidamos com um mundo em ebulição, em transformação.

Agora, páre e pense... Você acha que a sua fazenda continuará a mesma? Você acha que haverá uma bolha, impedindo que este movimento fluido, inunde o agronegócio? Claro que isto tudo vai atingir você. Aliás, já está atingindo! E toda esta transformação/mudanda de rota, necessita de um líder, de um piloto! Você deve ser este sujeito... Qual seria então, uma boa atitude, como líder frente a este mundo lábil, que por vezes, consegue substituir estruturas extremamente onerosas por atitudes simples e baratas? Minha melhor sugestão: você precisa assumir “O Estilo Startup” de ser. Obs.: as aspas referem-se ao título do livro de Eric Ries, nossa inspiração para o raciocínio que elaboro agora.

Mas, a palavra da moda (startup), quer dizer exatamente o quê? No meu melhor entendimento (até por já ter feito parte de uma), uma “startup” pode ser sim uma empresa em início (sem produto), mas também pode ser um time dentro de uma estrutura corporativa grande. Algumas características são fundamentais para que se caracterize uma startup: uso de tecnologia (ruptura com a raiz produtiva do passado); escalabilidade e inovação (foca a solução de um problema em um público-alvo, muitas vezes reduzindo dramaticamente os custos). O autor citado diz que startup é um grupo de pessoas que produzirem um produto ou um serviço inovador e escalável, numa situação de extrema incerteza. Entendeu?

Pense então no modo como o Bolsonarto fazer sua campanha. Ele envolveu tecnologia, escalou financeiramente (reduziu custos) e inovou no meio da absoluta incerteza. Ficou impossível os concorrentes competirem com ele, mesmo gastando mais. Sim, o Bolsonaro e a sua equipe, de fato, foram a primeira startup eleitoral de sucesso. Sem dinheiro (com uma facada no “bucho”), o sujeito inovou no jeito de fazer política e escalou milhares de votos.  É exatamente o mesmo que você precisa ser para o seu negócio: uma startup, revolucionando você mesmo sua empresa! Este é um dos maiores ensinamentos que estas eleições podem dar para os nossos negócios!

Quer um exemplo do agro no “estilo startup” de ser? As máquinas de aplicação de herbicidas com leitores infravermelhos (que aplicam o produto apenas onde é criticamente necessário).  As tentativas de pesar o gado via foto, etc... Que um mais próximo ainda? Mire a distribuição de suplementação de  animais a pasto. Muitas fazendas focam apenas no custo do suplemento “posto barracão”, mas o boi não vai até o barracão para ingerir o produto. Pouca atenção se dá para a logística de distribuição e seus custos (diretos e indiretos), e como consequência, o custo do quilograma “posto cocho” tem uma enorme amplitude, mesmo quando se compara fazendas com suplementos/estrutura semelhantes. Sendo mais direto: assuma o estilo “startup de ser” e estude a fundo a política de distribuição de suplementos, por exemplo. A escala vem na esteira da intensificação produtiva e, quem sabe, a tecnologia (mecanização da distribuição, GPS) e a inovação podem lhe trazer enormes reduções de custo?

Que o exemplo do B17 te inspire a descobrir as várias oportunidades que certamente existem dentro do seu negócio. Um “detalhe”: permita-se errar. O erro é parte fundamental do estilo “startup de ser”. Só quem erra, inova. Portanto, exponha-se ao erro. Ele é a única porta aberta para o aprendizado e para a melhoria dos processos. De fato, só dá para acertar, depois de errar muito. Se lhe sobra o medo de errar, também lhe falta a coragem para acertar.

Até a próxima!

Artigos Relacionados

Secou o bagaço da baixa (Front)
  • 19 de Dezembro de 2020

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.