O boi tá on, no modo patrola (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 20 de Novembro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Estamos diante da alta da arroba mais impactante que eu vivi. Amigos que estão nesse mercado desde mais longa data que eu, confirmam a mesma opinião. Impressiona a intensidade da recuperação em tão pouco tempo.

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Foram R$ 60,00 de alta em aproximadamente três semanas (saímos de R$ 254,10 em 28/out e chegamos em R$ 314,15 em 19/nov, base Indicador CEPEA/B3), ou seja, R$ 20/semana.

Qual o limite do movimento? Qual a próxima vítima da “patrola de preços” que o boi se transformou? Inicialmente o alvo era R$ 280/290,00, depois R$ 300,00 e por fim, a marca de R$ 320,00 (recorde nominal do ano). O Indicador ainda não foi lá, mas já existem negócios na máxima de R$ 320,00 em SP e MG desde meados da semana (preço de China, sem China).

Nesse valor o frigorífico “acha o boi”. Cremos que os bois confinados farão (alguma) fatura até o final de novembro apenas, pois faz 90 dias que os bois abatidos (via de regra) não são repostos. A roda do confinamento parou de girar desde o início de setembro e de agora em diante teria que faltar mesmo... A falta de oferta está falando mais alto, portanto.

E do lado da demanda? No final de junho exportávamos quase 100.000 t de carne a mais que hoje e tínhamos a margem China para desfrutar. Tudo bem que o dólar de 4.95 do final de junho ajudava menos, mas mesmo assim, a diferença não é pouca coisa. Outros mercados apareceram, com destaque aos EUA, Chile e até a Rússia (novamente no páreo), mas não dá para dizer que a exportação “nada de braçada” agora. Pelo contrário, os números são modestos.


E o mercado interno? Como imaginar que o mercado interno de carne estaria ótimo? Claro que temos dificuldades econômicas, mas há um fator fundamental que faz toda a diferença: a escassez de produto. Eu acredito que perdemos muitos consumidores, mas a carne disponível parece mal dar conta de atender aqueles que continuam comendo.

Prova disso é que o equivalente físico do atacado subiu R$ 30,00/@ nas últimas três semanas. Em outras palavras, a venda de carne mais cara no mercado interno bancou metade da alta dos R$ 60,00 e o restante, entendemos que veio de um enxugamento de margem de abate (que estava muito alta). Mesmo entregando menos margem agora, a roda dá conta de continuar girando (a margem voltou para a normalidade). E até onde ela permanecer girando, a coisa vai em frente.

E digo mais, na segunda quinzena de novembro é quando a indústria produz o estoque que vai abastecer as gôndolas de carne nas festas de final de ano, por isso vemos os pequenos e os grandes frigoríficos bem ativos na compra de boiadas agora. O lead time “fazenda/gôndola” é de aproximadamente 20/30 dias, e como dependemos mais do mercado interno no MIX de vendas atual, isso é importante ser considerado. Temos também que pensar que teremos um final de ano “quase dentro” da normalidade em termos de festas, bares, restaurantes e isso ajuda muito, além da sazonalidade econômica naturalmente mais fortalecida.

Além de tudo isso que foi dito, merece destaque o comportamento da indústria. Digo que nunca vi um comportamento tão agressivo da compra de gado como o que estamos vendo agora, pagando para cima, quase que “sem brigar”. Cuidado ao pedir pela sua boiada! Você pode ficar sem ela, na hora... Tem muita gente aí sendo amarelada. Isso me intriga...

De passagem, merece destaque a boa melhoria da relação de troca do milho com a arroba e o recrudescimento da reposição (novamente).

Consolidando tudo, concluímos que: 1. O boi não achou o novo ponto de equilíbrio, ele pode ir mais acima um “cadinho”, mas o limite não aparenta estar muito distante; 2. Bom momento para realizar vendas no físico, aos poucos, procurando fazer média para cima, afinal de contas, não se esqueça que “é sempre melhor vender ao som de violinos e comprar ao som de bombas”. Eu vou fazer isso (venda no físico)!

Grato, Rodrigo Albuquerque

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