O boi em 2021: a arte de viver o hoje (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 26 de Março de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Dizem que o passado não move moinhos e que o futuro a Deus pertence! Logo, o que importa é o hoje! Esse lema parece ser o único possível para a pecuária de 2021 e definitivamente o “hoje” é o nosso insumo.

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Semana passada falamos que a pressão do mercado futuro, vigente naquela oportunidade e que apartava a pecuária em dois mundos (físico e futuro) não contaminaria o físico. Foi isso que ocorreu: em menos de uma semana, veio a correção no futuro.

Há alguns relatos de compras de gado com alguma fluidez melhor, mas nada que mude a grande figura da oferta: não tem gado para abate para todo mundo.
E a questão que aflora cada vez mais é: teremos safra? Quão contundente será o volume de animais ofertados no mês de maio? A pergunta de US$ 1 milhão é essa e a resposta, ainda é incerta, mas tem tirado cada vez mais o sono da compra de gado. Porquê?

Não teremos fêmeas gordas para abate, visto que elas estão na deliciosa empreita de  produzir do bezerro de R$ 420,00/arroba. Além disso, o tradicional volume de animais terminados a pasto com suplementação energética farta, que chegavam ao mercado entre maio e agosto, fazendo a ponte entre a oferta de pasto e a confinada, estão seriamente ameaçados pela inédita, surreal e espantosa “pane seca” que pode se abater sobre quem tem intenção de fornecer grãos para bovinos (pasto e confinamento)

Há um cenário catastrófico desenhado sobre a safrinha de milho (chuvas do final de março/início de abril bem abaixo do normal). Diria mais, a safra de pasto já seriamente comprometida, teria talvez a sua “pá de cal” caso as previsões hídricas para lá de modestas sejam confirmadas.


O resumo é: temos no para-brisa uma potencial “pane seca” na oferta de final de safra de pasto, na oferta intermediária entre pasto e confinamento (TIP) e claro, na oferta confinada do segundo semestre (que aliás apresenta uma margem péssima para a engorda de giro curto).

Do lado da demanda, o mercado interno segue a mesma novela: falta boi mas sobre carne para alguns, e para esses (que não exportam), o calvário vindo desde o final de 2020, segue adiante assumindo contornos dramáticos. Creio que podermos ver uma tendência de concentração de empresas nesse ano. Houve entretanto, uma leve melhora na venda nessa virada de mês. Pela primeira vez na história a referência do CEPEA bateu a marca dos R$ 20/kg de carcaça casada nessa semana, perto da virada de mês. Parece que ninguém percebeu...

Na vertente da exportação, o volume ainda não engatou as quebras de recordes seriadas, mesmo porque os frigoríficos preferem comprometer um pouco de volume embarcado ao buscar preço maior. E estão conseguindo. O dólar, de volta à casa dos 5.70, completa o pacote positivo dessa turma.

Juntando tudo que está acima, a conclusão é uma só: ninguém enxerga quase nada além do nariz, tornando a condução pecuária de 2021 a mais pura essência da arte de viver o hoje, especialmente para você que não se protege via mercado futuro, termo e opções.

Até a próxima, com muita saúde! Grato, Rodrigo Albuquerque!

Obs.: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/compra de qualquer ativo ou derivativo agrícola, mas sim como opiniões pessoais, compartilhando algumas vezes nossa própria carteira de investimentos.

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