O bezerro de R$ 210 por arroba tem viabilidade -parte 2? (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 26 de Julho de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

O quê poderá fazer a arroba pegar tração? Como disse o amigo R.Heise: o “china in box”! E eu acrescentaria: o ipê amarelo. Os ciclos se repetem, na vida e no mercado!

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

Não tem muita novidade no mercado físico. Predomina o cenário de estabilidade no curtíssimo prazo. O grande motivador, ao nosso ver, é o ambiente de facilidade de compra de gado gordo, que está, aos poucos, esvaindo-se. Vale lembrar, porém, que ainda há um padrão relativamente confortável de escalas, pensando nos níveis “apertados” vistos até abril.


A grande mudança na semana foi na B3, que cedeu, testando o nível de R$ 160/@ no outubro, onde encontrou forte suporte, por sinal. Bambeou porquê? Primeiro porque ninguém aguenta mais a tal novela de ampliação/abertura de mercado para a China, EUA e Indonésia, principalmente as plantas frigoríficas, que se “enfeitam, passam batom” e, no final do dia, nada! Com o mix de vendas em incerteza, a indústria joga na retranca. Além disto, na B3, “no news is bad news” (ausência de notícia é uma notícia ruim), notadamente, quando o ágio da curva, começa a ver o tal “futuro” cada vez mais perto (em pouco mais de 60 dias, o mês padrão da entressafra, será mês “presente”, no jargão da bolsa). Lembro também que o volume de negócios não é grande e a pessoa física era o maior player comprado... Soma-se a isto tudo, um dólar abaixo dos 3.8, uma escala confortável para o padrão do ano, e temos um cenário para testar piso do mercado.

Chama atenção a frouxidão do atacado no mercado interno, recorrente na voz da indústria, mais que nos meses anteriores. Normal, estamos no meio de um mês de férias escolares... O ânimo da B3 “murcha” mesmo... O bom é que houve o teste do piso e, aparentemente, ele foi respeitado. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Seria muito bom para o curto prazo: o atacado voltar a firmar e a oferta voltar a reduzir. Boas possibilidades de isto ocorrer em agosto, mais no sentido da redução de oferta, do que na melhoria do atacado. Que venham as aulas, novamente. Ah, e a ampliação da China!!!

3)    BEEFRADAR (leve desidratação do percentil de queda, em favor do de alta)
15% queda | 45% estabilidade | 40% alta

4)    HORA DO QUILO
Há alguns dias, disse que fizemos um spread no mercado futuro, comprando agosto e vendendo outubro, com delta de R$6/@. Idem para set/out, porém com diferença de R$3/@. Quem fez, pode apurar lucro de pelo menos R$ 1 a 1,50/@ nesta semana. Zeramos os nossos.

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
No dia 18.07.19, foi ao ar mais um episódio “Mexendo na Bolsa” com o Leandro Bovo. Alertávamos para uma oportunidade de proteção para o segundo semestre. Quem fez, não se preocupou com o teste de piso na B3. Eu fiz. Terminei a proteção dos bois 2019, comprando PUT outubro, strike R$ 159 por R$ 1/@ de prêmio. Fiquei “levinho” mesmo com o sangue escorrendo na bolsa. Preocupação com preço, só de 2020 em diante. Replay: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/conteudo-premium/

6)    O LADO “B” DO BOI
Para finalizar a parte de mercado, lembrei de algo que tende a ocorrer toda a vez que a safra de chuva (outubro a junho) no Brasil Central produz bastante massa de capim: o fundo da boiada de pasto desloca-se do período maio/junho para junho/julho. Obs.: vale lembrar que ainda há relatos de capim verde lá pelas bandas do Pará. Este ano, ainda tivemos a turbulência do início de junho, reforçando esta entrega postergada, fora o gado tratado com ração a pasto, cada vez mais presente. O buraco de oferta em 2019 tende a ocorrer apenas no mês de agosto, em nossa visão (obs.: nossa aposta sempre foi de meados de julho até setembro). E Sabe o que costuma ocorrer em agosto? A florada do ipê amarelo! Veja:

•    Escrevi em 13/08/17: “Quase todo ano a florada do ipê atrai boas novas para o bovino e 2017 segue este tradicional caminho do mês de agosto”;
•    Escrevi em 09/08/15: “O mês de agosto nos brinda com o vento que seca os pastos, mas embala a pipa; nos trás um colírio para os olhos, que são os ipês amarelos e as primaveras. E, finalmente, o mês de agosto também reascendeu a esperança da alta da arroba para os pecuaristas”;
•    Escrevi em 08/09/13: “tive o prazer de ver inúmeros Ipês brancos, lilás e sobretudo os amarelos, típicos do cerrado goiano, todos no vigor máximo de sua floração... Não foi só o Ipê que floresceu, a arroba do bovino tá no mesmo batido”;

Lembro que há alguns anos, escutei de um tradicional comprador de gado: “sempre considerei o mês de agosto como o mais difícil para se comprar boi gordo”... Salve o “China in box” do companheiro Ricardo Heise e o ipê amarelo, portanto!

Chega de mercado! Vou responder agora a questionamentos que recebi a respeito do Front da semana passada, que tratava da viabilidade do bezerro de R$ 210/@ para a recria/engorda. Foram perguntas interessantes! Segue:

*Pergunta 1: “considero a conta operacional da recria/engorda separadas, pq sempre existe o custo de oportunidade de comprar bezerro ou boi”. Resp.: sim, eu também! Mas como não há espaço suficiente no Front, externei apenas o resultado global (recria + engorda). Nas minhas previsões, o resultado global vem 100% da engorda confinada, pois a recria apenas empata;

*Pergunta 2: “Imagino que o boi de confinamento não pode remunerar a fazenda, visto que na premissa inicial outro ciclo se inicia em julho/2020”. Resp.: como disse no Front, considerei que os pastos ficariam vedados durante o período de confinamento. Logo não vejo problema em considerar o resultado global sobre a área usada no ciclo a pasto, visto que a simulação não contempla o início do ciclo produtivo subsequente;

*Pergunta 3: “Considerar que a arroba subirá 5% no ano que vem, é uma premissa do seu estudo, mas o historico de 06 anos não demonstra isso”. Resp.: sim, é uma premissa, que vem dos meus estudos de perspectiva de oferta/demanda 2019/2020, dentro da metodologia do Front. O histórico dos últimos 6 anos, aponta para uma variação YoY anual média de +7.8%;

*Pergunta 4: “O ganho de peso do período é agressivo. A carga genética, solo, qualidade de capim e manejo serão determinantes para esse desempenho. E lógico a suplementação crescente, bem feita. Tá certo que esse dado é sua realidade, e cada um deverá fazer com seus dados coletados”. Resp.: concordo 1.000% e disse isto no Front;

*Pergunta 5: “Minha conclusão: nesses preços os riscos são muito altos porque qualquer oscilação de expectativa, climática ou desempenho, afetará a recria, e todo o desempenho ficará dependente do confinamento. Se analisar separadamente as duas etapas, os números do confinamento é que corrigem a operação”. Resp.: sim, perfeito, como disse na resposta 1. Não existe risco zero em nenhuma operação. Nesta, o risco é alto, sim. Mas há viabilidade! Nada é mais arriscado do que não arriscar nada...

*Pergunta 6: “Teus cálculos chegam a um custo de produção de R$ 150,80/@. Estão englobados todos custos, incluso pastagens? Custo de oportunidade de capital está incluso? Resp.: sim para a primeira e não para a segunda pergunta.

*Pergunta 7: “Gostei muito da análises, mas se tivéssemos produzido apenas meia @ a menos no pasto e o frigorífico nos tivesse tomado 1% de rendimento, qual seria o resultado”?. Resp.: seria exatamente a metade do apresentado, com rentabilidade de 0,479% AM no período.

*Pergunta 8: “A rentabilidade do teu cálculo em torno de 1% a/mês, e capitalizada daria um pouco mais que 12% a/ano, descontando custo de oportunidade ainda daria (usando juro real) algo em torno de 10% a/ano? Muita gente ainda acha que pode esperar de gado, ganhos de agiotagem. Acho que a chance é gestão aprimorada, e claro, alguns momentos de curvas mais fortes”. Resp.: Sim, concordo 1.0000000%, amigo!

Você deve ter muitas outras dúvidas, eu sei. Quem sabe, alguns pontos de concordância e vários de discordância? Foi justamente o que eu quis provocar, pois o objetivo do planejamento apresentado foi de incentivar você a fazer sua conta! Respeito todos as poderações desde que embasadas em números, afinal de contas, sem dados, você terá apenas uma opinião! Até a próxima semana!

Fotos em destaque: minicurso de gestão de risco em pecuária, apresentado no dia 19/julho, em Cuiabá para o grupo de estudos em pecuária, MTBeef, do amigo Welton Cabral!

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