No devido tempo, o veneno vai virar remédio (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 8 de Outubro de 2021
Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Sim, o veneno vai virar remédio em um tempo ainda incerto! Feito esse reforço, vamos fazer um repasse no assunto “China off”.

Lembrei que vivemos uma novela “China” recentemente: a tal liberação de mais plantas habilitadas. E antes do último capítulo dessa, apareceu uma nova (a da vaca esclerosada). Primeiro, deixo claro que permanece o que disse nas duas últimas semanas: não há certeza de nada. Quando voltamos a exportar? Ninguém, absolutamente ninguém, sabe...

Diria que o foco dos frigoríficos, hoje, não está na volta da habilitação, mas sim no risco assumido pela indústria de colocar na água a maior parte do estoque de carne certificado antes de 04/set. As consequências serão conhecidas em breve. As primeiras cargas chegaram e algumas preocupações apareceram, porque a descarga das mercadorias não está fluindo. Até os importadores estão preocupados porque (pelo menos) 40% do pagamento já foi efetuado. Quem sabe pode haver alguma renegociação? É possível, mas a questão é de governo.

Se a carne for internalizada, estará resolvido um enorme desafio para a indústria nacional: dar saída para boa parte do estoque China. Por outro lado, isso deixará o cliente bastante abastecido, o que afastará potencialmente uma necessidade de volta ao comércio mais célere por parte do comprador. Ajuda de um lado e atrapalha de outro, mas faz sentido para ambas as partes, assim entendo. De novo: não tenho a menor certeza de qual será o desfecho.

Confirmando a hipótese de recepção da carne, imagino que a China deverá fazer as contas de quanta carne vai precisar até o seu ano novo (01/02/22). E a partir daí, saberá qual a data limite para voltar às compras (amanhã, nos próximos dias, ou até mesmo em 2022, para alguns).

Até essa data limite haverá prazo para que as negociações entre os dois países ocorram, visando o retorno aos negócios. Na minha ótica, o evento ocorrido com a carne bovina vai envolver conversas sobre diversos outros produtos/serviços, que vão muito além do agronegócio. Negociação internacional bilateral não é para qualquer um e as pautas são extensas...

Até que o retorno das vendas de carne para a China seja concretizado, o mercado futuro tende a permanecer extremamente volátil e o físico provavelmente ficar sob pressão, ao sabor de um abate reduzido e de uma agonizante, concentrada e represada oferta de confinamento (retorno de chuvas pode atrapalhar mais um bocado). Obs.: isso é menos verdade em estados com uma menor cultura de confinamento, como algumas praças de Rondônia por exemplo.
Em consequência, a arroba segue a procurar o fundo dessa derrocada. Os futuros e o físico voltaram ao início de janeiro: devolveram toda a alta de 2021, praticamente. Um bom suporte da arroba brasileira em dólar vai se formando, pois voltamos a ficar muito competitivos no cenário internacional (arroba próxima de US$ 50). Um alento, que sem dúvida ajudará.

Por fim, entendo que são três os venenos causadores da sangria do boi brasileiro: a seca extrema (deixou o confinamento como única porta de saída para muitos); a ganância (que fez a maioria acreditar em preços muito otimistas e a ignorar os riscos envolvidos, até mesmo os altíssimos custos); demanda interrompida abruptamente para o mercado que entregava a melhor combinação de volume e margem (China).

E daí vem o título... no devido tempo, o desafio de exportação atual será passado; a seca fará extremamente escasso o boi do início das águas, pelo mesmo motivo que abarrotou os confinamentos na seca. Resultado: o veneno virará remédio, acredito que no primeiro trimestre de 2022 (quiçá um pouco antes). Ah, mas e a ganância? Aí, vai depender do que cada um irá fazer com a lição aplicada pelo mercado!


Até a próxima! Rodrigo Albuquerque

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