Não era para o atacado já ter derretido? (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 19 de Fevereiro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

No último episódio falamos sobre a dicotomia existente entre o mercado interno e o mercado externo em termos de remuneração da operação de abate. Nada mudou nesse sentido durante o “pseudo Carnaval”, pelo contrário, o abismo está só aumentando.

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Houve até uma tímida tentativa de recuo da arroba “ali e acolá” na  abertura da semana. Mas como fazer isso, se boa parte da indústria continuou abatendo nos dias em que o pecuarista ficou afastado das vendas? Resultado: depois da quarta de cinzas, as escalas abriram a semana em níveis críticos em São Paulo (entre 2 a 5 dias), projetando disputa de boiadas para a próxima. O Indicador CEPEA/B3 consolidou-se acima dos R$ 300,00, bem como o mês presente na B3 no final da semana. Portanto, com relação ao curto prazo, vale o bordão: “segue o jogo”!

Voltando ao que queremos destacar nesse MiniFront, vamos pensar no atacado da carne. É impressionante a curva desse ano comparada com a de anos anteriores. Em pleno janeiro/fevereiro, meses de vendas fracas em uma economia baleada pela pandemia, como explicar o fato do atacado da carne não ter derretido e estar ainda orbitando nas máximas recentes?

Certamente a oferta escassa, com abates para lá de reduzidos, explica uma boa parte, como dito no derradeiro episódio do MiniFront (”a carne ... claramente sinaliza estar no seu limite, não aceitando volume adicional, sendo sustentada pela escassez”). Mas será que é “apenas” isso? Obs.: as aspas do “apenas” é porque o pilar de oferta de gado escassa é de fato muito importante... Mas não é tudo em minha opinião!


Um dos pontos adicionais que penso ter conexão com essa (quase) resiliência da carne é a mudança na cesta de compras da população, saindo de cena boa parte dos gastos com serviços e entrando mais a tal da "homefood", que no caso do Brasil significa muita carne. Creio que muitos dos nossos tradicionais consumidores de carne commodity não estão mais comendo carne, porque não tem condições financeiras. Mas quem continua a comer, está comendo mais e tem um perfil de compra mais ligado a um produto com maior valor.

Outro ponto: o coronavoucher “etapa 1” não pinga mais nas contas, mas o seu efeito ainda é forte. A brutal liquidez injetada continua girando e isso faz a economia rodar. E daqui a pouco vem mais R$ 30 bilhões. A inflação está aí, é só obsersar, com um detalhe: o boi gosta de uma inflaçãozinha, na medida certa, sem exagero, obviamente.

Tudo o que eu escrevi acima faz parte do “eu acho”, mas em alguns anos creio que vão sair muitas teses na área de economia explicando o que estamos vivendo e não sabemos explicar direito. Economia e pandemia, uma dupla que dá pano para manga!

Os números do encerramento dessa semana expondo claros sinais de fraqueza do atacado (principalmente de traseiro), confirmam o que eu já disse aqui: atingimos o limite do atacado. Mas, pelos motivos listados acima, creio que não será fácil ele abandonar de vez a sua resiliência e derreter, fato que por si é um enorme suporte para a arroba. Até a próxima, saúde e luz!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



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