Mande o risco de preço para a PUT que partiu (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 4 de Abril de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Quando você compra uma opção de venda (PUT), qual entrega você pode esperar? Vamos detalhar todas elas, como um manual rápido dos primeiros passos.

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Depois dos primeiros minutos de conversa com agentes da indústria (onde só se escuta lamentações sobre o mercado interno), a fatídica pergunta aparece: como está a cabeça do pecuarista com relação ao confinamento? Isto por si já mostra que não será fácil “amassar” o bovino. Mas no curto prazo, o mercado vai tentar. E vai conseguir em parte. Sei lá quanto!

2)    BEEFRADAR (guinada total com direção ao lado vermelho, infelizmente)
70% queda | 20% estabilidade | 10% alta

3)    O LADO “B” DO BOI
Já vou logo avisando que as opções são um dos produtos da B3, ao lado do “irmão mais famoso”, o mercado futuro. Ambos não são milagre e nem panecéia que cura qualquer moléstia. Mas são ferramentas úteis para quem deseja garantir margem. Adianto que não estamos na melhor hora para se comprar opções visto a altíssima volatilidade, mas “não tá morto quem peleia” (Velho Milongueiro).


Pense num seguro de carro com seus componentes: a seguradora, o segurado, o bem protegido e a avaliação de risco da apólice. O mercado de opções funciona de maneira análoga, só não existe nada físico (não há entrega física), logo, pode comprar ou vender opções qualquer agente financeiro cadastrado na bolsa.

O eventual lucro que o pecuarista obtém com este papel complementa (ou diminui) o valor que ele vai receber da venda física, totalmente desconectada desta operação financeira.

Sempre existem duas pontas amarradas numa mesma apólice de seguro (contrato de opções): a seguradora (vendedora da opção) e o segurado (comprador da opção). Quem vende a opção, é literalmente pago para correr risco, tal como a seguradora de carro (a B3 garante a solvência da operação, sempre). Cada contrato envolve 330@ (mínimo para se operar).

A dinâmica é como no carro: você cota o “seguro” e se achar que vale, o compra, desembolsando de imediato para desfrutar da cobertura, ao longo do tempo contratado. Uma diferença: no caso do boi, não se protege o boi “inteiro”, mas sim a variação de preço (acima ou abaixo) do nível segurado. Há seguro para conferir proteção para a alta (CALL) e para a baixa (PUT). Obs.: naturalmente o invernista tem que se proteger da baixa, mas não necessariamente.

A proteção é sobre a variação de preço, p.ex.: se o pecuarista contratou um seguro para proteger preço mínimo (ou strike, no jargão) de R$ 185/@ para maio, tudo que variar abaixo disto, ele receberá de quem vendeu o seguro (e recebeu o prêmio para correr este risco). Note que o risco do vendedor da opção é infinito. Importante: a baliza para as opções, seja na contratação e liquidação, é o mercado futuro. Por isto é importante entender a dinâmica do mercado futuro para então operar opções. Elas são sempre liquidadas pelo mesmo valor de liquidação dos contratos futuros, caso sejam levadas até o vencimento.

Assim como o seguro de carro, três componentes formam o preço do “seguro do boi”: o valor do bem, o tempo de proteção e o risco envolvido. Dos três, dois deles quem escolhe é quem compra o seguro: o valor do bem e o tempo. Você é quem escolhe se quer proteger o boi de maio/20 ou de out/20, sendo que quanto maior o tempo entre a contratação e a liquidação, maior o custo (porque maior é o risco da “seguradora”). Da mesma fora, é o valor do bem: quanto mais cara é a arroba a ser protegida, mais cara é a PUT (fácil de entender o motivo).

O terceiro componente, único que é dado pelo mercado, é o risco. Ele é medido pela “VOL”, métrica que exprime a volatilidade do preço: quanto mais rápida e intensamente os preços variam (para cima/baixo), maior é a VOL e maior o custo do seguro. Referências: a VOL do boi historicamente foi entre 8-10%; na Carne Fraca, chegou a 15-18% e ultimamente tem ficado entre 18-30%. Estamos com a maior volatilidade de história de pecuária e opções caras.


Uma vez adquirida a opção, você pode leva-la até o vencimento ou “liquidá-la” a qualquer momento, desde que faça sentido financeiro. Estas são as informações básicas. Há ainda outros detalhes importantes, mas não temos como esgotar o assunto aqui.

Por fim: quero enfocar as possibilidades que podem ocorrer com quem compra uma PUT (seguro da baixa). Elas são as possíveis entregas. São elas:
1.    Você simplesmente não a usa. Ex.: comprou um strike de R$ 180 para maio, mas o mercado passou em R$ 195. Logo, o sinistro não ocorreu (pagou o seguro e não bateu o carro). Melhor assim (o boi subiu). No jargão, diz-se que a opção “virou pó”;

2.    Você a carrega até a liquidação e a usa.
Ex.: comprou um strike de R$ 180 para maio, e no dia 31/05, o mercado futuro passou em R$ 170: no dia seguinte à liquidação, terão sido depositados R$ 10/@ na sua conta B3, de maneira automática;

3.    Você a usa antes do mês de vencimento devido a “ocorrência do sinistro”.
Ex.: em 01/04, você comprou um strike de R$ 180 para maio, e no dia 22/04, p.ex., o mercado futuro atingiu o valor de R$ 170 para este mês. Caso deseje, você pode “executar” a apólice fazendo um pedido para seu corretor (não é automático), pois o sinistro ocorreu. Não importa que o vencimento é mais para frente. No dia seguinte à sua solicitação, terão sido depositados R$ 10/@ na sua conta B3. Obs.: claro que não haverá mais cobertura até o final de maio, pois o contrato foi liquidado, tal como você faria se tivesse batido o carro utilizando uma apólice vigente;

4.    Você a usa antes do mês de vencimento, mesmo sem a “ocorrência do sinistro”.
Ex.: em 01/04, com mercado mais calmo (VOL de 15%) você comprou uma PUT de strike R$ 180 para maio pagando R$ 1,50/@. Considere que no dia 22/04, p.ex., o mercado futuro atingiu o valor de R$ 184 para o mês de maio (acima do strike). Porém, suponha que a VOL esteja em 25%: neste caso, a sua PUT pode estar valendo R$ 3 a R$ 4, aproximadamente. Caso você considere não mais valer a pena seguir com a PUT, você pode “passar a posição” para um interessado, recebendo o valor negociado entre as partes (seu corretor intermedia).
Na prática, terá tido lucro na operação, mas obviamente neste caso o pecuarista volta a ficar desprotegido (ele pode ter resolvido fazer um termo fixo de modo a não mais precisa da PUT que havia comprado, p.ex.);

Deu para entender? Confuso? Sugestão: rumine o assunto devagar, e em caso de dúvidas, consulte um profissional habilitado para aconselhamento (há boas corretoras no ramo). Eu sou apenas um usuário e afirmo: tem sido tão importante entender destas ferramentas, quanto do pacote tecnológico que você tanto gosta de usar.  Quem sabe este não seja o aprendizado desta crise?

Calma, serenidade, e atitude. Até a próxima semana!

Fotos em destaque: no romiófice. Vai dizer que não tem coisa boa, como no meio da manhã ajudar a filha na tarefa escolar... Vamos em frente!

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