Mais MI e menos ME: solução ou problema? (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 11 de Junho de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Essa semana eu me lembrei muito de um evento em que eu fui há uns três ou quatro anos, onde vi uma palestra da Zeina Latif, economista chefe da XP Investimentos. Ela disse algo mais ou menos assim: com todo o respeito à exportação, principalmente de commodities agrícolas, o Brasil ainda é um País de mercado interno, dado o tamanho de nossa população. Guarde essa ideia, vamos aos destaques da semana e depois fechamos amarrando tudo... Bora?

Visite online Allflex: https://www.allflex.global/br/

1.    Os volumes de exportação (ME) estão bons, nas primeiras e ainda incipientes parciais de junho, é fato (apesar do dólar mais ameno). Mas a coisa está longe de ser um “céu de brigadeiro”, principalmente no mercado asiático. O que está atrapalhando muito é o preço da carne suína ter despencado no mercado Chinês, fato que tem duas narrativas: recomposição do sistema de produção (não é minha aposta) e a ocorrência de mais problemas com a peste suína africana e consequentemente abates antecipados por parte de produtores (é o que penso). Isso freiou e reduziu os valores dos últimos negócios efetivamente fechados. Deve-se frisar que esses negócios ainda carregam sobrepreços importantes sobre os anteriores, mas estão acontecendo abaixo das ofertas iniciais dos frigoríficos. Mesmo assim a coisa vai bem, agora imagina se a carne suína não tivesse derretido e a demanda estivesse normal na China?

2.    Do lado do mercado interno (MI), ótimas notícias (principal destaque da semana): o atacado com osso engatou uma sequência de altas relevantes, fazendo a carne atingir nessa semana o maior valor nominal da série histórica nas quatro fontes que eu acompanho diariamente. Um melhor fluxo de vendas e estoques enxutos são os responsáveis. A atividade econômica retornando, ainda em convalescência e idas/vindas, entra em campo, levando a maior consumo de proteína. Não vejo melhor suporte para a arroba, pois isso reaquece os (sofridos) frigoríficos não exportadores;

3.    Do lado da oferta, ou seja, do lado do físico, o mercado avançou como prevíamos aqui (boi agora é o que tem no cocho, em linhas gerais). Está firme e firmando, alcançando e ultrapassando as máximas do ano, p. ex., R$ 325,00 em SP. É claro que quem pagou melhor, comprou melhor. As escalas andaram mais até do que os compradores imaginaram, mas pressionar preço não está no radar, ao menos por ora (mais ou menos assim: “tenho que colocar carne para dentro, se eu baixar o boi, não compro”);


4.    O mercado futuro resolveu limpar todo e qualquer ágio que havia frente ao mercado físico nos meses curtos, ajustanto toda a curva para baixo em consequência. Portanto, apesar da semana ter sido verde no físico, está sendo vermelha no BGI. O limite imposto pelo atacado chinês, o dólar mais manso e os movimentos de fundos e frigoríficos vendendo em cima da pessoa física comprada (revelado pelo relatório de commitments da B3) podem ser algumas das possíveis explicações. Mas uma mais simples e que não deixa de ser verdadeira é: o BGI ficou alguns dias distorcido para cima, porque não pode ficar distorcido para baixo? No seu devido tempo isso significa oportunidade (até lá a PF tende a sofrer, pois costuma ser um “goleiro mão de alface”). Mas, oportunidade só é oportunidade, enquanto poucos estão vendo...

Conclusões:

1) o físico é firme, vai firmando e deve seguir assim, mas isso não impede do mercado futuro ter “as suas curvas”, afinal de contas: físico é físico e futuro é futuro (“jogo é jogo e treino é treino”, Romário Faria);

2) a firmeza da arroba vem de diversas frentes mas destaco duas: a primeira está no Notícias do Front e tem a ver com a pífia margem do confinamento frente aos preços  futuros mais frios; a segunda reside no raciocínio da Zeina Latif: 3/4 da nossa carne é consumida aqui e, se por um lado o mercado externo vai bem mas mostra que tem limites, afirmo que o mercado interno está apenas começando a se recuperar (carne em alta tem total aderência com arroba em aquecimento). Ter um pouco menos de ME e um pouco mais de MI, numa relação mais equilibrada na base de sustentação da precificação da arroba dos próximos meses é para mim muito mais uma solução, do que problema! 


Saúde em excesso, Rodrigo Albuquerque!

Disclaimer: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/retenção/compra de qualquer ativo, título ou derivativo agrícola, ou ainda como recomendação de investimento, mas sim, deve ser entendido meramente como opinião pessoal na data da sua publicação.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário