Lava Jato na agroeducação, urgente (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 8 de Março de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Ensino infantil, fundamental ou médio! Em todas as fases que acompanhei meus filhos como um AgroPai, senti na pele que precisamos de uma Lava Jato na agroeducação!

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Tenho a sensação que teremos (em poucos anos) uns quinze dias de Carnaval, devido ao pré/pós. De fato, pouco se viu de novidade no mercado entre 01 a 07/mar. O “quarteto mágico” citado na semana passada (oferta reduzida, consumo fortalecido, produção desacelerando e exportação forte), que significa sustentação da arroba, esteve operante. Esta conjuntura nos levou à quarta semana sequencial de recuperação na média do boi no Brasil, cravando R$ 143,88 a prazo (Scot/IBGE, adaptados). Foi uma recuperação semanal tímida (R$ 0,17/@), porque não tivemos nem ao menos tempo suficiente para o mercado “enleirar”. Os destaques de variação positiva são: GO, Sul do MS/TO/BA e norte do MT.


Além de poucos dias úteis, a semana mostrou que o consumo interno (fator mais importante), é hoje o menos pujante dos quatro citados porque vemos o atacado de lado, apesar da produção em queda, dos estoques justos e da boa exportação.

A compra de gado está da “mão para a boca” em muitas praças e apesar dos feriados recentes (que empurram artificialmente as datas de abate), a necessidade de compra continua para o início/meados da próxima semana, em geral. Tudo isto dá a pinta de que a sustentação dos preços vai seguir. O contraponto, para conter a sua euforia (descabida), é que o movimento está mais sedimentado sobre redução de produção, do que sobre uma demanda interna fortíssima. “Cabe mais na guaiaca”, e a luta vai ser para arredondar a nota (R$ 160 - SP e R$ 150 - praças). Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“As boas notícias seguem: a arroba está (e deve seguir) firme, afinal estamos no início de mês e com exportação boa (potencializada pela dólar na máxima do ano), mas é fato que as manchetes podiam ser melhores (algo como decolar um bimotor com apenas um dos propulsores ativos)! Qualquer semelhança com a nossa economia/política, não é mera coincidência”.

3)    BEEFRADAR (manutenção dos níveis de tendência de preço no curto prazo)
15% queda | 35% estabilidade | 50% alta

4)    HORA DO QUILO
“Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso” (Edmund Burke)

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Equilíbrio entre saúde física, mental e patrimônio! É isto que você precisará no futuro e é isto que seus pais precisam hoje (aqueles que ainda tem esta dádiva). Consolidei este entendimento, ao perder a minha Mãe no dia 03/03. Escutava que “tombo, diarreia e pneumonia, matam idosos”. Pode acrescentar o equilíbrio mental na lista.

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
Há exatos dois anos eu escrevia o Front #258 e também nascia (às pressas e improvisado) o podcast “Notícias do Front”, ambos motivados pelo mesmo assunto. Hoje, 105 episódios do blog adiante e quase 150.000 áudios ouvidos do podcast, retorno ao mesmo assunto. Ambos tinham tema central a “Campanha Agropai e Agromãe” e o que eu chamei na época de “ideologia nutricional nas escolas”. Infelizmente revisito o tema porque ele está atual, mais do que nunca!

Refrescando sua memória, o Front #258 narrava um ocorrido com o meu filho em 2017, durante o ensino fundamental: “um professor de história resolveu fazer uma revisão da história da pecuária no Brasil. A atitude do tal professor não poderia ter sido pior, pois, apoiado em materiais extra didáticos de péssima qualidade e de origem absolutamente duvidosa, ele passou duas aulas inteiras ... denegrindo a imagem da pecuária ... ligando-a às piores práticas que o pior dos pecuaristas podem fazer. O tema foi abordado com uma visão unilateral, com um discurso ideológico, com um material inadequado/ultrapassado que incluia inclusive um vídeo de maus tratos aos animais, cruel, sangrento e absolutamente fora dos limites de qualquer proposta pedagógica com um mínimo de bom censo. A pecuária foi genericamente contextualizada como uma atividade ligada ao desmatamento, efeito estufa, incidência de câncer, presença de supostos “hormônios”, péssima qualidade de alimentos (leite “com pús na caixinha”, salsicha produzida pela “moagem de pintinhos”...). No final da segunda aula, o resultado: alunos querendo chorar e perguntando se a saída seria então o vegetarianismo..." Obs.: quem quiser escutar o relato do meu filho de própria voz, pode acessar o podcast #1 clicando no endereço: https://justcast.herokuapp.com/shows/rodrigo-albuquerque-noticias-do-front/audioposts/201730 . Detalhes sobre a Campanha AgroPai/AgroMãe, estão no podcast #2, localizado no seguinte endereço: https://justcast.herokuapp.com/shows/rodrigo-albuquerque-noticias-do-front/audioposts/201732

O termo “ideologia nutricional”, veio na minha mente quando relatava o mesmo fato para o Dr. Drauzio Varella, durante uma oportunidade em que passei quase um dia com ele (presente singular dado pelo Maurício Velloso por ocasião da Expopec, em Porangatu/GO). Eu resumiria “ideologia nutricional nas escolas” como sendo uma atitude deliberadamente ideológica que coloca em risco a integridade nutricional das crianças por ignorar a ciência e disseminar toda espécie de inverdades escabrosas e esdrúxulas sobre alimentação, especificamente relacionada à proteína animal (bovina) na dieta de crianças. Em geral, ela é impetrada por alguém pago pelo nosso suor e que goza de acesso privilegiado à mente das crianças: a figura do professor. Ele navega na formação dos valores e crenças das crianças alicerçado pelo que aprendi ser a mais efetiva das licenças quanto a formação de opinião em massa: a “licença social”. Simplesmente nefasto e perigoso, como diz a frase da “Hora do KG”.

O que ocorreu desta vez? Minha esposa foi abordada por uma destas escolas particulares que estão “nichando o universo” da educação do Brasil, ao oferecer aos adolescentes próximos ao Vestibular, aulas de reforço de redação (nova tendência). Além de seu filho cursar inglês fora da escola regular, pode agora cursar uma “escola de redação”.

Até aí, normal, afinal de contas, o item é fundamental na aprovação para o ensino superior. Porém, ao observar a revista usada como material de marketing junto à minha esposa, vi que a tal elencava temas atuais que poderiam (ou não), figurar no vestibular de 2018 (o material é de 2018, mas foi distribuído em 2019). Além de elencar, havia entrevistas com profissionais, sugestões de livros/filmes e também “redações modelo”. A lista continha: violência no trânsito, déficit habitacional, obesidade infantil, transfobia, depressão, educação domiciliar, idosos, crise penitenciária, Fake News, etc. Um tema chamou a minha atenção: “humanizar os bichos ou animalizar os humanos”?

Lendo a revista, vi que tratavam de aspectos ligados aos pets, circos, zoológicos, testes em animais, e por fim, exportação de gado vivo e cadeia da carne bovina. Em especial, nestes dois últimos itens, detectei uma infindável lista de erros grosseiros, inverdades absolutas, tais como: “o envio de carga viva ... envolve um bilhão de reais ...  os animais morrem afogados nas fezes ... vão com metais pesados, envenenados”; “de acordo com o MAPA ... no ano de 2017 ... e o IBGE ... dez bois são abatidos por ano para cada brasileiro”.

E por fim: “... postura de exploração e crueldade da relação dos homens com os animais, já que o ser humano se sente superior aos demais seres não-humanos, portanto, acha-se no direito de atentar contra a dignidade deles. Esse quadro é resultado inegável da influência do sistema capitalista que objetifica os animais. Assim, entre os elementos que aprofundam este cenário, pode-se destacar a hierarquia criada pelos homens em que estes se encontram acima dos bichos, com o lucro obtido por empresas que os exploram ... sendo esta mentalidade embasada pelo sistema capitalista, uma vez que esse é responsável por tornar estes seres mercadoria, tirando-lhes direito e dignidade, dessa forma, o ser humano naturaliza e alicerça uma relação de crueldade e exploração com os animais”.

Preservando seu cérebro, vou encerrar não sem antes dizer que além dos absurdos e tendenciosos conceitos, recheados da um nefasto e límpido caráter ideológico (até mesmo político), ressalta-se a existência de um número totalmente descabido (até do ponto de vista matemático). A escola de redação não sabe a diferença básica dos conceitos matemáticos primários de numerador e denominador, constantes em uma simples razão numérica. Em resumo: inverteram os números, pois em 2017, foram abatidos 30,87 milhões de bovinos (usando a informação correta do IBGE) e considerando uma população de 200 milhões de brasileiros (usando o número da própria revista), teríamos 0,15 bovinos abatidos/brasileiro, ou seja, 98.5% a menos do que o informado para os estudantes. O Brasil precisaria ter o dobro do atual rebanho bovino mundial, além de uma pecuária de giro 100% anual, para abater 10 animais para cada cidadão/cidadã do País. Inacreditável...

Por fim, o editorial diz almejar que “cada matéria seja uma oportunidade de olhar por ângulos que, geralmente, não somos convidados a investigar”. Lindo objetivo, ledo engano! Pena que há um desvio de até 98.5% sobre a verdade de alguns dados divulgados e que não se apresente o contraditório de cada ponto de vista. Um pedido: AgroPai e AgroMãe, vigiai o que chega até suas crianças/adolescentes! Estão formando alunos com massa crítica real ou manipulando estudantes sob as pesadas mãos da ideologia? Observe a nova “modinha” dos adolescentes entre 10 a 20 anos, com relação ao asco que sentem com relação ao nosso setor! Enquanto nosso suor e nosso gado paga as escolas, algumas depõem abertamente contra nós!

Obs.: não vou dizer o nome da escola de propósito, para que todos se sintam incomodados e observem atentamente o material das escolas de todo o tipo de ensino: infantil, fundamental, médio, extracurriculares e até do ensino superior. É evidente que esta crítica não é geral para todas escolas e professores do Brasil, pois há excelentes profissionais e Instituições de Ensino.

Fotos em destaque: Igreja de Nossa Senhora Aparecida inaugurada de 1905 em Joanópolis/SP; Murais do cemitério Jardim das Palmeiras e do Hotel Orla Morena (carro de boi) em Campo Grande/MS; destaque publicado por uma escola (ensino extracurricular) de Goiânia/GO (detalhes no Instagram @noticias_do_front).

Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.