Gotas de certezas, num mar de incertezas (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 6 de Março de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Lembro-me muito bem que no início do último dezembro apareciam fotos no zapzap de “mãozinhas” onde se lia “Boi R$ 250,00?” escrito à caneta. Era uma resposta a outras mãos, onde se podia ler “Boi R$ 300,00?”, no final de outubro. Lá pelo dia 10/dez, quando o boi de SP em queda, lambeu ao R$ 260,00, eu terminei alguns episódios do MiniFront com uma frase que se tornara um mantra para mim: “acredito fortemente no boi do primeiro tri de 2021”. Pois bem, entramos no derradeiro mês desse trimestre, histórico, tal como foi anunciado.


Nessa primeira semana, as volumosas águas de março, ao atrasarem os trabalhos no campo relativos à colheita/plantio, lançaram labaredas sobre a já explosiva perspectiva do milho, que assumiu uma escalada fortíssima. O bezerro tenta acompanhar, mas fica atrás. Mais atrás ainda, ficou a arroba, em estabilidade/leve alta.

A conta vai ficando difícil para o próximo ciclo produtivo da engorda que for iniciada com a reposição atual. Um cenário de tempestade perfeita começa a se desenhar tornando real algo até então impensado em termos de oferta de grãos e de sub-produtos: o problema está deixando de ser preço alto, e começando a ser sobre haver ou não insumos para a dieta dos animais. Como ficará o abate do segundo semestre, se no primeiro já são reportadas reduções de até 25% no volume de animais abatidos?

O fato é que a firmeza da arroba vai deixando a conta para lá de esticada também para o mercado interno de carne, o que faz sugirem notícias de interrupções de abates em algumas plantas. Mesmo com pouquíssima produção, o mercado não sobe pois a economia está mergulhada no “março negro” da pandemia (até a carne premium está sentindo um pouco agora). Tão pouco a carne tem força para cair, pois apesar dos pesares o mercado está enxuto.

Falamos da exportação para os assinantes (notadamente sobre a China), mas para resumir, não creio em uma arrancada do volume embarcado no curto prazo para fora, apesar da avenida proporcionada pelo dólar valorizado. Creio que estaremos, por algum tempo, com bom volume, mas sem conseguir quebrar recordes de maneira seriada como fazíamos.

A indústria exportadora que vender um pouco mais agressivamente, vai avançar sobre a arroba na mesma intensidade, pagando para cima, porque a mercadoria está escassa e seguirá assim em março. Não creio em queda do bovino por agora. Acertar o topo é muito difícil! Notícias de novas máximas não deixaram de aparecer ali e acolá. O bovino é muito firme no curto prazo!

Gotas de certeza se perdem num oceano de incertezas, fazendo transbordar “medo”, “tensão” e “estresse”. Essas são as palavras que mais escuto de pessoas de todos os elos da cadeira pecuária, com excessão da cria.


A névoa está tão densa, que muita gente não percebeu uma importante boa nova: o ágio que a B3 projeta para o mês presente e para a entressafra começa a viabilizar alguma proteção para o boi do final das águas e, timidamente, para a entressafra, aumentando nem que seja, algumas gotas de certeza. Radar atento!

Até a próxima, saúde e luz! Grato, Rodrigo Albuquerque!

Obs.: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/compra de qualquer ativo ou derivativo agrícola, mas sim como opiniões pessoais, compartilhando algumas vezes nossa própria carteira de investimentos.
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