Fila de espera, uma frase recorrente na pecuária (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 21 de Agosto de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

O mercado do boi gordo estava um “paradão danado”! Mas isso acabou. Se tudo tem um lado bom, é isso: a mesmice foi embora! Infelizmente o destino da arroba foi para baixo.

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Nem mesmo o dólar, de volta ao patamar dos 5.4 foi capaz de impedir a pressão. O explosivo e conturbado momento político entre os poderes da República, somado à fragilidade do equilíbrio fiscal brasileiro e alguns sinais externos, “reinflaram” o câmbio. Boa notícia para as plantas exportadoras que desfrutam de margens excelentes, as quais melhorarão se o físico de fato embarcar na pressão que tende a se intensificar nos próximos dias. Detalhe: pelo jeito a indústria está disposta e abocanhar sozinha essa margem, a despeito da briga de preços com os importadores. A ver...

O físico ainda tem sinais de resistência, nos estados em que o confinamento não é tradição tão presente, tal como é em SP, GO, Triângulo Mineiro e uma grande parte do MT. Nesses estados, a oferta nada de braçada e, as escalas estão majoritariamente completas até meados de outubro (ou um pouco mais). Fruto do “boi de contrato” e do clima extremo.

Se for realmente para o mercado ir abaixo, claramente veremos pressão muito maior no mercado futuro do que no físico. Em caso de ruptura institucional no País (contexto político sugere isso) ou em caso de ampliação da habilitação de plantas China (discussão “eterna”), um paraquedas pode pintar nas costas do bovino. Ou seja, o câmbio totalmente fora da casinha (acima de 5,5/5,6) ou maior acesso ao mercado que entrega mais margem atualmente, pode ser um suporte com alguma força... Por outro lado, se ocorrer uma patinada nesse mercado asiático, aí azeda o pé do frango com força.

De toda a forma digo: o boi é valente e vai tentar resistir.


O que está por trás disso tudo? O produtor encarou um choque de demanda no início da pandemia, principalmente após o início do auxílio emergencial. Os preços dos alimentos subiram, como por exemplo, as carnes. Os produtores foram criticados pois a mídia não especializada não via o estrondoso aumento de custos que também ocorreu. Só viam a alta dos preços da arroba, soja e milho...

E como previu o mestre Marcos Fava Neves, os altos preços das commodities estimulariam o produtor a produzir um choque de oferta. E ela está vindo. Hoje há fila de espera e/ou falta de disponibilidade e/ou altos preços para se adquirir: gesso/calcário; bainha, hormônios e sêmen para IATF (há touros com incrementos de mais de 60% e ainda assim tem doses negativas); fila de espera para ingresso de animais em boitel; fila de espera para agendamento de escala de abate; fila de espera (interminável) para máquinas agrícolas. Em outras palavras, a agricultura e todas os elos da pecuária estão respondendo aos preços altos, produzindo o choque de oferta previsto pelo Fava e que vai desembarcar em 22/23 (no caso da pecuária de corte, ele já produz seus primeiros efeitos, em função do clima desafiador). É o ciclo pecuário em ação, diante dos nossos olhos!

Juntando e misturando tudo, finalizo com dois pontos:

1.    Reforço o que venho dizendo há praticamente duas semanas: proteja-se, não encare o momento de “peito aberto” (termo, opções e mercado futuro estão aí);

2.    O efeito rebote disso virá na transição confinamento 21/pasto 22, a depender do nosso mercado interno e do câmbio do quarto trimestre. Mas, se eu trabalhasse na compra de gado de alguma indústria, ia pedir umas férias sabáticas entre novembro/dezembro de 2021 e março/abril de 2022...

O recado está dado, ou preciso desenhar? Saúde em excesso, Rodrigo Albuquerque

Disclaimer: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/retenção/compra de qualquer ativo, título ou derivativo agrícola, ou ainda como recomendação de investimento, mas sim, deve ser entendido meramente como opinião pessoal na data da sua publicação.

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